Trashédia

YOU WILL BE HAPPIER WITH LOWER STANDARDS

OOTD #7 – Made in Portugal

Viva um novo #ootd, desta feita o número sete, desta feita um #ootd que me tem muito satisfeita por variadíssimos motivos.

Gostava que ouvissem esta música antes de começar:

Há umas semanas, numa espécie de passeio/incursão pela Baixa, olhei para uma montra e vi uns sapatos lindos de morrer e muito intrigantes. Entrei para os ver, mesmo ver, ver assim à cigana, que também é como quem diz como os espanhóis, ver com eles na mão, e convencidíssima, pedi o meu número.
Não tinham.
Não tinham nenhum número, não tinham nada, só o modelo de exposição.
Fui para a internet (ou será vim?) procurar e pesquisar e lá encontrei, porque o Sr. da loja se limitou a dizer que não tinha e pronto.
Weekend Barber, e os sapatos que eu queria mesmo mesmo mesmo mesmo eram estes: Captura de ecrã 2016-02-24, às 10.13.54Entrei em contacto com a marca, via Facebook, e percebi que eles também não tinham o meu número. Mas também percebi que havia outros modelos incríveis e que não deveria desmoralizar logo ali à primeira tentativa. Desmoralizei nas seguintes, porque todos aqueles de que gostei… Não havia. Chegámos então à conclusão de que havia um modelo, o que está neste #ootd disponível no meu número, e amavelmente recebi os sapatos em casa para os fotografar com um outfit.
Quando se diz que as marcas portuguesas são caras, não respondem aos nossos pedidos ou não colaboram, não é verdade. Esta é uma marca portuguesa que não é cara, que respondeu e colaborou.

Talvez para comprar português e para chegar ao entendimento com Portugal, seja necessário procurar mais e melhor, seja necessário ir à Baixa em vez de ir ao Shopping, talvez seja necessário esquecer a comodidade do lugar para estacionar à porta e dessas coisas que condicionam a forma como nos relacionamos com os objectos no nosso quotidiano.
Talvez, para não deixarmos que o comércio tradicional morra, bem como as marcas portuguesas que o comércio tradicional vende, seja mesmo necessário agir. Talvez seja mesmo imperativo alterarmos a nossa forma de consumir e procurar, em prole de um Futuro em que o comércio tradicional conviva de forma equilibrada com todas as lojas de fast fashion.
Pela longa vida do que é nosso e traduz a nossa identidade, MIL VIVAS À WEEKEND BARBER!

Quando apresentou a colecção de Outono/Inverno 15/16, chamada Dry, não sei se o Luís Carvalho sabia que o Inverno que estamos a viver viria a ser sequíssimo. De qualquer das formas, se já gostava muito das coisas que fazia, foi por alturas dessa colecção que fiquei com muitíssima vontade de continuar a seguir o percurso do Luís e de, acima de tudo, querer as suas coisas.
Além de gostar das formas do que faz, gosto dos materiais e gosto sobretudo do rigor que caracteriza a confecção das peças Luís Carvalho. Acho que não precisava de ter lido a sua biografia para saber que o ambiente que o rodeou durante a sua infância foram linhas e agulhas, do lado da Mãe.
Olho para o que o Luís apresenta e vejo peças livres de formatações e preconceitos, vejo peças desejáveis e possíveis, vejo uma forte componente conceptual naquilo que são os temas e inspirações das colecções, e vejo crescimento.
De passeio pela Showpress em busca dos coordenados encantados para fazer #ootd entrei na salinha onde estão as peças Luís Carvalho e trouxe dois vestidos. Este, num modelo amplo de pregas cosidas até à altura do peito e depois aberto num plissado com detalhes lindos nas mangas (manutenção do plissado e lacinho no punho) e fecho central, num xadrez Príncipe de Gales muito elegante, e um outro, que deve surgir por aqui na semana que vem.
Olhei para este vestido e soube que, se fosse meu, seria uma daquelas peças que se tornam fardas (porque as uso mil vezes, resultam sempre, e não me canso). E provavelmente tentava ter também em azul escuro ou branco, para poder usar mesmo todos os dias, sem me fartar do padrão.
Jo Blog Shoot II -5

Quando tens uma roupa vestida, que é particular por um corte e a vais fotografar, WERK IT! E então peguei nas pontas do vestido e decidi mostrar que é amplo. Pronto. E pus-me de lado para dar aquela ideia de movimento. Tipo, modelling nível 0. Acho que passei… Não?

E assim, inusitadamente, estou toda de Portugal, e não preciso de estar de encarnado e verde com bola amarela ao centro, já viram?

As fotos são, como não poderia deixar de ser, do meu absolutamente incrível Marido Carlos Pinto @carlospintophoto | Maquilhagem e Cabelos meus, de facto
O Vestido é do Luís Carvalho, sendo que o melhor sítio para o procurarem é na loja da Francisca, a Com Cor | As meias são Pé de Meia (tenho mil e um pares, porque adoro peúgas brancas) | Os Sapatos são Weekend Barber

Tudo Nacional, Tudo Bom.
Tudo Made in Portugal, Tudo Bom.
Aproxima-se a ModaLisboa, aproxima-se o WonderRoom onde é possível conhecer marcas e produtos, as FastTalks onde sabemos o que é que anda por aí a acontecer, e há muito por onde procurar para não deixarmos que o que é nosso deixe de existir. É um ofício difícil e depende de todos nós.

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3 Discussions on
“OOTD #7 – Made in Portugal”
  • Como o vestido, as tuas palavras também têm movimento e por isso só queria mesmo sublinhar “Talvez para comprar português e para chegar ao entendimento com Portugal, seja necessário procurar mais e melhor…” até ao fim do paragrafo.

  • Bolas, ficas sempre gira!! E adoro que continuem a haver pessoas como tu, que insistem na necessidade de passear pela baixa, pelas lojas de rua, investir no que é nosso, em vez de desbaratar o dinheiro em compras da China (e que vem de lá também). E obrigada por nos dares a conhecer (pelo menos a mim) duas marcas que desconhecia! Beijinho**

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