Trashédia

YOU WILL BE HAPPIER WITH LOWER STANDARDS

A MI MANERA – J-Lo!

Dia de Reis, a Camille Paglia, que de resto há uns vinte anos que não dá uma pr’á caixa, teve a audácia de dizer que tanto a Madonna como a J-Lo faziam figuras tristes porque estavam velhas e se comportavam como adolescentes, coisas que não serão para aquela idade. Não o terá dito assim, porque isso estaria completamente fora dos limites do discurso cuidado digno de uma académica como ainda é vista. Na primeira frase deste texto, lá no nome dela, está o link para o artigo, por isso podem ler. É todo um ensaio acerca do envelhecimento da estrela pop, cujo único highlight bem feito é o Sunset Boulevard, em que Billy Wilder imortaliza a incrível Gloria Swanson over her life in the pictures and her decay – course, filme exemplo que de resto completará 67 anos de vida este ano, mais nove que os da vida de um dos sujeitos mais atacados no referido artigo, Madonna.
Este artigo e a comoção seguinte deram-me um bocadinho de medo pelo carácter perigoso que é habitual no discurso de Paglia, e após estas afirmações houve quem perguntasse who da fuck is Camille Paglia, ao que respondi que a Camille Paglia é assim muito resumidamente uma teórica que teve alguma graça até 1996. Depois saiu o “Feijão com Arroz” da Daniela Mercury e ela perdeu o pouquíssimo tino que tinha. Para mais informações, é ir à Wikipedia.

Por muito que me custe e que vos custe, nunca fiz o click com a Madonna. Ao contrário de Paglia, que amou profundamente Madonna. Apesar de saber perfeitamente qual a importância histórica da figura da Madonna e de também ter vertido aquela lágrima quando vi o excerto do vídeo dela a receber o prémio Billboard Women in Music, em que dizia que o problema dela era ter-se mantido sempre no activo. A Madonna tornou-se um símbolo de resistência tornado, à entrada dos anos zero, na época pós-Frozen, normativo, e acho que é por isso que nunca fiz o tal click com a Madonna, apesar de reconhecer e beneficiar de muito do que fez pela indústria pop.

No outro dia estava a falar com alguém, já não me lembro quem, e falámos do último single da J-Lo, o Ain’t your Mamma.

Se ela não andasse sempre com gajos de 20 anos poupava-se a esta canção, não era?
Acho que prefiro poupar o esforço para me lembrar com quem é que conversava sobre o single, porque por muita piada que isto possa ter, não é um comentário nada fixe. Até porque pressupõe tantos níveis de coisas erradas à entrada de 2017 que me parece mesmo muito mal. Pressupõe que uma Mulher de cinquenta não pode andar com homem de vinte, e pressupõe ainda que é desculpável/aceitável que um homem de vinte não saiba acautelar as suas necessidades domésticas, ainda que esteja inserido num ambiente onde isso é partilhado. Tudo o que está implícito na “piada” é só deprimente e nem me vou alargar.

E depois pensei que a J-Lo está para os anos zero e dez como a La Lupe esteve para os sessenta e os setenta. E se por vezes estas afirmações parecem bojardas lançadas com o simples intuito de provocar a audiência, não o são.
Em ambos os contextos, tanto La Lupe como J-Lo são estrelas latinas num mercado predominantemente caucasian friendly, que é o norte americano. La Lupe foi a primeira mulher (latina ou não latina) a ser dona de uma editora discográfica, a Fania Records, J-Lo é a latina mais influente no território norte americano desde La Lupe, sendo a primeira artista do mundo a conseguir estrear um filme e um single lideres de tops, na mesma semana.

No contexto mundial, a J-Lo é capaz de ser menos influente que Madonna, é possível até que possa achar-se que é menos relevante, mas pronto, isso são opiniões. No contexto minoritário, é óbvio que a J-Lo é muito inferior em fama ou recordes que a Madonna, e é por isso que penso sempre que a J-Lo nunca recebeu as ovações necessárias à relevância do seu papel para a comunidade latina nos EUA.

Eu hoje, aqui, a única coisa que quero é que sigam comigo esta listinha que começa em 1999, e que vejam o que é que a J-Lo nos tem ensinado, antes das outras:

LE BOOTY * A J-Lo foi a primeira, em 1997 (pelo menos uns quinze anos antes do triunfo generalizado do booty), em plena era do triunfo das magras, a dizer assim: amygx, a minha herança latina está aqui no meu booty e não vou fazer um único esforço por mandar o meu booty embora. De tal forma que o booty da J-Lo continua aqui de pedra e cal e até teve um som feat. Iggy Azalea há dois anos. Shakin’ das ass. Com óleos e tudo. Aqui J-Lo em 1997, na estreia do biopic Selena.1997jlobooty
EL WET LOOK *  No capítulo makeup, a J-Lo tem mais conquistas que a família Kardashan-Jenner inteira: a sombra de uma só cor nas pálpebras móvel e fixa, num belíssimo leque, sem medos, o wet look na maquilhagem proporcionado pelo uso excessivo de iluminador, o wet look capilar, o wet look corporal, numa clara forma de sublinhar que tudo o que é latinidad são danças e tudo o que são danças é pegadito suavecito com suor e que o suor é bom sinal;

EL BABY HAIR * é assim, ninguém defendeu mais o baby hair do que a J-Lo. Nunca ninguém abraçou melhor uma das coisas que mais preocupa as miúdas que têm cabelo para fazer um penteado repuxado para trás que aqueles cabelinhos que fazem a moldura do rosto e que estão sempre a crescer, do que a J-Lo. Inclusivamente há vídeos dela, no lançamento de um produto qualquer, a dizer que deixasse o baby hair. A própria Tyra dz que ama o baby hair e que esse é um conceito J-Lo. LOS BIRLLOS * Não sabia se haveria de por os brilhos ou o wet look primeiro, mas pronto, ficou assim. Depois do wet look, a J-Lo foi a primeira a desbloquear os outfits patinagem artística meet cristais Swarovsky de sempre. Foi a J-Lo. Ela é que começou a cena do cristal e das maquilhagens com cristais e do iluminador no canto interior do olho. Foi ELA.

LOS BIRLLOS * Não sabia se haveria de por os brilhos ou o wet look primeiro, mas pronto, ficou assim. Depois do wet look, a J-Lo foi a primeira a desbloquear os outfits patinagem artística meet cristais Swarovsky de sempre. Foi a J-Lo. Ela é que começou a cena do cristal e das maquilhagens com cristais e do iluminador no canto interior do olho. Foi ELA.

 

CHOLA * Nunca ninguém se debruçou verdadeiramente sobre qual a verdadeira origem, mas o look chola é uma coisa muito LA e está associado a uma realidade de gangue latino feminino, porque a violência e a afirmação não são exclusivas do macho. Que se saiba, não há assim nenhuma Chola que tenha chegado a um lugar de hiper destaque, porque no ranking das minorias nos EUA, os latinos estão muito pior classificados que os afro americanos, pelo que o look chola a ser cool antes do tempo (o tempo é quando a Lady Gaga fez o vídeo do Judas, prá i), só o poderia ter sido pela mão da super latina J-Lo, nos Mtv Awards do ano dois mil;
chola
EL Y2K * É o ano do vestido dos Grammy Awards, é o ano do Waiting for Tonight ou de Una Noche Más e é o ano do look chola; é muito provável que tenha sido um dos anos mais importantes para as red carpets minoritárias; os anos zero são também os anos em que as barrigas normais e não as barrigas do abdominal-tanque-de-lavara-roupa;Jennifer-Lopez-Grammys-2000-Versace-Dress
ESTOY EMBARAZADA! * A J-Lo fo a primeira a fazer duas coisas (toma lá Camille, esta é para ti, mesmo nos rins): a ter filhos com um gajo da idade dela e do universo do showbizz e a estar grávida incrível na red carpet, sempre em flattering;jlopregnant
ACTRIZ Y CANTANTE * o big break da J-Lo foi em 1997, com o Biopic Selena.

portanto sim, o artigo da Camille Paglia, 

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