Trashédia

YOU WILL BE HAPPIER WITH LOWER STANDARDS

OOTD#13 | I WANNA BE A PLAYMOBIL

Este #OOTD começa assim:
A Cátia Castel-Branco veio falar comigo no chat do Facebook a pedir o meu número, e eu dei-lho.
De onde conheço a Cátia?
Não sei bem.
Conheço-a daí e sempre que a vi, adorei-a.
Lembro-me dela com umas sandálias altíssimas de tiras finas, mais finas que um espaguete, diria sandálias de tiras chao-min, com uma camisola de rede de futebol americano com uma roupa interior funcional género American Apparel por baixo. Tudo sempre com um saco acolchoado vintage da Chanel, e maquilhagens já bastante vividas, às purpurinas.
A Cátia é incrível e tem energia de sobra e um sorriso enorme.
Falamos muito – quando nos encontramos – de unhas de gel.

A Cátia queria o meu número porque tinha pensado num editorial sobre Playmobil por causa de um quarto do Pestana Cascais e queria fotografar alguém em poses de Playmobil… “e estivemos a pensar e só podes ser tu – aceitas?”.
Eu disse que sim, mas dias antes estava a morrer por dentro e a pensar exactamente no mesmo quando aceitei, em 2009, ser fotografada para a Vogue… por que raio aceitei eu fazer isto, vai ser horrível, vou odiar tudo, vou querer atirar-me pela janela a cada dois segundos, vou querer estar doente nesse dia, vou querer desaparecer da face da Terra.
* descompensação * 

Fotografámos há meses.

De toda a sessão lembro-me perfeitamente de ter tido muito frio e de achar que estava a ir super mal e que o António estava só a ser condescendente e simpático porque a Cátia e a Rita me tinham vendido lindamente. Lembro-me de um pânico que me dá sempre que alguém traz roupa para eu vestir que é: e se não me servir na anca? e depois eu visto e não me serve e acrescentam ah,tu enganas, que tu és falsa magra. Acho que não há nada pior do que falsa magra. Falsa magra é uma pessoa que tem membros longos e ossudos e carne no rabo, que sabe vestir-se por forma a valorizar o que lhe calhou na rifa e que, mesmo passando a vida a ouvir a porcaria do falsa magra nunca sabe o que achar disso, porque ninguém sabe se isso é bom ou mau. E eu morro com vontade de me atirar para uma valeta.
Ninguém me chamou falsa magra.
Também me lembro de querer não dizer merda.
Também me lembro do ligeiro terror e pânico quando vi um fato de banho porque a última coisa que eu queria era um fato de banho. E depois lembro-me do alívio que foi quando o António me disse que era tudo em personagem, de collants brancos e gola alta branca, SEMPRE.
Uffffffffffffffff!
Também me lembro do maior ensinamento do meu Marido, que é nunca pedir a um fotógrafo para ver nada a não ser que te mostrem.
Outro ensinamento do meu Marido é: aceitaste, viras o boné ao contrário e siga.
E eu virei o boné ao contrário e segui.
No dia seguinte ao shoot, doía-me o corpo todo, porque aguentar posições causa disso.winkcapa

O resultado é lindo e maravilhoso e super divertido e estará ao alcance de quem se alojar num Pestana ou de quem for AQUI ver.
O mais absurdo? – Fui capa de revista (com um look que me fez cantar para dentro, em loop, a Rita Pavone).

Photography Cátia Castel-Branco | Fashion Editor António Branco | Fashion Editor’s Assistant Rita Castel-Branco | Lighting Director Iuri Albarran | Hair António Carreteiro | Makeup Sónia Pessoa | Makeup Assistant Filipa Dornellas

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