Trashédia

YOU WILL BE HAPPIER WITH LOWER STANDARDS

A BÍBLIA DO FASHION BLOGGING – TOMA 2 IN DA CITY

Porque o Fashion Blogging não começa e termina ali naquele local das poses nas imediações de casa, Blogger que é Blogger quando tem perfeitamente dominada a arte de bem posar, arrisca-se em voos mais altos.
Toma de assalto o que de mais maravilhoso as redondezas lhe oferecem, e vai.
Hoje divido este post em duas partes, diria eu, uma primeira que é sobre a ideia de aproveitamento da arquitectira da urbe, do mobiliário urbano e até mesmo de uma coisa muito mais interessante, que é a própria morfologia do território, a segunda, que tem como objectivo demonstrar a excelente articulação dos conhecimentos adquiridos nas lições anteriores, através de um exemplo básico replicável em inúmeros contextos.

É preciso saber de antemão que o sucesso da Blogger é proporcional à mestria com que domina determinadas técnicas e que a Blogger deve ter consciência, como se da telescola isto se tratasse, que é apenas quando já está preparada que pode avançar para os níveis seguintes. A Blogger nunca quer dar barraca ou fazer má figura, pelo que não corre riscos desnecessários.


PRIMEIRA PARTE – UTILIZAÇÃO DO ESPAÇO, MORFOLOGIA E MOBILIÁRIO DA URBE 

No caso da cidade de Lisboa, há pelo menos duas Bloggers de quem me recordo que canonizaram perfeitamente a utilização dos elementos descritos nesta primeira parte da utilização do espaço, morfologia e mobiliário disponíveis na urbe. Falo-vos da incontornável Ana Garcia Martins e da Blogger de Lifestyle, Sancha Trindade.
No caso de Ana Garcia Martins, é perfeitamente incontornável a utilização da inclinação da Calçada do Sacramento, ali ao Chiado, a seu favor, posicionando-se sempre de costas para o Largo do Carmo, face voltada para a Rua Garret. O que é que este posicionamento fazia por si? Simples: o ângulo em que eram fotografados os hoje deu-me para isto (nome próprio para #ootd) favoreciam a percepção da sua altura, consequentemente o comprimento das suas pernas, logo, a sua silhueta. Ao ser fotografada de baixo para cima, ou seja, tirando partido de um plano particularmente inclinado, Ana Garcia Martins mostrou como de forma simples se pode tirar partido da morfologia de uma cidade (a favor da sua própria morfologia) que, como Lisboa, tem sete colinas e é toda a subir e a descer. Este plano também favorece a percepção e colocação do pescoço, logo da cabeça, uma vez que, ao ser necessário baixar o queixo mais do que o habitual se estivermos numa planície, é possível fazer o alongamento da coluna e falsear uma posição ainda mais favorecedora, evidentemente desculpável por causa da inclinação da rua.
Outra forma de tirar partido do que é o mobiliário urbano (bancos, anfiteatros, instalações artísticas, fontes, repuxos…) chegou-me há já vários anos através de Sancha Trindade, que vi fotografada dentro de uma das fontes do Rossio, mais concretamente aquela que está mais próxima do Teatro Nacional. Nessa sessão fotográfica, Sancha surge dentro da fonte, em clara referência à mítica cena do “La Dolce Vita”, de Fellini, em que Anita Ekberg se banha na Fontana di Trevi em Roma, Itália. Este pode talvez ser um exemplo extremo, mas vem-me à memória sempre que penso em Bloggers a utilizar o espaço urbano a seu favor. Foram imagens fortes que me ficaram na memória.

No meu caso, porque decidi fotografar isto naqueles três dias em que esteve frio neste Inverno, servi-me apenas de um cliché do espaço para emular estas poses: escadas.
Sendo Lisboa a cidade das sete colinas e tendo escadas em vez de ruas a pique ou terraplanagens para planos direitos, achei que seria muito interessante praticar as várias poses que as escadas proporcionam.

PÉ PENDÃO

Não tenho a mão na cintura, porque nas grávidas as cinturas são perímetros dianteiros. A expressão está também péssima, pouco fierce, e o pé que está assente deveria estar com o calcanhar fora do chão, já que estou de rasos. Mas era impossível equilibrar o peso.

O PÉ PENDÃO:
Nesta primeira imagem, podemos ver-me a praticar mais um pé, o pé pendão, numa pose em que há, de facto, um pouco do que verificámos com Ana Garcia Martins, e um pouco do que aprendemos na Toma 1. Uma postura de claro alongamento das pernas, uma mão na cintura a determinar inequivocamente a sua altura, um calcanhar ligeiramente levantado e um pé pendão, que mostra simultaneamente o sapato e proporciona a tal ideia de alongamento da figura. Tudo, claro está, coadjuvado pela impossibilidade da modelo se fazer fotografar do mesmo plano, uma vez que estamos numas escadas. O fotógrafo (eternamente grata, meu amado Marido) desce, a modelo sobe, alonga, estica. A modelo ganha. Perdão, A Blogger. Outra das coisas que há que ter em conta num retrato destes é, sem dúvida ou margem para qualquer engano, a posição da cabeça. De ladecos ou não, a cabeça tem de crescer pelo extremo da coluna, pela ligação entre a coluna e a base do crâneo (tantos anos de dança contemporânea, meu Deus!… se os Mestres me lessem!… ficariam a saber!… o que faço com o que aprendi…), como se estivesse a ser puxada por um cabo invisível, género teatro de marionetas. O posicionamento da cabeça fará com que toda a figura beneficie de uma imagem mais esbelta, elegante e alongada. O queixo desce ligeiramente, o olhar é mais facilmente direccionado para a objectiva (peçam sempre uma 50 com o fundo em desfoque), e a expressão ganha poderio. Esta imagem de baixo para cima é muito afirmativa e serve para dizer (com sotaque de português do Brasil, porque só assim faz sentido) CHEGUEI [à cidade]. Esta forma de posicionar a cabeça também defende muito quem tem duplo queixo, por exemplo, ou ainda não se rendeu ao fitness e ao well being.

MODELO DOMÉSTICA: Outra das formas de utilizar escadas é quebrando as barreiras dos clássicos e entrando numa coisa que nunca percebi muito bem, mas que se usa muito, que é a foto sentada no chão, com as pernas entrecruzadas, com os pés a apontar em sentidos absurdos, numa posição que me deu umas cãibras do demónio, devo confessar. É uma coisa super Seaside e Cavalinho, muito estranha, mas que pelos vistos resulta. Valem as expressões de olhos fechados, de prazer, pensativas e de tranquilidade. É uma pose muito comum também em passeios, por exemplo. Neste caso convém que o fotógrafo fotografe de cima ou em ângulos muito menos convencionais (?!), para que se dê novamente a tal ilusão de óptica das pernas compridas. Esta posição, apesar de comum entre as Bloggers, é estranhíssima e pode causar momentos menos felizes, como me causou a mim, tão grávida e tão pouco graciosa no domínio desta arte. É óptima para mostrar versatilidade, cabelo, unhas e detalhes. É utilizada para esses fins, esta pose. A expressão facial mais comum é a de prazer.

SEGUNDA PARTE: ELABORAR UM TRABALHO A PARTIR OS CONHECIMENTOS APREENDIDOS (de preferência com aproveitamento para passar ao módulo seguinte)

É importante sedimentar conhecimentos e prosseguir na aventura do Fashion Blogging, pelo que a Blogger, na sua busca incessante pelo conhecimento e pela sua partilha, vai querer descobrir o que de melhor existe no mundo para partilhar com os seus seguidores. A Blogger deixa de ser uma cidadã potencialmente alienada e kafkiana, fruto de uma vida automatizada pelos fenómenos massificados a que está sujeita, para passar a ser um membro activo numa nova comunidade que passa a dominar e influenciar. Dentro de pouco tempo será digital influencer, mas isso fica para as próximas lições.
A Blogger começa então a pesquisar e descobre (porque a Blogger está permanentemente em reperage) um local mágico, secreto e encantado na cidade, que ainda por cima é de grátis. A Blogger vai e fotografa qualquer coisa ali, porque é essencial partilhar este segredo. Existe, bem enraízado na Blogger, uma vontade secreta de ser vista e encontrada nos locais que partilha com os seus seguidores, em busca de um qualquer reconhecimento público, da admiração pelo seu trabalho. A Blogger é uma estrela em potência, e é imprescindível a quem quer tornar-se Blogger, ter esta ideia da fama em conta. Ser famoso não é uma contingência, mas uma necessidade. São famas distintas.

Os locais mais comuns para as Bloggers que se atiram para fora de pé são os miradouros. Rúnem um conjunto de características fantástico: têm sempre luz, horas com pouca gente, uma vista, não são encafuados e dão para mostrar a imensidão simbólica do horizonte que a própria Blogger partilha com o mundo. A Blogger apresenta-se na sua plataforma web pronta para conquistar o mundo.

Para estas sessões em locais emblemáticos e nobres como os miradouros, a Blogger opta sempre por expressões de contentamento e satisfação, felicidade plácida, tomada de consciência da dádiva que é viver em Luzboa (nome que se escreve muitas vezes para designar Lisboa utilizando um trocadilho com a abundante luminosidade da cidade), prazer pelo que é tão poético e gratuito, gratidão por se viver numa das cidades mais procuradas na actualidade para a prática de turismo (maioritariamente low cost, porque Blogger que é Blogger também aprecia – e muito – uma pechincha ou outra). Os cabelos das Bloggers funcionam muito bem neste tipo de retrato, porque os cabelos são uma grande muleta emuladora de sensualidade, romantismo, emoção e satisfação, para enumerar apenas algumas coisas possíveis através do cabelo. Neste caso estou tramada, porque me falta o cabelo. Mas acho que dá para entender. Essencial sempre nestes retratos, é abrir o mais possível os braços. Porquê? Porque é uma postura que revela à partida disponibilidade para apreender o universo circundante. É essencial ter uma linguagem corporal de abertura e disponibilidade, se se trata de dar a conhecer ao público um local/experiência libertadora, de harmonia, paz ou tranquilidade. Outra postura que resulta imenso, com os cabelos, é a mão nos cabelos. Pousada, pensadora, elegante.

Também é muito importante e essencial ter em conta que este é o primeiro post de lifestyle da vida de uma Blogger, mesmo que esta não se preste a descrever a experiência. O seu posicionamento no local, a linguagem corporal e as expressões enviam uma mensagem clara no esquema de comunicação.

Como mantive o mesmo coordenado, tomei a liberdade de copiar a minha própria legenda da Toma 1:
Camivestido Bimba Y Lola velhíssimo, mas que ainda serve, que eu estou grávida | calças não sei de onde, velhíssimas, em lã com padrão pied de poule que fazem sempre batimento no ecrã, que não apertam, mas não se vê | Pea Coat velhíssimo Zadig & Voltaire | peúgas Happy Socks | botas Balenciaga | carteira Goyard

Os retratos são do meu maravilhoso Marido, quem a dada altura já me odiava um pouco mas com muito Amor!

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