Trashédia

YOU WILL BE HAPPIER WITH LOWER STANDARDS

ALEXANDRA MOURA MODALISBOA VISION

Não fosse a educação católica apostólica romana e estaria muito menos agoirada. Mas como é, olhem, é sistematizar, racionalizar, e prontos!
Olá, o meu nome é Joana Barrios e sou a pior blogger oficial da ModaLisboa.
Posto isto, começamos.
Uma vez que a ModaLisboa é uma associação que exerce actividade durante todo o ano, parece-me um pouco absurdo que apenas se fale dela e se lhe faça referência umas vezes de vez em quando, por alturas dos desfiles e das afluências ali ao Terreiro do Paço.
Acho mal, mas faço o mesmo.

Este ano, embora tenha sido convidada a estar presente no maior número de desfiles possível e com as regalias que implica ter um passe de imprensa, devido ao facto de blogger e actriz não serem actividades muito compatíveis, vi um desfile. UM! A avaliar pelas outras edições, tive imensa sorte em ver um desfile, porque normalmente não consigo ver nenhum…!
Na aplicação de iPhone, cujos updates são maravilhosos e infalíveis, consegui manter-me a par de mais de metade do que ia acontecendo no Terreiro do Paço, enquanto estava ali mais acima, no Rossio.

Uma das coisas que me pareceu muito interessante nesta edição, foi a tomada de consciência evidente, por parte dos criadores, de que o consumidor é cada vez mais um indivíduo com necessidades comuns, mas um espírito mais individual. Será? Soa-me sempre a paternalismo emitir este género de sentenças.

O grande destaque do primeiro dia, daquilo que é o que me interessa na Moda, ALEXANDRA MOURA.
Com uma colecção altamente conceptual, muito fortemente defendida e autosuficiente, esta foi para mim a colecção mais próxima do público que consome moda do primeiro dia de desfiles. Óptima escolha de tons e silhuetas, bons acessórios e enorme inteligência na escolha do destaque de autor (para mim, as cabeças, que são aquilo que é de cada indivíduo, e que o indivíduo pode ornamentar, após a compra da colecção, como quiser; maquilhagem, cabelos e chapéus – WOW!) o qual reforça a ideia original que serviu de mote à colecção, a tribo da península de Hadramaut, no Yemen, e o minimalismo característico da obra do artista plástico Pires Vieira. Repetição de padrões e escolha certeira de cores para as variações pontuais da base, que seria o preto. Calçar mulheres com sapatos rasos – MUITO OBRIGADA!!! E que maravilha maravilhosa, essa de escolher uma tribo do deserto como ponto de partida e de lhes aplicar o que o zeitgeist proporciona: desert boots! Outro ponto alto foi a escolha de sapatos de salto alto para alguns coordenados, pontuais, em que a silhueta feminina poderia ficar comprometida. Os novos clássicos. Aquilo a que se poderá aplicar, finalmente, o termo urbano? Vestidos longos e colarinhos, estrutura e fluidez!!! NOTA MILH para o styling!!! Muito Excitante!!!
A minha conclusão? A Alexandra Moura sabe verdadeiramente criar aquilo que toda a gente deseja criar, sem esforço e de forma muito natural: it looks.
A compreensão do que o consumidor deseja, no tempo em que vive, na época em que está.




Fotos – Rui Vasco

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