Trashédia

YOU WILL BE HAPPIER WITH LOWER STANDARDS

NA CARPETE DOS ÓSCARES

Que saudades da Joan Rivers!…
Devido à polémica, ao caos instalado por agora na Maria Capaz haver uma secção de Moda, indigna de uma plataforma como esta, que agora mais parece uma revista cor-de-rosa-light-e-barra-ou-de-conteúdo-feminino (que, pelo que tenho vindo a apreender através dos comentários que me dão esta ideia, “feminino” é o antónimo de “feminista”, pelo que estes conteúdos são assim digamos que uma espécie de chaga de Cristo no núcleo do feminismo), foi-me pedido que o conteúdo sobre os Óscares incidisse nos bons looks. Nos que para mim serão os looks vencedores.
E eu aceitei.
Para tirar uma teima: tenho a certeza que mesmo assim, sendo boazinha, me vai cair o Carmo e a Trindade em cima!…

goodlook1margoteliserobbiestlaurent

Margot Elise Robbie é a primeira excitação da noite.
Num look preto total Saint Laurent, a actriz australiana – catapultada para o estrelato pela sua prestação em “Wolf of Wall Street” – arrasou à chegada ao Dolby Theatre.
Excelente decote perfeitamente equilibrado pelas mangas compridas translúcidas e pela saia. Óptimo não levar acessórios, apenas um colar Van Cleef and Arpels, que faz ali o statement necessário e aponta de forma graciosa para a vertigem do decote. Uma boca vermelhíssima e um cabelo arranjado-sem-estar-arranjado fazem deste, desde já (isto ainda são dez para a meia-noite), um dos looks vencedores da noite. O melhor? É que a Margot só tem 24 anos e não vai mascarada de senhora, vai de pessoa da idade dela a um evento.goodlook2marioncotillarddiorSei que não será consensual, porque também eu tenho uma certa relutância na combinação das it-girls da Dior e da “nova” direcção criativa da casa, é verdade… De certa forma, a beleza clássica de Marion Cotillard pede outra coisa que o Raf Simons não lhe sabe dar, mas que tem vindo a aprender, e o reflexo é este vestido branco, que começa a aproximar-se das necessidades da actriz francesa e do designer belga (ser belga, neste caso, é de extrema importância).
O vestido é sublime.
A Marion Cotillard é sublime.
O corte é maravilhoso, a cauda ligeira, o detalhe que segura o evasée posterior, a meia altura, em preto, é lindo. Corta ali o excesso de branco, segura o drapeado, cria detalhe e acima de tudo, oferece ao vestido o detalhe clássico que poderia faltar-lhe pela escolha da textura perfurada do tecido.
O cabelo está muito elegante (um bocado seca para o meu gosto, mas lá está, há este descompassar entre criador e musa, que no fundo é uma herança de outros tempos), a escolha de usar apenas uns brincos simples em forma de lágima e uma clutch preta, tudo bastante clássico.
Um look muito elegante e arriscado, muito contemporâneo.
Uma lufada de ar fresco na categoria das nomeadas ao Óscar de Melhor Actriz pela sua participação em “Deux Jours, Une Nuit”.

87th Annual Academy Awards - ArrivalsRosamund Pike. De encarnado. Givenchy. Sim, Riccardo Tisci consegue encontrar tempo para fazer roupa para mais pessoas para além da Kim Kardashian e do Kanye West. E a Rosamund teve sorte, pronto!
Ok, eu sei que a Dakota Johnson apareceu uns momentos antes, também de encarnado, com um custom Saint-Laurent maravilhoso e que ela está, de facto, maravilhosa, também com uma racha, de lado, mas o facto aqui é que este é um look que combina muito bem o espírito clássico de Hollywood com a actualidade e encaixa na perfeição com a nomeação para o Óscar de Melhor Actriz da Querida Rosamund pelo seu papel em “Gone Girl”.
Rosamund já pode evocar este tipo de look sem parecer bizarra (há um prazo de validade para este tipo de looks, que é entre o adulto e o maduro, não sei explicar) e fá-lo com classe extrema. O decote finamente recortado em ondas faz lembrar uma concha, o facto de ser ligeiramente subido anula a necessidade de um colar e simplifica a escolha de acessórios em geral. Tudo apresentado com imensa classe, daí que este encarnado, até agora, encoste o da Dakota.
Maravilhoso o apanhado do cabelo, sem ser demasiado puxado ou arranjado.
Mais uma vez, obrigada, textura, por estares aqui connosco, neste vestido.
Amo o detalhe da cintura, e a racha vertiginosa ao centro, perna acima, pau pau pau.
Bodycon done right! Minicauda done right!
PALMAS!

87th Annual Academy Awards - ArrivalsA mulher do Eddie Redmayne, que está nomeado para o Óscar de Melhor Actor pela sua participação em “The Theory of Everything”. Não é famosa, não é nada do domínio público, que se saiba, é apenas esposa (que pouco feminista! Cuidado!), mas até agora está a encostar à boxe muita estrela que devia estar a conquistar o seu lugar.
QUE VESTIDO! (É um BOM McQueen!)
Eu quando vi isto no site da People.com pensei: “isto é realeza”. Fui ver… E não é que era?!… Consta que se dá muito com a Família Real Inglesa.
Se alguém quer aprender a usar este tipo de decote subido, atado no pescoço com alguma coisa trabalhada sem parecer uma múmia (sim, esta é para vocês Felicity Jones em McQueen e Anna Kendrick em Thakoon NYC), é aprender com a Eddie.
O cabelo volumoso e ligeiramente arranjado, os detalhes em dourado envelhecido que ficam tão lindamente com o tom de pele e cabelo, a clutch, tudo.
Tudo aqui faz sentido e, mais uma vez, texturas… Veludo!

87th Annual Academy Awards - ArrivalsGeorgina Chapman.
ATENÇÃO, ISTO NÃO É FEMINISTA!
Hiper Divina e radiante, da mão do Marido, o melhor acessório, segundo Yves Saint-Laurent (“The most beautiful clothes that can dress a woman are the arms of the man she loves”), Georgina está genial.
Roça a perfeição.
Evoca o clássico, revisita-o à bela maneira dos anos dez e consegue um dos looks mais impressionantes da carpete até agora. É maravilhoso entender que há quem apreenda muito bem este “briefing” que é a Red Carpet dos Óscares.
Isto é maximal. Se algum dia houve dúvidas sobre o que é maximal, pode explicar-se tudo através de um retrato de Georgina neste vestido.
Aqui onde estou a ver, no site da People.com, não me aparecem ainda quem são os designers dos vestidos, mas eu aqui apostava que isto é da sua marca, Marchesa. Este vestido vai para lá de tudo, de perfeito que é.
Andamos todas sempre a aprender umas das outras, e desde que a cazaquistanesa Ulyanna Sergeenko começou a desempoeirar estes looks do Universo do Sótão da Avó Austera em 2012, que todo o mundo se comoveu e decidiu acudir a este Universo em massa. Da dupla italiana Dolce & Gabbana a, neste caso, a casa Marchesa, ninguém ficou de fora.
Para além da própria Ulyanna, nunca tinha visto ninguém rockar um look destes tão bem.

goodlook6emmastoneelieesaabEsta era do mais previsível, não é? Já que tem andado a rebentar com a escala por onde tem passado ultimamente.
Valeu a pena esperar, valeu a pena dizer que sim, que Emma Stone iria ser previsível: estava completamente confiante porque sabia que ela iria estar incrível para os Óscares.
Estou a ver a emissão em directo, as I write, e a primeira vez que vi o vestido da Emma Stone foi enquanto ela estava a ser entrevistada, ao lado da Mãe. Estava a puxar as pulseiras e as mangas para baixo e a comentar com a Mãe, em directo – who cares?!? – as superestrelas que passavam e que elas adoravam conhecer.
Emma está nomeada e é a actriz mais cool nos Óscares (depois da Meryl Streep, que leva isto como uma ida ao pão) este ano.
– Só por estar a lutar com as mangas de um Elie Saab?
– Não, mas também.
Só por se manter fiel à sua imagem de marca – cabelo simples e maquilhagem com um eye liner duplamente überclássico, também – e por estar a curtir o facto de estar nos Óscares.
Já ganhou.
Mais do que um vestido pode fazer por nós, é a felicidade que faz o vestido brilhar. E se a Georgina está linda e radiante da mão do marido, Emma está deslumbrante e jovial, super divertida pela sua presença em todo o evento em si, acompanhada da Mãe. Sempre que sonhei em ir aos Óscares, sonhei levar a minha Mãe.
E que cor tão bonita!… Tão única e… Cheia de textura! (Já perceberam que sou obcecada com texturas, não já?)
#goemma!

goodlook7ladygagaalaiaLady Gaga em Alaïa.
Morri.
Li no morridesungabranca.com a propósito dos Grammys, que com a Lady Gaga a vestir-se de pessoa, a coisa perdia a piada.
Só que querem saber qual é a maior piada?
É que nunca, ninguém, na História da Carpete dos Óscares, tinha usado um Alaïa exclusivo. E isso, lamento, mas é um dos maiores insultos à Arte e à Moda e uma das formas mais simples de constatar o que para mim sempre foi uma evidência: que a Carpete é um secador pegado, porque nunca ninguém arrisca nada. Se era por medo da Joan Rivers, ela morreu em Setembro do ano passado, M’lheres! Já é hora de soltar as frangas!
Bom, adiante.
Lindo. Maravilhoso este Alaïa. Tão composto e tão genialmente contemporâneo, tão delicado no trabalho (consta que demorou dois meses a ser confeccionado), tão subtil na textura e no brilho.
Maravilhosa a maquilhagem tão dramática e teatral de Gaga, em nada absurda em relação ao look, maravilhosos os apontamentos a vermelho. E maravilhosa a forma como Gaga vive a sua individualidade. Irónico pensar que a House Of Gaga tem dado tantas oportunidades a novos artistas e que tenha de ser Gaga a dar a oportunidade a Alaïa de pisar a Carpete dos Óscares…
Eu tenho andado meia zangada com a Gaga por causa desta febre do Tony Bennett, mas acabou de me passar.

Bom, começou agora a cerimónia.
O Neil Patrick Harris está a cantar e foi interrompido pelo Jack Black, retomou agora a cantoria e fez uma piada à Oprah Winfrey, que se riu.
Riam-se vocês também!

(Artigo terminado à 1:39 da manhã de 23 de Fevereiro de 2015.)

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