Trashédia

YOU WILL BE HAPPIER WITH LOWER STANDARDS

OH MÃÃÃÃÃÃÃE!

Bom Dia – Bom Ano.
Espero que 2017 seja maravilhoso.
Assim em bom rigor, 2016 foi um ano incrível, tal como todos os outros que estão para trás e que contam na minha cronologia, desde 1985. E pensar que teria sido incrível evitar acontecimentos na vida – cheguei a essa conclusão – é bastante estúpido, porque se já vimos o Back to The Future e já lemos todas as ficções sobre viagens no tempo e afins, nada do que somos hoje o seria se tivéssemos tido a “sabedoria” de evitar alguma coisa. Tudo conta.
Pronto, já chega de momento da secção espiritual, passemos ao sumo deste post:

Em 2016, de todas as coisas incríveis que me sucederam, um dia recebi um telefonema da Mariana Perestrelo a convidar-me para um evento Mattel. A data do evento não estava confirmada, mas eu tinha o ZULULUZU  para fazer no Porto, e não tendo o dom da ubiquidade, muito dificilmente poderia ir ao evento. Disse-lho e ela não ficou lá muito satisfeita, até que me explicou o que era o evento e porque é que era tão importante que fosse.
Pronto, ok, não poderia mesmo ir, mas podia tentar mandar alguém em minha representação. É sempre difícil escolher uma pessoa que possa representar-nos, vai daí, enviei a minha Mãe.
O evento eram os Barbie Awards, promovidos pela Mattel, em que iriam destacar-se 12 Personalidades Femininas portuguesas pela sua influência na comunidade e no contexto português. O prémio, uma Barbie personalizada à medida de cada uma das distinguidas.
Era óbvio que iria enviar a minha Mãe, já que o motivo do convite da Mattel (pela Mariana) era este.
Escrevi então uma carta “curta” para que a minha Mãe não ficasse de mãos ou língua a abanar (o que seria inédito) quando fosse receber a Barbie.

Continuo sem saber muito bem porque é que me escolheram entre tantas Mulheres que de alguma forma são referências que Portugal tem, e continuo a agradecer o prémio, que ali onde está faz as delícias da minha Filha que tem muita pena por não poder brincar com a “Barbie Mãe”.
Foi um acontecimento de 2016 que nunca cheguei a partilhar, pelo que fica aqui para vocês lerem o discurso que preparei à minha Mãe, com muito esforço para não me alargar, que eu quando começo a escrever não consigo parar e depois choro e quê – LOL.

Cá vai:

Olá Mãe!
Deixei um espaçamento de parágrafo assim bem bom e um tamanho de letra que faz com que isto pareça enorme, mas é por causa daquela história de quando o braço já não estica mais…

Olá a Todos,
Esta é uma carta aberta à minha Mãe, daquelas que ela pode partilhar convosco.
Há muitas outras, que não foram escritas ou que já foram e nunca foram entregues, que não podem ser partilhadas.
Hoje estou no Porto, a terminar a digressão do ZULULUZU, o último espectáculo que fiz com o Teatro Praga. Por não poder estar presente, e devido a uma conjugação de astros inacreditável, a minha Mãe estava em condições geográficas e de disponibilidade favoráveis a que pudesse ser Ela, e mais ninguém, a receber este prémio.
E porquê a minha Mãe e não uma amiga?
Porque a minha Mãe é, de facto, a minha Mulher modelo.
Demorei muitas Mulheres modelo até chegar à minha Mãe. Porque para reconhecer na Mulher que está mais próxima de mim todas as qualidades que se atribuem às Mulheres modelo, tive de me afastar e de gostar de muitas outras Mulheres.
Para reconhecer na Mulher que está mais próxima de mim outras coisas que não a Mãe (e todos os bocejos inerentes à palavra Mãe – acreditem, estou super perto de saber), houve muito trabalho. Tive de gostar da Janis Joplin e da Elizabeth Taylor, da Kathleen Hanna, da Joan Jett, das Bikini Kill, da Jem e das Hologramas, das sufragistas, da Paula Sá Nogueira, da Marlene Dietrich, da Simone de Beauvoir, da Joana D’Arc, da Natália Correia, da La Lupe, da Beatriz Ângelo, da Beatriz da Conceição, da Sophie Calle, da Monica Calle, da Beatriz Costa, da Carmen Miranda, da Donna Harraway, da Kris Kraus, da Sara Almgren, da Holly Golightly, das Spice Girls… Entre tantas outras!… E tive de me apaixonar por uma série de homens, também.
Um dia, em Março de 2009, numa viagem de TGV entre Rennes e Paris, numa carruagem cheia e silenciosa, ficou claro que a minha Mãe, com quem ia ter, tão tangível e tão à distância de uma chamada no meu Nokia branco, era muito mais do que estas Mulheres todas juntas com as quais fui povoando o meu imaginário de heroínas. Não deixei de as admirar, mas passei a por no topo da lista, a minha Mãe.
A minha Mãe é a Mulher que eu conheço que faz tudo sem precisar que lhe desbravem o caminho. Que pensa com uma noção de Liberdade muito própria e que muitas vezes se sente oprimida pelo que a rodeia, por tudo o que é Velho e se perpetua até ao infinito.
Essa é a minha Mãe.
Estas características que referi e que são características comuns à lista de Mulheres que a minha Mãe acabou de vos dizer em voz alta, eu encontro-as na minha Mãe.
Não é sorte.
Até chegarmos aqui demorou muito e nem sempre é fácil ter uma Mãe como a minha, um turbilhão anónimo que, com um sorriso, resolve tudo, faz tudo acontecer.
A brincar chamo-lhe Pepita La Sevillana e Madre Teresa de Calcutá.
Só estou aqui hoje representada por causa da minha Mãe e das suas decisões.
Tudo o resto veio depois.
Até o meu Pai veio depois, imaginem!
Agradecer-lhe a Ela é a única coisa que posso fazer todos os dias.
Tentar ser um bocadinho como Ela, também.
Pela minha Mãe é que continuo a achar que ainda posso tantas coisas infinitas de uma lista que não existe e que nunca acaba, por saber que tudo é possível.
O Feminismo, em mim, é uma forma de estar que – Graças à minha Mãe – já vem de origem, que nunca precisei de sistematizar, evocar ou defender, porque nunca me senti, sequer, oprimida, impedida de fazer ou dizer, por ter nascido Mulher. E podem acreditar que não nasci num meio privilegiado ou próximo de vangurdas. Isso também me chegou depois.
Há quse dois anos, nasceu-me uma Mulher.
Foi o dia mais feliz de sempre. Porque sei que o que a vai rodear não a irá fazer questionar o seu género, os seus sonhos ou as suas ambições. É disso que tento certificar-me todos os dias, quando olho para a minha Filha logo pela manhã: que ela é Amada e Livre.
Aquilo que quero e faço questão de fazer sempre é espalhar isto.
Sou muitas coisas, e se puder vou ser mais umas quantas.

* * *

A minha Barbie foi pensada a partir do #OOTD 12 | Topical Urbano

Óculos de Sol em acetato de glitter dourado, modelo NOIR, da Miu Miu, que ainda está disponível para compra, mules Prada comprados num daqueles dias loucos de Outlet da Fashion Clinic. O vestido e o colar dos flamingos eram d’ A Outra Face da Lua, o perfecto era Moschino na MyGodbarbie-5

aqui fica este retrato, outra vez, para fazer um comic relief incrível ao nível do que vem sendo o fashion blogging, ao qual este 2016 se desejou que encontrem o que deixaram cair no chão.
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