Trashédia

YOU WILL BE HAPPIER WITH LOWER STANDARDS

Ò Rosa Arredonda a Saia


Qualquer dia esta vai ser uma canção que não faz sentido nenhum cantar.

No dia 24 de Dezembro, depois de ter acabado de embrulhar os presentes de Natal e de ter tratado de arranjar tudo, tinha de me arranjar a mim e deparei-me com um enoooooooorme problema.
Para lá da impossibilidade que é vestir a minha roupa (que amo profundamente, mas que ainda não me serve de volta – se é que algum dia vai tornar a servir), deparei-me mais uma vez com uma questão sobre a qual nunca escrevi nem sei como: SAIAS.
Longe de alguma vez imaginar ter filhos, comprei uma saia rodada de fazenda de lã violeta. É linda de morrer, assenta lindamente na cintura e tem bolsos. O cair é perfeito e o corte da dita saia serve objectivamente para realçar a parte mais bonita do corpo feminino, a cintura. Ajuda a disfarçar a anca que me alargou muitíssimo.
Esta saia de que vos falo é vintage e é capaz de estar no TOP 3 das minhas melhores saias, todas elas, curiosamente, vintage. Uma é uma saia travada preta com grandes estrelas brancas, da Moschino e arranjei-a em Faro, numa loja que era um armazém de dead stocks da António Manuel, e que me custou €5,00.
Outra é uma saia assimétrica estampada em tons de encarnado, em algodão, da Kenzo que uma amiga me ofereceu.
Isto dito assim até parece que sou uma magnata do papel, mas a verdade é que as minhas três saias favoritas custaram ao todo um total de quinze euros.
Tudo super griffado, é certo, mas quinze euros.
Depois tenho imensas saias de Verão, mais leves e em tons muito suaves, demasiado suaves para arrancar para a combinação feérica de texturas e espetar-lhes com uns collants de lã e umas botas. Há momentos em que, pura e simplesmente, uma pessoa tem de saber que não dá.
Depois de ter experimentado quase toda a minha roupa que achei que me iria servir para passar uma consoada bonita, cheguei a esta saia violeta e foi com ela que se passou a meia-noite.

O cerne da questão aqui neste post das saias é que de regresso a Lisboa, fui dar um passeio pelas lojas e tentar perceber se haveria saias para comprar, uma ou duas, porque estou um bocado saturada da lógica finita da minha fórmula resultona, e cheguei à triste conclusão a que chego sempre que tento ir comprar saias: não há saias de jeito para comprar.
Não há uma saia que valha a pena comprar em lado nenhum.
Das lojas caras às lojas baratas, passando pelas lojas das velhas, pelas lojas de bairro e pelos chineses, não há mesmo nenhuma saia que se diga que é para enfeirar.

MAS PORQUÊ?
Ainda não consegui chegar a nenhuma teoria sobre o porquê de não haver saias para comprar, se bem que atribuo o flagelo à popularização do shortinho de ganga, que na verdade se usa o ano todo, com collants, sem collants, com botas ou havaianas. Já se me ocorreram várias outras, como a eterna da depilação, a do frio e mais umas quantas apenas relacionadas com questões de natureza comodista. De resto, não consigo imaginar porque é que no comércio acessível, não há saias para comprar. Isto é, não há saias para além dos três trapos aborrecidos que vieram para ficar…
Porque depois do sucesso da mini saia guardanapo da ZARA e da saia-alforreca, também da ZARA, e daquela saia travada que os retalhistas insistem em vender como “roupa de escritório” (para isso vendiam na Staples logo directamente, com o material de escritório), acho que o universo da criatividade no que toca as saias voltou a adormecer e não parece querer acordar.
Rezo para que não seja um sono eterno, mas com pouca fé.
Parece que a peça de roupa mais feminina de todas está em vias de extinção e que é necessário tomar medidas extremas tal como os chineses fizeram com os pandas: é preciso por as melhores saias em cativeiro e deixá-las acasalar o mais possível, para darem sainhas lindas de morrer para, vá… S/S16? Assim as marcas conseguem ter tempo de me ler e mandar cá para fora coisas que valham mesmo a pena.

Pelo que consigo observar, as saias giras são as vintage, mas têm o eterno problema de poderem, ou não, servir. De poderem, ou não, estar disponíveis. Já sem contar com o cheiro e com a necessidade que têm, muitas vezes, de se lhes mandar trocar o forro e fazer ajustes de alguma natureza.
As sais mesmo giras que não são vintage, custam uma renda de casa, e isso então é que não faz mesmo sentido nenhum, porque em bom rigor, uma saia é um trapinho, e ao preço a que estão os collants, o melhor é as saias serem baratinhas, para se poder usar e abusar delas.

Não percebo o desaparecimento gradual da saia.
Agora a sério, e fora de brincadeiras, a saia, além de tornar a Mulher muito mais elegante e de a compor quase de imediato, é uma peça de roupa muito mais versátil e prática que um par de calças e que afirma muito mais. Revela preocupação, passou a implicar uma predisposição especial para se usar e é um dos grandes emblemas da Mulher.
Porque é que terá desaparecido de circulação?
O corte era mau?
Morreu alguém de overdose de saias?
Então… Qual é a justificação?!

Sempre que vou a qualquer lado, procuro levar uma saia ou um vestido.
Sempre que vou às compras, procuro saias.
Com pouquíssimo sucesso em qualquer um dos casos.
Se houvesse saias para comprar, ia de saia comprar saias.
Como não há, vou do que posso ir e queixo-me sempre.
Até me ouvirem.

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