Trashédia

YOU WILL BE HAPPIER WITH LOWER STANDARDS

Categoria CAPAZES

A POP THANG

Esta é uma pergunta que me fiz no outro dia enquanto escrevia um artigo sobre Victoria Beckham. Durante as minhas pesquisas dei por mim a ver o vídeo de “Wannabe”, de 1996, de resto o primeiro single das Spice Girls, e lembrei-me da letra da canção super powerful e da cena do “Girl Power” que elas repetiam a cada cinco minutos de fama. Em 1996, quando saíu “Wannabe”, eu tinha 10 anos e adorava as Spice Girls. Não brincava às Spice Girls, pelo que não era nenhuma

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Capaz de Dizer Sì!

Antes de sair da casa que a viu nascer, vestida com o fato de ceifeira que já vestira uma vez aos dezasseis, a minha Mãe estava gloriosa dentro do mesmo fato de ceifeira aos quarenta e três. Entre a minha Mãe do panfleto e a minha Mãe que estava à minha frente, a única diferença era o franzido dos olhos, porque já era lusco-fusco, e a fotografia de referência tinha sido tirada ao sol. Tínhamos combinado que depois do jantar, a minha Mãe viria buscar-me.

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Porque é que as Feministas Odeiam a Moda?

Deparo-me com esta questão muitíssimas vezes, de forma empírica, até que hoje, estava eu a fazer qualquer coisa muito pouco interessante, consegui materializar tudo aquilo que sou levada a pensar sempre que vejo o Feminismo confrontado com a Moda, numa só questão. É um facto irrevogável, este que dá o mote a este texto. Há uma fricção impossível de negar entre o Feminismo e a Moda, a qual pode até já ter feito algum sentido, mas que hoje em dia é absolutamente impossível de entender

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Pele de Galinha

A Moda é uma disciplina que precisa de ser pensada. Se não for aqui, onde é que a podemos pensar? Sim, porque – e Livrai-nos da questão do género, Senhor – a maioria dos espaços (editoriais, entenda-se) que se debruçam sobre Moda, fazem-no de forma contemplativa e puramente estética. Isso tem implicações sérias na forma como a Moda é encarada enquanto disciplina, e sobretudo na reflexão de que precisa para que possa passar a ser vista de outra forma. Enquanto pensava neste texto e na

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PEDI PAPER

Vi hoje no Bored Panda esta campanha puramente genial para a Terre Des Femmes, a organização de direitos Humanos suiça cujo enfoque recai sobre a igualdade de género. E lembrei-me desta história, que é muito provavelmente a única que vivi e que esteve directamente relacionada (?) com o comprimento dos meus calções. Depois dos meus Pais me terem dito que nunca mais eu me iria sentir constrangida por nenhuma afirmação (vestir é, essencialmente, afirmar), tomei as rédeas à coisa, e continuo a usar os mesmos

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Diva Divina

Não estava uma tarde de sol. Estava uma ventania desgraçada num daqueles dias de céu branco, que são húmidos e em que o frio se entranha nos ossos. O vento gelado entrava-me pelo casaco e por todas as camadas de roupa que trazia vestidas. Não levava gorro nem luvas. Tinha a cabeça gelada, como quando dói o couro cabeludo, sabem? E a camada espessa de batom do cieiro que tinha posto parecia ter secado ao fim de três minutos de rua. Mas como adoro andar

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MARIBEL

Já tinha este texto alinhavado quando o deixei para me dedicar à secção das Marias Capazes de Moda. Voltei a este texto porque estava muito insatisfeita com ele, por me parecer que era mais um igual ao das Lolas. E pus-me a pensar por que raio seria este texto igual ao das Lolas. Seria pelo conteúdo (mais uma história de um coração esmigalhado e um desejo de redenção)? Seria pela forma? Seria pela potencial realidade dos factos. Depois percebi porque é que este texto estava

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NA CARPETE DOS ÓSCARES

Que saudades da Joan Rivers!… Devido à polémica, ao caos instalado por agora na Maria Capaz haver uma secção de Moda, indigna de uma plataforma como esta, que agora mais parece uma revista cor-de-rosa-light-e-barra-ou-de-conteúdo-feminino (que, pelo que tenho vindo a apreender através dos comentários que me dão esta ideia, “feminino” é o antónimo de “feminista”, pelo que estes conteúdos são assim digamos que uma espécie de chaga de Cristo no núcleo do feminismo), foi-me pedido que o conteúdo sobre os Óscares incidisse nos bons looks.

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Las Lolas

No triplex com um terraço invejável num prédio no mínimo kitsch do Eixample Esquerra, em Barcelona, vivíamos eu, a Guada, a Maribel e a Susi. Entrava-se para o nosso apartamento por um átrio dividido em três escaleras. As paredes eram forradas num tecido adamascado em grená escuro e ao centro uma fonte de granito cor de rosa que em tempos deitou água dos seios da mulher roliça que lá estava sentada numa bilha. Uma floresta de plástico e muitos espelhos fumados de molduras douradas depois,

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Comunhão de Bens

A Luisinha tinha uma vida de sonho. Vivia no Alentejo, num casarão todo idealizado por ela e por uma amiga arquitecta a meio dos anos oitenta, tinha um trabalho de sonho, duas filhotas lindase um guarda-roupa de cortar a respiração. Em plena década de noventa, a Luisinha era um mulherão: excelente dona de casa, muito decidida, inteligente, com óptimo gosto e dona de uma cultura e saber-estar incríveis; lia e ia a exposições e tinha discos de vinil porque adorava música. Tinha em comum com

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