Trashédia

YOU WILL BE HAPPIER WITH LOWER STANDARDS

74th GOLDEN GLOBES – LE RED CARPET

Ahhhh.
Madrugada de oito de Janeiro, mesmo a seguir ao Natal e ao Ano Novo e ao Dia de Reis e só penso nas mesas postas em permanência, que só se terão recolhido ontem à tarde em pleno tédio dominical e em tudo o que lá estaria em cima e que se foi picando nas últimas três semanas. Penso nisso e depois penso inevitavelmente em figuras como Rachel Zoe a panicar naquele registo monocórdico não pelos nipple covers, mas por I need more spanx. Porque já sabemos que a moment on your lips, forever on your hips.
É que foram as festas, não é?

A primeira red carpet do ano começa muito mal.
Se já no ano passado foi pouco inspiradora, pouco divertida, pouco tudo, este ano, estamos muito pior. Acho que só ao trigésimo look é que consegui começar a seleccionar looks para a minha lista, género ok, rendo-me, é isto, não é? Já estava mesmo a pensar não fazer nada por esta red carpet, de pouco interessante que esteve. Voltamos à apostas seguríssimas, aos cabelos lambidos ou soltos numa tentativa de look “natural” ou “simples”, pouco eficazes, e às maquilhagens do costume, do smoky eye ao smoky eye e pouco maye.
Agora que já não existe Joan Rivers é que se acanharam todas?
Não faz muito sentido.

A coisa está péssima quando começo um artigo destes a dizer que a Sarah Jessica Parker esteve mal, tipo muito mal, tipo péssima (e não é nada habitual, antes pelo contrário), e que a Natalie Portman esteve óptima. Que me perdoem todos os indies, mas “Natalie Portman” e “óptima” não são linhas que se cruzem, mas pronto, aqui cruzaram. A super rookie Millie Bobby Brown é, para mim, ao lado da veterana Drew Barrymore, da Jessica Chastain e da Caitriona Balfe, a melhor vestida de todas.
Pronto, isto era um resumo pontapé de saída.

Então vá, a fórmula Prada é assim: uma linha direita, uma coisa muito muito muito mas mesmo muito simples, porque simples é elevação do design, numa cor só que é para não baralhar, e depois pedrarias, que dá ali o sainete barroco. Cangalhada cintilante com fartura que adorna e embeleza e não faz mossa e que dispensa o uso de jóias e que até deve sair mais em conta, porque ao quilo sempre dá para arredondar, e eles lá em Itália têm muito boa imitação de vidro soprado, mas em plástico. Óptimo. Pode comprovar-se imenso a fórmula quer em Natalie Portman, quer em Jessica Chastain, sendo que em nenhuma delas me parece que tudo o que gravita em torno do vestido tenha sido muito bem pensado: Portman com um cabelo que não lembra a ninguém, muito menos com um vestido de decote redondo a dar para o barco mas sem o ser, e Chastain com um apanhado lambido que não funciona de todo, até porque torna todas as proporções bizarras e faz-lhe cabeça de alfinete. No caso de qualquer uma das duas, nota milh para as escolhas de cor, especialmente no caso da Chastain, que sendo ruiva escolheu um azul bebé que lhe vai ali ao tom dos olhos, mas o que investiram em jóias, podiam ter investido em batom, que até lhes tinha saído mais barato e fazia ali um vistão. Um rosa choque ou um bom encarnado, mate, desculpava-lhes os cabelos. Quem sai a ganhar é a Prada, que tem óptimo olho para os decotes pretendidos (o decote da Natalie na Jessica não faria sentido nenhum e vice-versa) e sabe afirmar identidade na red carpet.
Passamos à divina criança Millie Bobby Brown, que está incrível, jovial, divertida e com uma óptima opção cromática. O cabelo, lambido, é um óptimo exemplo de um excelente lambido, e dá milhões a zero a todas as veteranas que, de ano para ano, devem arrepender-se das escolhas que fizeram. Esta de certeza que não vai para as listas embaraçosas do BuzzFeed daqui a dez anos.
Depois aparece aqui na minha galeriazinha a super incrível Drew Barrymore, o melhor exemplo de tudo o que todas as outras estão sempre a querer ser, mas que nunca são: cool. Se me perguntassem pelo vestido sem ela lá dentro, era um vestido que provavelmente iria para uma secção de esquecidas nobody cares, mas como é a Drew Barrymore que o enverga, a coisa muda de figura. Está óptima e por mais improvável e arriscada e Love Boat meets Golden Girls, que seja esta escolha, resulta lindamente porque, ao contrário de quase todas as lyndas que desfilaram pela red carpet, a Drew Barrymore está bem disposta. Inédito. De tal forma que até fiz aqui nos rascunhos uma selecção que se chamava “As Sofridas”, com a Winona Rider, a Anna Kendrick e mais umas quantas, mas que não fazia sentido nenhum incluir, porque estavam numa secção só mesmo pela cara de sofrimento que fizeram para o retrato (a Natalie Portman também lá estava). De salientar que este corte de ombro é a Rainha da Noite. Há pelo menos uma meia dúzia de modelos com este ombro a descoberto que não é carne nem peixe, mas que é muito transversal: dos art deco aos barrocos, dos rendados aos lisos, lá ombro de fora não lhes falta. Já uma menina à frente, têm mais um ombro, Sarah Jessica, mas já lá vamos. Depois, amygas, aprendam de uma vez como é que se leva o cabelo solto com um vestido de gala, porque já foram tantas lições, mas tantas tantas, já se fizeram tantas revisões, que começo a convencer-me mesmo de que ou ninguém vai às aulas ou então têm todas nega. É tão simples. É só isto. Justificado o batom nude, porque já há cor nas unhas e melhor, há vida nos olhos. Drew, incrível, WOW. Palmas a ti.
Passamos à vizinha do lado aqui nesta galeria, Caitriona Balfe, divina de la muerte a tocar em todos os pontos de marcar pontos: o vestido comprido tomara-que-caia, na cor mais discreta e clássica do universo – azul escuro – com um apontamento de cor que cria ali uma ilusão na silhueta muito elegante (usar “elegante” e não ter duzentos anos de idade), com um florão de brilhantes à cintura. Óptima, simples, divina. O cabelo e a maquilhagem estão super adequados ao outfit, um piscar de olho para o detalhe risco ao meio em ziguezague, tão fofinho. Não sei se é memorável, diria que não, mas é muito eficaz.
Depois temos a Sarah Jessica Parker, a quem não sei o que terá sucedido, porque não vai bem. O cabelo de inspiração Ulyana Sergeenko meets Yulia Tymoshenko não está bem e não a favorece nada, muito menos com os decibéis lá a bater nos encarnados do registo smoky eye, muito menos com o vestido de noiva Vera Wang que tem os tais ombros que foram a constante da noite. Pá, não. Não. Não. Só recebe um ponto positivo pelo facto de parecer que o vestido tem bolsos, que evita o uso da clutch, que é quase sempre um suplício de feia que vem destabilizar o look. Ainda aqui há posts falei da Sarah Jessica e de quão fixe ela era, para agora estarmos nisto… Pá. Fiquei triste.

AS BRANCAS DE NEVE

Há vinte anos a Gillian Anderson era a bomba nerd dos X-Files e os irmãos mais velhos e os amigos dos irmãos mais velhos tripavam com ela a fazer de agente do FBI dentro daqueles fatos cinzentos que não me importava nada de usar, hoje em dia super Gaia Repossi. Os X-Files voltaram, não vi ainda nenhum episódio, mas se há comeback bem feito às luzes da ribalta, é o da Gillian Anderson. Milhões de vivas porque está irrepreensível de lynda. Atenção ao cabelo loiro e branco (branco!!! UAAAAAAU!) e ao apanhado!!! Só lhe atirava a clutch para o lixo, porque ali de repente parece um tijolo burro, mas uma pessoa tem de levar a chave de casa, o CC, uma notinha para o táxi e o telemóvel, não é?
Depois temos ao lado aqui n’AS BRANCAS DE NEVE a Issa Rae, magnífica, de gola alta e manga comprida (aplaudo de pé esta escolha, porque eu fico sempre com frio nestas coisas e dá-me sempre vontade de usar assim uma pashmina ou por um casaquinho pelas costas, mas estraga a toilette), mas impecável. O branco foi uma escolha linda, favorece-a, ilumina-lhe a cara, dá-lhe uma vida óptima à maquilhagem que está mais do que adequada à ocasião e torna tudo super harmonioso. Mil vivas ao cabelo, que está apanhado e vagamente lambido, mas com volume e graça. Zero vivas à clutch, que parece só um envelope acolchoado para levar documentos, mas lá está, uma pessoa tem de levar os pertences, e assim tudo na mão não dá.
Por último, aqui nas brancas, Gwendoline Christie, que diria que tem estado a estudar muito bem todas as lições que a Lady Gaga tem andado a dar ao nível do old glamour with a twist, porque vai muito bem. Vai lindamente. Olhando assim à primeira até parece a própria da, mas depois uma pessoa vai ver e vê que não é. Mas está muito muito muito bem. O nude nunca me convence porque é sempre um tomzinho que chama muito ao desmaio, só que aqui, acho que pela coerência monocromática, que também evoca muito a flandres e a Tilda Swinton e tudo o que se faz sempre à Tilda Swinton, essa diva do no gender, isto resulta muito muito muito muito bem. O cabelo está óptimo, a maquilhagem também (outra qualquer teria ido para um smoky eye porque ali com uma mascarilha de Irmãos Metralha sempre se aviva muito o look) e a ausência de acessórios é incrível. Sente-se muito o Futuro e a imprensa independente na Gwendoline.

MAMAOLHO

A Anna Kendrick foi aos Golden Globes por favor, porque em bom rigor não queria lá estar: está na cara e nas mãozinhas ali abandonadinhas no fim dos bracinhos descaídos dos ombros tristes. Não queria. Até porque depois do que revelou sobre a ida aos Óscares de 2010, pá, não há pachorra. Queria ter ficado em casa a aboborar, porque ainda por cima é domingo à noite e ninguém merece despir o pijama às cinco da tarde. Muito menos se merece um vestido com encaixe MAMAOLHO para as maminhas. Uma pessoa não só está com esta disposição de comida por telefone no sofá a ver o pior que der na televisão, tem de ir porque não tem outro remédio, e no fim de contas ainda vem o stylist dizer e apresentar o vestido, que é um modelo MAMAOLHO em chiffon cinzento esvoaçante e se já estava com pouca vontade, agora vai só para ali fazer de cabeça de alho murcho. A pessoa desmotiva. É que a Anna estava de tal forma descrençada nem lavou o cabelo: pôs laca, escovou para fixer no cocuruto, e pronto. À saída deu-lhe ali com uma cozinha do batom da avó e disse assim ao espelho, ai, filhx, pró que é, bacalhau basta.
Já a vizinha do lado, Hailee Steinfeld, está um bocadinho mais contente com o seu modelo MAMAOLHO, porque tem pestanas, e toda a gente sabe que uma pestana faz diferença. É que um olho com pestanas sempre dá outro sainete, sempre causa outro furor. Uma pessoa deixa de ter ao peito um formato de desenho animado francês mais sério, e passa a ter uma coisinha mais animé. A cor também ajuda mais, especialmente no tom de pele, porque vai-se a ver e um lilás e um cinza são tons mortiços, porque são, mas entre uma branquela de trombas num vestido cinza e uma morena exótica a fazer aquele olhar da sobrancelha de má como a Taylor Swift e Karlie Kloss (a Hailee também é BFF delas) num vestido lilás, vai uma diferença bem grande. E estão a ver? Lá estão os tais ombros à mostra com o bocadinho de manga a tapar o antebraço. Deve dar um trabalho a vestir!… Mas já viram que tirando duas diferenças, as MAMAOLHO estão de igual? Tirando os decotes e o solto vs. apanhado do cabelo, vão de gémeas. A Anna Kendrick não deve é ter levado isto muito a bem, até porque a Hailee tinha pestanas nos olhos das mamas e a Anna não.

AS BOCEJO

Ora aqui estão dois exemplos de duas miúdas super giras, com dois vestidos super giros, mas a quem lhes correu tudo mal.
O que é que te aconteceu, Emma Stone, filha, que és sempre tão gira e divertida e foste para um vestido que não lembra a ninguém? Nudezinho cor de rosa com aplicações brilhantes e sem costas e com um decotezinho e com uma gargantilha e o cabelo blé? Nem gasto mais linhas contigo.
Já a amiga Felicity Jones, coitada, também sempre tão gira, escolheu um Gucci tão bom e tão divertido, que é uma mestria ter conseguiu torná-lo num bocejo de cair para o lado e adormecer imediatamente, qual narcoléptico. Com uma cor tão boa, um trabalhado tão lindo, e essa franja? E essa cara de que toda a gente lhe deve e ninguém lhe paga (estilo Anna Kendrick em 2010 meets Anne Hathaway em 2013) também não ajuda nada, muito menos o cabelo, aliás, a franja gorda de risca ao meio super revivalismo do rock dos anos zero. Pá, xau ou como dar cabo de uma peça Gucci.
Até nem me vou demorar mais aqui, porque até me está a fazer impressão só de olhar.

AS CLAP CLAP CLAP – APLAUSO DE PÉ

Pronto, é assim que se faz: vai-se a uma coisa destas e leva-se um vestido que é, em si, toda uma afirmação e pronto. Põem-se de lado aquelas preocupações género ai, será que vou bem? e prego a fundo.
A Olivia Culpo é aquele emoji que são duas mãos abertas no ar numa espécie de reverência com uns triângulos por cima. WOW. Está divina, óptima, fantástica. Tem um vestido que é uma salada, um cabelo que é a versão em bom do cabelo da Sarah Jessica (ainda me está atravessada, coitada…), um smoky eye – finalmente – noutro tom que não em preto total, um batom que é uma coisa que se vê e que fica ali bem, as unhas pintadas e um anel no dedo indicador! É a única que, tendo ali um vestido com informação que nunca mais acaba, consegue entender que pode levar jóias, porque nos bordados, a coisa com as jóias, funciona! A clutch ia para o mesmo saco do lixo que as outras clutches, mas isso sou eu, que hoje estou numa de embirrar com as clutches. Muito bem a atitude da pose, muito bem tudo. ENORME, Olivia!
Depois temos esta amiga, que é como diria a minha Avó: põe aqui os olhos! Querem estar na red carpet com um ar aborrecido? Copiem sempre a Riley Keogh. Façam da sua aparição nos Golden Globes 2017 o cânone, porque ela sim, sabe. Além de que soube escolher o vestido para estar aborrecida: um Chanel art deco geométrico roaring twenties é a melhor escolha para o mood podia estar aqui como podia estar a comer cachorros na lanchonete da frente. Não há nada como Chanel para se poder fazer cara de frete e sair vencedora. O Karl anda há anos a explicar isso (desde o 11 de Setembro) nos seus desfiles cada vez mais it e jovens e cool, mas parece que ninguém lhe presta atenção, porque ainda anda tudo atrás daquela ideia do glamour e das princesas. Basta ver que a Cara é a cara da Chanel e que não há ninguém mais cool/não estou para fazer fretes que ela neste universo das celebridades. Voltando à Riley, o cabelo está lindo e apanhado numa coisa assim que não é jovem nem velha, o batom fica perfeito a fazer o rise up de tudo, o smoky eye moderado denota classe e perfeita aquisição dos conhecimentos e da matéria dada, a ausência de clutch é perfeita e torna tudo genial. Só seria mais perfeito e genial ainda se a clutch fosse uma daquelas peças irónicas da Chanel, mas pronto, não se pode ter tudo. A ausência de cor nas unhas é um detalhe com repercussões galácticas!

AS QUE PERDERAM A CABEÇA

A Chrissy Teigen até me deu pena quando a vi, coitadinha, porque é provavelmente a celebridade com mais piada que anda por aí no universo das celebridades, mas depois… isto. Não tem perdão. Não há sentido de humor que desculpe um peplum brilhante em acobreados de renda. Mais o cabelo, mais o tijolinho na mão. Pá, Chrissy, não dá. Até vou passar à frente porque me dá mesmo mesmo pena.
Logo a seguir, Sofia Vergara e Nicole Kidman, ambas com o tal detalhe do ombro que eu vos disse que foi o fio condutor da noite, hein? Mas comecemos pela Sofia, que normalmente vai espampanante, mas não em errado. Esta red carpet saiu-lhe muito mal, em brilho rendado e transparências, com o cabelo em rabo de cavalo. Ganha muitos pontos pela ausência de jóias, mas depois ao nível das ausências, perde na ausência de maquilhagem que ajude ali a puxar pelo look. Não lhe saiu mesmo nada bem, mas pronto, é como a Sarah Jessica, está vagamente desculpada porque já teve muitas vezes em que foi bem.
Depois a Nicole, coitada, que não percebi. Está assim de Sereia do Cabaré, mas é só. Ali a parte de cima do vestido é o cabaré, a de baixo é a sereia. Aqueles braços não sei bem, e pronto. Ao nível do cabelo e da maquilhagem, a Nicole Kidman está sempre igual, varia entre este look e um lambido às ondas soltas, mas é sempre a mesma coisa. Nada a acrescentar.
Na linha de baixo, temos a evolução dos desastres em comprimentos, a começar com a Janelle Monaé em Pierrot Invertido com o subtexto quero lá saber o que vocês pensam, eu estou a divar. A expressão lembra muito a Luciana Abreu pós-Floribela ou uma patinadora no fim do esquema antes de receber a pontuação do júri, e isso é muito inédito numa red carpet, pelo que, pontos. Porque para usar isto, só mesmo assim.
Surge a Kerry Washington em Dolce & Gabanna modelo anti-tropeção versátil: daqui está pronta para ir ao pão a tempo de chegar a casa e ainda fazer um bom pequeno-almoço para quem pegar no batente agora às oito de segunda-feira e tiver de ir apanhar o transporte. Os meus parabéns ao tom de batom escolhido, que não faz sentido absolutamente nenhum, gótica?, e às mãozinhas abertas sobre as ancas, ali pousadas, tão honestas, que parecem um soneto do Camões. Também gostava muito de saudar quem lhe tratou do alisamento capilar (passem-me o contacto, para o dia em que precisar de um alisamento, parece uma boa referência) e a mama espalmada no corset rendado. NOT. Em miúdas tão lindas isto são crimes.
Por último nesta categoria, a mona maior desta secção é a Michelle Williams, que tem tudo: o tal corte dos ombros, o modelito MAMAOLHO, a maquilhagem apagadinha, o cabelo lambido, a clutch para o lixo, a cara de frete e o vestido que é a minha definição preferida do Salão Neurótico: apartamento arrendado. O toque de mestre é mesmo o lacinho ao pescoço, que faz ali a diferença total.

CREDO!

Na categoria CREDO, que é a do maior susto provocado por alguém na red carpet, Jessica Biel. Não se pode dizer que a Jessica seja uma miúda brutal ou incrível ou cheia de personalidade, porque ninguém se lembra nunca da Jessica Biel a não ser ao nível do desastre na red carpet. Desta vez, porém, excedeu-se e superou todos os limites que alguma vez impôs. É tudo. Mas o vestido, os meus parabéns ao Elie Saab, porque é um horror pegado. Duas tirinhas pretas a cobrir a mama, muito bem, porque a mama é recatada e do lar, mais um cinto (?!?!?!??!?!?!), mais uma saia que é um pano aberto com muita roda e uma racha ao centro, num tecido que parece tweed, o que baralha imenso ao nível da cerimónia, mais umas aplicações de flores com os aspectos mais mortiços da vida, nas cores mais mortiças da vida, e – esperem, está ali um cachinho de uvas?!?!? São motivos outonais? AAAAAAAAARRRRGGGGHHHH! Lá surge o cabelo lambido e a maquilhagem normalita, o sorriso amarelo e o batomzinho só para dar uma hidrataçãozinha aos lábios, que secam muito nestas coisas – AI FILHAS, MORTAL. O sapato é o nada em cima do bolo, não é mais que o preenchimento de uma necessidade, porque a não ser que se seja o Ney Matogrosso ou a Gisela João, ninguém anda descalço, e as jóias foram super escolhidas ao acaso.

Aos portantos, a red carpet dos Golden Globes, resume-se assim: estamx mlhorx nx em casa de pijama nas mantas, fita na cabeça depois de lavar a cara e espremer borbulhas até à cratera, com os pontos brancos do Cicalfate ou da pasta de dentes para ver se secam até amanhã antes de entrar ao serviço, que 99% das lyndas que têm muito mais fundo de maneio c’ágente e que saíram de casa num Domingo à noite para fazerem estas figuras.
Os pontos altos da noite foram os ombros à mostra com os antebraços tapados, o triunfo do modelo MAMAOLHO e o aborrecimento que são es escolhas seguras desta gente.
Concluo que deviam, agora já a tempo dos Óscares, contratar alguém para andar com um saco preto do lixo grande, daqueles de 100lt, a recolher tudo quanto é clutch das mãos das lyndas. Concluo ainda que ninguém sabe quem é a Olympia Le Tan, e isso é triste.

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