Trashédia

YOU WILL BE HAPPIER WITH LOWER STANDARDS

It’s FRESH COUTURE, BITCH!

Começo com este jogo giro de pronunciar palavras. Adoro. Adoro ir ao YouTube ouvir como se diz de em north american “couture”.

O Luís Royal, uma das minhas grandes referências no que diz respeito ao Bom, considerou o frasco de Moschino Fresh Couture, o perfume que a Moschino fez o favor de lançar no passado mês de Novembro, como o objecto do ano de 2015.

Seria impossível começar a escrever o que quer que fosse sobre este produto sem começar pela embalagem: este é um desses casos.
No press release avançado pela casa Moschino, o frasco de Fresh Couture tem como objectivo ser o recipiente mundano de um conteúdo sofisticado.

High Brow VS. Low Brow.

Completamente perceptível de todos os pontos de vista, até porque o director criativo da marca, Jeremy Scott, é conhecidíssimo pela última nova vaga de conceptualização da iconografia Pop (sublinhada pelo facto de Katy Perry ou Miley Cyrus serem utilizadoras frequentes Moschino), corrente que, de resto, faz todo o sentido quando aplicada à casa italiana: recupera o seu espírito irónico e provocador algo perdido nos anos que antecederam a tomada de posse de Scott.

No entanto, porque para mim isto tem “no entanto”, o objecto altamente desejável deixa algo a desejar, talvez por constrangimentos de natureza funcional (nem sempre o design de quipamento equipa como o designer quer): o mecanismo de spray do tal objecto quotidiano não existe, sendo  o manípulo apenas a cápsula que protege o mecanismo de spray tradicional que conhecemos na maioria dos frascos de perfumes. Além disso, a caixa em que vem inserido o frasco é também pouco concordante ou pouco disruptiva relativamente ao frasco, por ser tão simplesmente uma caixa de perfume com o mesmo aparato de um perfume haute couture (os perfumes numerados da Chanel, por exemplo, vêm dentro de caixas semelhantes). Um descuido que não faz sentido, uma caixa que não é necessária e que parece só uma coisa que alguém disse que tinha de ser assim. DSCF2498 DSCF2500 DSCF2501 DSCF2502

Whatever, Let’s get JUICY! – O líquido azul, que é o perfume em si, é fresco, tal como o nome indica.

Evidências à parte, gosto muito de me divertir, agora que treino imenso o olfacto, a tentar perceber ao que é que cheiram as coisas. É uma espécie de Trivial pessoal das fragrâncias. Borrifo a mão e fico a cheirar até que me doa a cabeça, e a apontar coisas. Há fragrâncias mais evidentes que outras, há notas que sobressaem mais. E é mesmo divertido ler o press release à posteriori! (E vejam que amorosa e bela é a pen onde vem o press release!!!) Desta vez acertei em algumas coisas, assim mesmo directa, sem corrigir!!!DSCF2503

A saber: Fresh Couture recorre a uma base interessante, que combina Patchouli com Madeiras Claras (essencialmente Cedro), combinação essa que parece ser tendência ou pelo menos comum nas bases dos perfumes mais recentes.

À primeira borrifadela, sinto-me imediatamente convencida. É frutado e fresco, cheira-me vagamente a casa, assim a coisas incríveis como citrinos acabados de colher. A primeira camada de aroma é fácil como as tangerinas daquela árvore que temos referenciada como sendo a que dá  as melhores e mais doces. Acertei! Tangerina e Bergamota (uma espécie de laranja enjeitada e amarga) são as notas superiores.

Mas de alguma forma, há aqui uma doçura que não é nada mediterrânea, a doçura de qualquer coisa de que se aprende a gostar, e essa doçura é do tão oriental Ylang Ylang.

Tem graça, porque a dada altura, já muito entrada nestas linhas, quando abre, Fresh Couture perde a intensidade cítrica para começar, alegremente, a cheirar a um jardim adocicado de flores delicadas, como as Peóneas, neste caso brancas, e Osmanthus. Diz que há um toquezinho de Framboesa em estilo volte-face adolescente. Começo a senti-lo apenas uns longos quinze minutos depois de aplicada a fragrância.

Fresh Couture é, de facto, um líquido divertido dentro de um frasco divertido.

É um perfume sofisticado e distinto, não posso dizer que não, porque é uma fragrância floral e mediterrânica, sem querer recordar memórias passadas ou feitos do antigamente. É novo. Pelo frasco e pela campanha, Fresh Couture faz história. Ao ser uma casa italiana a convocar um objecto quotidiano,  sinto-o como uma reinterpretação da identidade mediterrânica puramente feminina, altamente italiana, que é capaz de evocar uma Mulher generosa e independente, de físico resistente, preparado para tudo. É o perfume dessa Mulher naturalmente atraente (lamento mas as notas cítricas e florais convocam uma espécie de beleza quase selvagem, etérea, muito Lagoa Azul, muito nineties – que é mais ou menos tudo o que a Linda Evangelista na campanha não é… OOOOPS!), intensa (Ylang Ylang) e resiliente, essa Mulher (entenda-se aqui o colectivo) que ainda é capaz de ao fim de um dia inteiro, arregaçar as mangas e limpar os vidros.

Acho que Fresh Couture é um hitDSCF2504

Acho que é capaz de se adaptar a todas as estações do ano e de se tornar um excelente companheiro para muitas Mulheres que procuram um acessório poderoso e fresco, que não lhes pese muito na bagagem!

Online, podem adquirir aqui.

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