Trashédia

YOU WILL BE HAPPIER WITH LOWER STANDARDS

ÉPOCA ALTA

Qual é o melhor dia para casar?, já cantava o Quim Barreiros!…

Uma leitora fiel perguntou-me se não me apeteceria escrever sobre casamentos do ponto de vista dela, que é mais ou menos o de quem já deve ter recebido um monte de convites e não tem toilettes suficientes!…
V., I feel ya! <3

Está a chegar esta altura do ano tramadíssima em que as amigas mais tradicionais decidem casar.
Tadicionais não porque sejam uma seca, mas tradicionais no sentido em que desejam um vestido de noiva e subir ao altar e ter os mais queridos todos reunidos nesse dia e essas coisas todas que fazem parte do ritual.
Faz parte do ritual as amigas da noiva terem um vestido e uns sapatos e uma carteira para a ocasião, mais um penteado e uma maquilhagem, e as unhas em bom estado e umas jóias.
E a lista nem sempre é fácil de combinar, porque são imensos elementos e as fotografias ficam para sempre…!

Bem vistas as coisas, quando a V. me lançou o desafio, percebi que tenho um conjunto de regras às quais obedeço quando chegam estes momentos difíceis das cerimónias, porque não tenho assim muitas, muito menos vou a tantas festas ou eventos que justifiquem investimentos substanciais em artilharia pesada. Como não sou lá grande fetichista de objectos e rejeito toda e qualquer hipótese de me sujeitar a sofrer por causa de uns saltos muito altos, ou assim, confesso que não devo ser a melhor pessoa a dar conselhos neste sentido, mas cá vai:

0. PLANEAR: Ok, isto pode parecer zero Moda e só um artigo de contenção de custos, mas não é; é apenas um artigo sobre consciência de consumo e maximização de recursos, duas das minhas obsessões. Planear é muito importante no processo de escolha do que são os nossos investimentos para qualquer ocasião, mas no caso deste género de planeamento de eventos, isto passa de muito importante a essencial. E planear não passa apenas pelo planeamento de gastos, passa também pela noção clara do que é que, por exemplo, temos no nosso armário e que pode ser utilizado em várias ocasiões, etc. Isto se tivermos as coisas organizadas nesse sentido!… Se não tivermos, antes de tomar qualquer decisão no sentido da compra, devemos mesmo pensar em dar uma valente volta a tudo o que temos guardado e perceber se há hipótese de reciclar alguma coisa e, caso haja, pensar então no que é que precisamos comprar!

1. STICK TO THE PLAN: Como já disse, a estratégia é a parte mais importante, por isso o que faço sempre que acho que preciso de uma indumentária nova é avaliar primeiro a necessidade real de comprar um vestido. Depois defino o meu orçamento e planeio uma ligeira derrapagem no dito cujo (se até o pessoal que está sentado em São Bento faz isso, porque é que eu não hei-de fazer?) para depois não ter surpresas. Faço primeiro uma pesquisa online, selecciono, e só depois é que parto para o martírio que é experimentar roupa em provadores. Se possível, leva-se sempre o que já se tem para testar a verdadeira eficácia das combinações virtuais! Como há muitas lojas que não aceitam trocas ou devoluções, esta é mesmo uma fórmula testada e aprovada!

2. LESS IS MORE: Ora bem, é importante ter um vestido, verdade, mas o mais importante é escolher um vestido que tenha mais do que uma vida, que tenha género as sete vidas de um gato, pelo menos. Para quê comprar um vestido que só vai ser usado uma vez? O que faço sempre que sinto que preciso de um vestido para uma ocasião é tentar encontrar uma solução que seja versátil (que funcione com uns ténis e no dia a dia ou com uns saltos, numa ocasião especial), que dure e que, acima de tudo, não seja uma sensação do momento, muito datada. Sei que ninguém quer estar fora de Moda num certame destes, mas o pior mesmo seria estar fora de Moda no contexto individual, pelo que a minha escolha recai invariavelmente num clássico intemporal, que não é necessariamente um mau conceito.

3. MAS… ONDE?!?! Dependendo do orçamento, a loja onde vamos comprar. Sim ou não? NIM. Nem sim, nem não. E porquê? Porque já comprei uma saia Prada pelo preço de uma T-shirt básica da Primark nos saldos do Outlet da Fashion Clinic, por exemplo. Pelo que deduzo que não existe nenhuma espécie de linearidade nos preços de nada. A vantagem de escolher primeiro online é precisamente a poupança de tempo. Mas nem sempre as lojas têm essa opção… As multinacionais são óptimas nesse aspecto e a escolha já vai sendo muito abrangente. Para estas coisas, visitar uma Zara, uma H&M, uma Üterque, uma Mango ou uma Bimba & Lola são boas opções. Depois é muito conveniente, caso a pesquisa tenha dado bons resultados, visitar as lojas físicas nas áreas circundantes…! O Outlet da Stivalli é maravilhoso e o da Fashion Clinic também, e estão mesmo ao lado de locais para boas compras! Porque é que valem a pena? Porque no fundo no fundo, têm preços que podem encaixar-se nos orçamentos das pessoas reais.

cheryenneIROVestido preto de manga comprida com detalhe nas costas, IRO na Fátima Mendes.
uterqueVestido comprido azul, com detalhe de nó nas costas, Üterque.

zaraVestido preto de alça dupla, na ZARA.

4. ACESSÓRIOS Pronto, as grandes derrapagens de orçamento vão quase sempre para o lado dos acessórios. Já vi muito boa gente sair de casa para comprar um vestido e uns sapatos para um casamento e voltar só com uma carteira que deu cabo do orçamento todo, mas que foi um investimento, blá blá blá!… É super importante ter em conta que, mesmo com uma quantia destinada a gastar, o ideal é comprar coisas que tenham várias vidas. Por isso a escolha dos acessórios deve ser cuidada e o mais neutra possível. E o mais exclusiva, também. Porque quando não se tem orçamento para uma clutch Olympia Le Tan, convém comprar uma assim a atirar mais para o clássico em bons materiais, ou então assumir a chungaria de usar um necessaire de plástico de um euro da loja do Chinês (coisa que já fiz…!). Sou apologista de que tudo é possível, ok? O segredo dos acessórios é a velha máxima do keep it simple. E não, não é preciso levar tudo a condizer! Não há martírio maior para os olhos do que uns sapatos a condizer com uma carteira numa pessoa com menos de 120 anos de idade.

5. O LOOK Outro dos territórios pantanosos é o look. Se as pessoas costumam casar-se no tempo quente, já sabemos que com o calor, tudo descai e tudo derrete. Quer na maquilhagem, quer nos cabelos. Mas comecemos pelos cabelos. Pergunta: porque é que as pessoas decidem fazer um penteado novo para uma festa de um dia? E porque é que decidem fazê-lo no próprio dia, sem o testarem antes? Porque é que não decidem fazer um penteado novo para a vida real? Será que o quotidiano é menos especial que uma efeméride? O risco de uma manhã mal passada no cabeleireiro é muito real e desnecessário. Quanto mais natural e menos elaborado for o look do cabelo, melhor. Se sabemos tratar de nós no dia-a-dia ou para sair à noite, ou para um jantar, é óbvio que saberemos fazê-lo para um casamento. E não é por ser um casamento que tem de ser diferente. Pensem só nisto: acordar às sete da manhã para ir ao cabeleireiro para estar no casamento às quatro da tarde ou dormir até ao meio dia para estar no casamento às quatro da tarde e voltar de lá de madrugada com uma tola considerável? Adiante… Quantas vezes não vimos já aquelas fotografias em que o cabelo das convidadas é um amontoado de rolinhos de cabelo que parecem cagalhotos de carnaval? Quantas vezes não vimos já uns armados assim todos repuxados, tão carregados de laca que na parte de trás do apanhado devia aplicar-se num dos mil ganchos uma pequena etiqueta onde diz que é proibido fumar ou fumegar nas imediações? Chamo-lhes “Penteados Paiol”. Os”Penteados Paiol” também têm o sério problema de dar violentas dores de cabeça durante o copo de água, e ninguém quer uma enxaqueca durante o copo de água, porque o bar é aberto. Quanto à maquilhagem, a mesma coisa. Os casamentos são todos potencialmente no Verão ou durante o tempo quente, pelo que ninguém quer uma maquilhagem a derreter, pelo que não se deve, NUNCA, abusar da mesma. O uso de base é algo que me irrita profundamente e que detesto. Aliás, tem vindo a notar-se que cada vez menos se recorre ao uso de base, porque a pele começa a assumir-se um pouco mais em todo o tipo de eventos de Moda ou grandes Festas. Além de que a base precisa de pó para não brilhar, e na porcaria da pochette não cabem o telemóvel, as chaves, o cartão, a nota de 50€ e a caixinha do pó. Porque não cabe. E em última instância, abdica-se, sem sombra de dúvida, do pó. Se forem como eu, claro, quando preciso de usar base ou corrector de olheiras, tenho de ir comprar um novo, porque o que está ali na gaveta já passou do prazo!… Outra coisa a ter em conta é que um casamento requer um look um bocado menos trabalhado que uma saída à noite. Os olhos pretos, o smoky eye, as cinquenta sombras de violeta na pálpebra superior, e aquelas maquilhagens “profissionais” são do mais desadequado que há. Ninguém quer ir para um casamento e parecer que está numa produção de Moda dos anos oitenta. Não. O único sítio em que se pode e deve abusar, são as unhas, porque são um apontamento super divertido e facilmente transponível para a vida real. Uns olhos simples, de beauty look, são muito mais interessantes que uns olhos carregados e mais facilmente conjugáveis com um batom, que pode ser retocado em qualquer altura e é mil vezes mais prático (e também ajuda a identificar melhor o copo!…). A não ser que conheçam e confiem numa maquilhadora profissional, nunca se maquilhem no cabeleireiro: é a receita para o desastre. Uma das outras coisas importantes é sobre o blush: por favor, abandonem os laranjas e os tons terra… Alguém alguma vez corou em cor de laranja? Não. É o mesmo que as Virgens que choram sangue. Não existe. Esqueçam também o terra sun: a não ser que se tenham andado a esfregar na terra antes de ir para a cerimónia, ninguém tem a cara castanha só porque sim. Hidratem bem o que levam de fora (os decotes, os braços e as pernas) e não abusem nos óleos com brilhinhos como a Rita Pereira. Sabem aqueles comentários dos homens que dizem que nunca vos viram assim? Não são necessariamente sinónimos de coisa boa. E mais não digo.

CHANEL-at-Covent-Garden-Natural-Beach-MakeupBeauty Look proposto pela Chanel, por exemplo.
Wavy-Haircut-for-Thick-Hair-Medium-Length-Hairstyles-2015
Medium-Haircut-with-Blunt-Bangs-Medium-Length-Hairstyles-2015E
stes cabelos funcionam muito bem em qualquer ocasião e dão um look muito cool e casual. Tenho para mim que até eu conseguiria fazer qualquer coisa assim, em casa, só com água, sabão, pó de talco, um secador e alguma cera que esteja por aí perdida. Se bem que o YouTube é sempre uma boa fonte de recursos e este site também.

6. AGUENTA Para se aguentar um casamento, que no fundo no fundo, é uma performance duracional, é importante estarmos confortáveis, pelo que levar um par de ténis no carro nunca foi uma má ideia. Escolher um vestido confortável é também um excelente truque. Levar um agasalho porque a dada hora arrefece, é outra das coisas muito espertas de se fazer, e no carro não pesa. Para quem fuma, levem dois ou três maços, porque nos casamentos ninguém vende tabaco e cravar é muito feio. Quando saírem do casamento, roubem umas garrafas de água: o dia seguinte terá muito mais piedade de todos nós. Aproveitem também para comer as frutas todas que costumam estar a enfeitar o que há para comer: são frescas e ajudam na hidratação de que uma pessoa costuma precisar debaixo das tendas brancas. Têm açúcares naturais, muito mais óptimos para as eventuais quebras de açúcar que possam ocorrer. Não está nada mal deixar umas bolachinhas no carro para o caso de não nos agradar a ceia ou de se atrasarem a passar com os amuse-bouche enquanto esperamos pelos noivos que se perderam por aí algures a tirar fotografias em pose. (No meu caso, levo sempre farnel: Deus me livre passar fome, porque fico a pior pessoa do Universo.) 

7. IMPORTANTÍSSIMO Não falei disto antes porque gostava que fizesse parte das preocupações de todas, mas não faz, e a prova disso é precisamente quando vou a casamentos e a experiência empírica me diz o contrário, que a roupa interior mais parece roupa exterior. Meninas, tem de haver um cuidado muito especial e altissimamente redobrado com a escolha da roupa interior para certa roupa exterior. Depois de escolhido o vestido, por favor, experimentem-no com roupa interior como deve ser, que não se deixe ver por baixo, que não vinque e que vos favoreça. Eu por exemplo tenho daquela roupa interior neutra – cuecas sem costuras de ligeira compressão, soutiens tom de pele sem costuras (não gosto das opções cai-cai, pelo que acabo por optar não usar, em determinadas roupas), e umas combinações, bodies ou cintas, porque fazem falta, e adoro. Ainda bem que as tenho, porque dependendo do vestido, escolho o que levo por baixo e nunca me sinto desprotegida. São coisas que custam às vezes mais dinheiro que o que levamos por fora, mas o sucesso do por fora depende inteiramente do por dentro. Nas cuecas, como na vida. Por favor, não usem meias. Muito menos com sandálias. Ainda menos de rede em tom de pele, a não ser que sejam coristas num espectáculo de Revista. Um bom sítio para comprar roupa interior em conta e que ajuda a potenciar o potencial dos vossos atuendos é a Intimissimi. E por último, a parte mais importante: não vão mascaradas!

E quando os ganchos começam a picar a cabeça? E a laca começa a dar comichão? E quando queremos ir embora, mas ninguém que ir também? E quando bebemos um bocadinho demasiado e não podemos conduzir? E quando ficámos sem bateria no telemóvel e não podemos tirar mais fotos? Chama-se um táxi! Levem o número dos táxis e peçam um com multibanco!

E BOM VERÃO!
Atirem-se ao bouquet como se estivessem cinquenta graus e se estivessem a lançar a uma piscina!

 

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