Trashédia

YOU WILL BE HAPPIER WITH LOWER STANDARDS

ÓSCARES – LE RED CARPET

Ontem à noite foi a cerimónia dos Óscares e pela primeira vez na vida fui a um certame de troca de galhardetes/comentários, coisa que me divertiu horrores, mas que vos dificuldou a cheada deste texto, que costuma vir com a alvorada, mas que agora está aqui a enfrentar sérias dificuldades para chegar antes do almoço!
A culpa é do E! Entertainment Portugal. Alguma coisa, falem com eles!
Normalmente o meu truque é dormir antes de começar o live from the red carpet, para assegurar que consigo ver a última lynda a entrar para o Kodak Theatre e dar fogo à pena. Como isto começou com um jantar, não fiz essas horas do sono, e devo confessar que grávida assim como estou, a coisa foi difícil, porque vá, pelas onze da noite para mim já é de madrugada!… Acabei por abandonar à uma e meia e hoje estou aqui com um olho aberto e outro fechado a ler os meus apontamentos, que parecem não fazer sentido nenhum!

Queria começar por comentar um vestido e jóias que poderiam ter corrido super bem porque a pessoa se presta a isso, mas que não correram.
E queria começar por dizer que, estando no local e dado o burburinho, é importante que se comente o momento com igual imparcialidade. Carolina Patrocínio.
Ok, um Pronovias, tudo bem, discordo em tudo da opinião da Bárbara Taborda que ontem à noite dizia que deveria ser obrigatório, quando se vai ao estrangeiro, levar criadores nacionais. Quer dizer, não poderia discordar mais, até porque isso seria regredir e se há coisa que em Portugal não temos andado a fazer é a regredir, pelo menos no sentido da manutenção dos valores da Liberdade. Mas isto sou eu, que passo sempre por hiper politizada.
A Carolina Patrocínio foi com um vestido preto para não se comprometer, comprido e com cauda, mas escolheu muito mal a cor do vestido. Para o tom de pele dela, toda sempre morenas, fittaça e rainha das praias, qualquer cor, menos preto, teria feito dela uma tremenda Diva. Bastava ter em conta todas as celebrities com quem partilha profissão, todas cor de laranja do solário numa tentativa de chegar aos calcanhares do seu moreno natural para saber que, nesse campo cromático, estaria a jogar em casa. O preto morre muito nela, e os pormenores do vestido, como o decote das costas, acabam por não ter o impacto devido, mesmo com o branco champanhe. Corto para a maquilhagem demasiado carregada, com pouca luz no rosto e em especial nos olhos, e para os cabelos, que estão soltos e com umas ondas, ok, óptimos, mas que… Mhhhh… São nada. Merecia um apanhado. Duvido muitíssimo da escolha das jóias, que são coloridas e não fazem ali sentido nenhum, muito menos um anel gigante em modo cacho de uvas no dedo indicador… O meu conselho? Aprender muito com as nossas amigas latinas, que são as maiores mestras da cor e do brilho e da luz nas peles morenas.
Aproveito também já este instante para falar aqui de outra apresentadora, desta feita a Giuliana Rancic, que esteve péssima, coitada, num misto de amiga dos clássicos, mas púdica, com patinadora artística, com modelo de anatomia. O azul do vestido era fantástico para o tom de pele (tirar notas), mas tudo o resto deixava a desejar assim horrores, quilómetros e séculos. Muita falta nos faz a Joan Rivers!…

OU VAI OU RACHA


Na categoria OU VAI OU RACHA encontramos actrizes e celebridades que decidiram absorver uma cena cujo último grande momento foi protagonizado pela Angelina Jolie, a racha do vestido.
Taraji P. Henson, que para mim é sempre a Cookie, estava divina divinal num Alberta Ferretti em tudo perfeito. O decote, a racha, o comprimento, a cor… WOWZAZ. Mil kudos para o cabelo curto, volumoso, arranjado mas não muito, lindas sandálias, óptima escolha de jóias (aquele anel!). A clutch é que pronto… Eu deixava em casa, mas não dá para passar a noite sem o telemóvel, não é?
Não sei o que terá contecido à Chrissy Tiegen, a super modelo sensação da internet e do Twitter apresentou-se assim. Eu que já gargalhei com os tweets dela e já terei cuspido o écrã uma ou outra vez com as coisas que ela diz ao Trump, fiquei assim um bocadinho blé com isto que ela envergou, que não tem nome possível. Um branquinho com aplicações a dar prá lantejoula e racha e um cinto e manguinha comprida? Não.
Blanca Blanco, cilindrada por tudo quanto é expert da fashion, deu aquilo a que o meu Marido chama uma combo a toda a gente. É verdade, eu acho que está incrível e que tem ali uma racha cheia de saúde com uma perna imponente e majestosa, com uma sandália que no contexto pobrezinho dos Óscares passa a ser uma sandália statement. É verdade que a racha acabou por revelar imensas coisas mais acima (eu no lugar dela levava uma cueca igualmente imponente para depois me rir de quem achasse que aquilo era wardrobe malfunction), mas não tenho como ignorar a cor e os folhos nos ombros, que criam ali uma silhueta mesmo fixe and very latin. Um menos para o anel, que eu percebo que deve ter sido uma excitação quando o viu, mas que é super desnecessário naquele contexto, e um outro menos para a falta de batom. Eu no lugar dela tinha-lhe dado na Carmen Miranda. Mas isso sou eu.


AS SÓTÃO DA AVÓ

O SÓTÃO DA AVÓ é um lugar mágico e encantado onde podemos encontrar tantas coisas de outras épocas, coisas que nos fazem sonhar com principados anteriores ao nosso reinado na Terra e coisas assim dessas. Neste caso, o SÓTÃO DA AVÓ é um lugar onde não deveríamos ir buscar vestidos (Dakota Johnson incluída, já digo porquê), sob pena das coisas depois não correrem bem.
Emma Stone, a favorita favoritíssima a tudo da noite, a mais favorita de Hollywood e a sensação do momento foi ao Sótão da Avó buscar um Givenchy que não fez nada por ela a não ser confirmar que ela la la pode ter este aspecto ao longo de mil anos seguidos, porque não muda. É tipo aquela teoria da fórmula vencedora imutável. BOCEJO. O cabelinho de lado com as ondas, a corzinha a dar para o amarelo que também pode ser um douradinho, mais assim aquelas reminiscências de outras eras e foi quando vim para casa, tal foi a soneira que me deu. Esperava muito mais, mas foi o que ela conseguiu arranjar, coitada, e esta gente que não tem meios… Pronto. É assim…
Depois a Dakota Johnson, quando apareceu, ninguém gostou. Eu ouvi. Estava com mais pessoas. Ninguém gostou. Eu por acaso disse logo que gostava, fosse lá aquilo que ela trazia vestido o que fosse. Depois ouviu-se que era Gucci, e como agora é obrigatório gostar de Gucci, lá se foi gostando da Dakota Johnson até esta se tornar uma das melhores da noite. Não era difícil, dadas as circunstâncias pobres da red carpet mais aguardada do ano… Enfim. A Dakota foi ao Sótão da Avó e tirou este vestido lindo (amo tudo incondicionalmente), vestiu e pôs-se a andar, porque já estava atrasada. Não lhe deu para dar ali um calorzinho com o ferro, nada, apesar da Avó ter ficado para trás a dizer-lhe que não demorava nada, só que ela precisava de passar ainda numa roulotte para comer um cachorro antes de ir, não lhe desse a fome. Apanhou um táxi para não dar cabo dos pés antes de começar a noite, mas nem se lembrou que ainda ia amarrotar mais o vestido… Sorte que encontrou um gancho no chão do táxi e puxou três farripas de cabelo de cada lado, para lhe descobrir a cara. Mesmo enxovalhada, ia muito bem. MESMO.
A Felicity Jones e a Kirsten Dunst estiveram as duas a ver old movies e a comer gelados e coisas dessas no sofá e, imbuídas do espírito, começaram a mandar fotos para a Maria Grazia Chiuri a dizer que adoravam a silhueta bar e os anos cinquenta de tal forma, que sem sótãos à mão, queriam mesmo muito ir assim de princesas antigas com um twist. E a Maria Grazia pensou num de tule para a Felicity, que tem assim aquele ar cândido e puro, e num preto para a Kirsten Dunst, que já vai estando mais velhinha e sénior na cena das red carpets, num preto. Pronto, tudo bem, elas ficaram mesmo muita contentes e continuaram a ver old movies até terem de se vestir para a festa. A Felicity ia assim digamos que de secador, e a Kirsten ia de neutra. Sendo que o tempo que demoraram a ajustar o vestido à Kirsten prejudicou e muito a Felicity, que ia toda pinguça, coitada, ali com montes de estranheza na zona das barrigas. Se iam mal ou bem? Eh pá, iam de antigas-modernas, sem grande alarido. Neutrazinhas.

NICOLEA Nicole Kidman perdeu a cabeça, e a prova disso é o batom vermelho. Sempre nos nudes ajustados com aquelas sandalinhas assim que dão com tudo e os cabelinhos longe da cara que por sinal está fantástica (NOT), com um trabalhinho de aplicações intemporal num corte intemporal desde o seu tempo, a própria da Nicole está, toda ela, intemporal, e isso é temporalmente muito difícil de se lidar com. Está empedernida e vagamente encerada, perdida num tempo que remonta há vinte anos atrás, quando descobriu esta fórmula.


AS INCARNADAS

Esta crida foi das primeiras a aparecer e disse logo custom made Valentino, mas a Ruth Negga não ia bem. à partida até parecia que sim, mas não. Visto ao pormenor, este vestido, que não pegava com a maquilhagem, que não pegava com a jóia capilar e que não pegava com as sandálias de plataforma, combinado de outra forma teria sido incrível, porque vermelho é sempre vermelho, já a Fafá de Belém cantava nos anos noventa.
A super favorita Viola Davies fez tudo bem e acertou. Dispensava muitíssimo a clutch, mas pronto, ok. Nada a apontar, porque está mesmo mesmo bem.
A Ginnifer Goodwin foi coagida a vestir este Zuahir Murad. Qualquer foto em que apareça prova isto que acabo de dizer. Está sempre com cara de desconfiada ou assim de semi trombas. E não percebo porquê, porque o vestido até é óptimo e giro, apesar de poder dar assim aso a umas inspirações austeras. Mas não. Já olhei para o vestido mil vezes, mas o problema não é o vestido, é mesmo a Ginnifer.

A RUDE GIRL

Por acaso nunca achei a Scarlett Johansson uma rapariga assim digna de nota. Entendo a excitação em torno dela e da cena dela, mas não é bem. Sempre a achei assim com umas feições rudes, pouco finas, assim abrutalhada. Parada com os vestidos, até disfarçava, mas em movimento percebia-se sempre que era mesmo uma miúda pouco elegante. Ontem, com este vestido Alaia todo ele em ciffons esvoaçantes quais cascas de alho, e print finíssimo, aquele cinto mais aquele cabelo, olhei e pensei: aquele momento em que a Sacralett Johansson parece a Pink e tudo começa a fazer sentido. Não, não, não. Péssima e isolada numa categoria só sua.

OS VALORES SEGUROS

Halle Berry é, de facto, um valor seguro. Juntamente com as veteranas Heidi Klum e J-Lo, é consistente numa categoria à qual nem valia a pena fazer um jogo de apostas: estarão sempre vestidas de mal. Corpos fantásticos, boas peles, bons cabelos, boas maquilhagens, tudo de bom, mas depois é sempre isto, que é tipo danças de salão meets tou óptima, meets é na boa porque sou incrível e muita boa onda, meets podem dizer o que quiserem, porque saio sempre por cima. E é verdade. A Halle Berry vai sempre ir péssima, mas acaba sempre nas listas das OK, porque é fixe.
Nunca se fala destas Senhoras, porque são Senhoras que não se prestam a isso, mas este ano a Meryl Streep estava a pedi-las. Depois da polémica do diz que disse entre a casa Chanel e o Karl e a casa Meryl e a Streep, estava tudo ali à espera de saber o que é que a Senhora Dona Meryl ia levar vestido. Consta que pediu à Chanel que lhe pagasse para roupar francês. Consta que o Karl disse que um vestido de 100k por zero dinehiros já era suficiente, e estava o baile armado. Uma Senhora como a Meryl não pode dar-se a estes desplantes, porque é sempre a favorita e porque é sempre politizada e razoável e um dos últimos ídolos consistentes de Hollywood. Não costuma primar por ser das mais bem vestidas, mas costuma primar por ser tão superior aos trapos, que é tudo desculpável. Neste caso… Pronto, uma pessoa tem de falar deste Eliee Saab, que é o que é (vede que até estou com pejo de falar assim da Meryl), e do cabelo e maquilhagem que são sempre o que são, e dos óculos de lentes transitions. A sério. Não dá. A Senhora Dona Meryl, se tivesse ido de Karl, tinha ido muito melhor. De certezinha.
Outra das favoritas da noite era a francesa Isabelle Huppert, que além de ser Diva, é Diva naquela condição celestial que lhe é concedida por ser francesa. O sotaque francês é o único permitido. O único. É Diva virtuosa, é Diva indie, é Diva velha, É Diva em imensas categorias. E depois também é Diva nesta coisa de ir sempre muito bem, naquele muito bem que não amofina ninguém. Simplesinha com um edge nas unhas e pronto. Nunca desilude, nunca ilude, e como contém em si toda a herança de um imaginário colectivo do cliché francês, nem precisa.

A Senhora Dona Meryl não tem fotografia porque fugiu das fotografias…

FRUTA DA ÉPOCA

Esta é de facto a minha categoria favorita, porque não há nada melhor que fruta da época, colhida para comer ali logo naquele instante. Já assim cantava a saudosa Dina, “(…) peguei, trinquei e meti-te na cesta (…)”. Fruta da época são aquelas pessoas que vão vestidas do seu ano, no seu ano, para o seu ano. São pessoas capazes de se identificar com o desconhecido, sem recorrerem ao conhecido, ao prévio, ao seguro. Não lhes chamaria corredoras de riscos, porque esse nem sequer é o nosso tempo, chamo-lhes mesmo e só FRUTA DA ÉPOCA.
E começo pela Naomie Harris em Clavin Klein, magnífica, perfeita, como só uma super heroína pode ser.
Brie Larson, em Oscar de La Renta do ano dois mil e dezassete, os meus parabéns! É que pronto, Oscar de La Renta é sempre estes volantes, como lhes chamava a minha Avó e como lhes chamamos eu e a minha Mãe, sempre estas coisas assim a fazer formas arredondadas e muito evocativas do O do Oscar, só que aqui, é essencial pensar que o vestido é preto e de veludo, o que é logo à partida contrastante com os desejos românticos vigentes. Depois também é essencial olhar para aquele decote hipergótico e bicudo e triangular e afirmativo na sua simplicidade. Depois o que transporta este vestido mesmo mesmo mesmo para dois mil e dezassete e não para os anos dourados da era Mugler, é o comprimento/racha que são do mais libertadores possíveis. Mais um curto, bem óptimo, bem jovem no seu peso.
Sofia Boutella, aparentemente absurda, channels Chanel como ninguém. Channels Chanel da época como nenhuma outra pessoa que queira fazê-lo. Nem a filha do Johnny Depp e da Vanessa Paradis conseguiria este nível. Sofia Boutella com os seus ombros firmes e musculados, que revelam um porte atlético, começa logo aí a desafiar o cliché Chanel das passerelles. Depois o cabelo é incrível e super quero lá saber dos vossos penteados, também muito daquilo que o Karl costuma gostar. E quando é que dá para usar lantejoulas e penas? Tirando nos Óscares, só mesmo em casa, naqueles dias em que uma pessoa se aborrece de morte e fica a vegetar levando a cabo actividades daquels um bocadinho blé e acaba a inventar maquilhagens para tirar fotos no PhotoBooth.

PRÉMIO MELHOR VESTIDO
janelle
Este é aquele momento igual ao momento em que o La La Land era o Melhor Filme e já estava tudo a agradecer quando se percebeu que afinal era o Moonlight, sabem?
Então o melhor vestido da noite, pelo segundo ano consecutivo, é o da Janelle Monaé. NOT. O Elie Saab esteve muito mal este ano nas duas personalidades que vestiu. O da Meryl até tem desculpa, porque é só uma infelicidade têxtil numa Senhora cuja fama têxtil não a precede, agora este… Eh pá. Este é um caso sério. Este vestido não conseguiria ser bem nem numa Met Gala com o tema fosse “O Vidro: Dos sopros da Marinha Grande a Murano”. Era tipo, impossível. E aquele cinto? Sinto muito, mas não. Tudo não. Mais as mãoznhas a segurar dos lados, quais anquinhas, a mostrar que está ali muito trabalho manual… Ai pá… Não. Tudo mal. Sendo que a Janelle já no ano passado esteve muuuuuito mal… Se continuar assim, esta rapariga promete render-se aos VALORES SEGUROS já no ano que vem.


PRÉMIO DESIGNdarby
Este vestido, tido como um dos mais melhores da noite, é apenas um prémio design. É mais do que um vestido para levar a um sítio, mas ao mesmo tempo também não é vestido para levar a lado nenhum, porque de nenhum ângulo deu para perceber a estrutura do vestido. Faço-me entender? Darby Stanchfield, um beijo enorme por teres levado esse vestido e por teres feito questão de o mostrar ao mundo. Era lindo e o branco ficava-te lindo com esse cabelo ruivo. Dispensava o brinco e a clutch, mas é assim mesmo, uma pessoa não pode gostar de tudo.
MENÇÕES HORROROSAS
Um beiijinho muito grande à Karlie Kloss que usou um Stella McCartney a puxar ao Tom Ford da Gwyneth Paltrow, mas que esteve péssimo todo amachucado e a vincar imenso e nem lhe chegou lá perto. Um beijinho também muito especial à Alicia Vikander novamente de Casa na Pradaria gone andadeira, quem, à semelhança da Emma Stone, vai por um bom caminho para se cristalizar. Um outro beijinho à Charlize Theron que vai sempre em J’adorrrr Diorrrr, mas que desta vez lhe correu mal, um beijinho enorme à Teresa Palmer, que deve estar a chorar em casa, e um grande, grande beijo à Michelle Williams e à Emma Roberts, que iam de igual, só que de boutiques diferentes.

A MELHOR DE TODAS? MIMI VALDES.
Captura de ecrã 2017-02-27, às 10.32.02

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