Trashédia

YOU WILL BE HAPPIER WITH LOWER STANDARDS

Categoria COOL*ABORAÇÕES

O Desmancha Prazeres

A pergunta ‘É para oferta?’ é mais traiçoeira do que aquelas mulheres que querem engravidar e deixam de tomar a pílula à revelia dos parceiros. desde que apareceram os sistemas informáticos que não permitem abrir registadoras sem efectuar um registo, que facturam cada compra para que ninguém fuja ao fisco e que empancam sempre nas alturas em que é preciso pagar e correr dali para fora por causa das trombas de quem temos ao lado, que apareceram os talões de oferta. sou até capaz de

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Sou da Internet

Se se pudesse (e por que não?) resumir dois mil e treze a uma palavra, escolheria ‘selfie’ como a palavra do ano, mas também como conceito e reflexão social. selfie é o acto de tirar um auto-retrato com uma câmara digital, no qual está sempre presente um braço esticado, que é precisamente o braço que segura a câmara. as selfies nasceram na internet e servem para alimentar perfis de redes sociais de forma independente; são a expressão máxima da individualidade do indivíduo, o acto masturbatório

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Lugar às Novas

Português que se preze gosta de tudo o que seja novidade. O problema do português é de origem demasiado remota e prende-se com uma única questão: a posse. Os efeitos da reminiscência da pobreza d’antes do 25/04, na sociedade portuguesa pós-contemporânea, agora: não se tinha (que é pior que sarna) para se passar a ter. tal como um menino guloso, o português tem mais olhos que barriga (o que, na verdade, está certo, porque o nosso corpo tem dois olhos para uma barriga, ‘né?) e

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O Meu Amigo Estrangeiro

A rainha das tendências de 2013 é ter um amigo estrangeiro a passar uns dias em Lisboa. Até já circula na internet uma petição para que ‘Passear o Amigo Estrangeiro’ se torne modalidade olímpica. seja qual for o motivo, segundo a previsão de desenvolvimento humano da zona euro, para 2013 está previsto que em portugal haja pelo menos um amigo estrangeiro per capita. quem ainda não tem, arranja facilmente um nas chegadas do aeroporto. na hierarquia da cena, quem não tem um amigo estrangeiro para

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Daisy Dukes – A tragédia

As maiores tragédias da contemporaneidade têm todas origem em revivalismos bem intencionados que depois terminam na lama. É o caso da peça de vestuário que mais nos dividiu este Verão: os Daisy Dukes, mais conhecidos como calções de ganga, shorts ou cut-offs. de dimensões aprovadas pela troika, esta é a peça capaz de causar as reacções mais viscerais: do trolha à mãe, ninguém lhe fica indiferente, e quem a usa, habilita-se!… califórnia. anos 60. flores no cabelo. o ‘pós’ e o ‘em guerra’. na década

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