Trashédia

YOU WILL BE HAPPIER WITH LOWER STANDARDS

ÓSCARES – Oitenta e Sete Anos de Terror, Parte II – Trajes de Época

Ora bem, hoje estamos na primeira categoria, “Trajes de Época”.
E porquê?
Porque entendo que esta categoria TEM de existir, não só porque houve épocas em que o trajar era muito diferente do que é hoje, especialmente nestas coisas das carpetes, mas também porque as carpetes mágicas têm sido muito utilizadas para o disfarce, para o traje temático, não sei, que depois nestas alturas acaba sempre por descambar para a época.
Há um desejo qualquer de revisitação do glamour dos anos idos, que não é mais do que uma tentativa sempre com erro de triunfar. E depois faz doer os olhos, e é um martírio.
Vai ser difícil encontrar uma ordem, por isso optei pelo caos, que é, por si só, uma ordem.

1461695-5073-atm14Começo por este peso pesado da comédia, a Querida Whoopi Goldberg, em 1993, o seu ano áureo da TV.
Em 1993, ressacava-se dos excessos da década de oitenta, mas há coisas que não se perdoam, e uma delas é este – como se diria em Beja – destrajo, que é assim uma espécie de macacão de brocado irisado sujeito à aplicação de bolero e saia-cauda em condizentes contrastantes, com detalhe na manga, como que a ligar aquilo tudo assim às três pancadas.
O que é que se pretendia com isto? Fazer rir? Não sei. Acho que ninguém, até ao dia de hoje, sabe. Especulo que isto tenha sido porque a Whoopi não teve tempo de ir à depilação, empenhada que estava em contar piadas. Ou então porque não sabia se havia de levar calças ou saia, se manga cava ou manga comprida (que, para a minha já falecida Tia Victoria, era uma decisão dificílima, já para o fim da vida, porque se fosse de manga por cima do cotovelo, tinha frio, por baixo do cotovelo, tinha calor, e se ficasse mesmo ao meio, trilhava e magoava-a), e na dúvida, decidiu levar tudo neste conjunto que baptizei como “Varejeira”.

geenadavis1992Passamos à Querida Geena Davis, em 1992, ano em que foi nomeada pela Academia na categoria de Melhor Actriz, pela sua prestação em Thelma & Louise.
E ela deve ter pensado que o ideal era ir em vestido de cocktail com bustier, que dá a ideia de ter levado ali um acrescento de cascata de bolo de noiva em chantilly de supermercado, a fazer de causa. Lembram-se daquela Barbie que dava para fazer vestidos em espuma de spray? Saiu em 1990… Algo me diz que isto foi rippado à Barbie Bathtime FUN!
O que é facto é que este vestido também dava para vestido noiva.
Isto são tudo datas importantes na vida da Mulher, a gente sabe, que uma noiva é, assim com’ássim, o mesmo que ser a menina dos anos ou uma das nomeadas para o Óscar de Melhor Actriz, mas também não era preciso tanto.
Aprecio muito as luvas, que são aquele toque de classe que faltava, não é? Aquele toque que é mais ou menos um acidente, e não um mero toque, porque duvido que haja seguradora que cubra isto…
E o detalhe da alça fininha em preto que vai ali ao tom dos sapatos também é muito subtil.
Mas ela estava sorridente, e isso é que importa, não é?
Não sejam más-línguas, pá!

helenabonhamcarter1987Pronto, depois temos aqui um caso que na verdade não tem época, que é o da Querida e Mui Peculiar Helena Bonham Carter. Isto aqui em baixo podia ser a foto de um YearBook, só que é uma foto dos Óscares.
Aqui podemos vê-la em 1987 e comprovar que esta Senhora sempre foi um erro e que, se aqui usava side ponytail, tudo o que viria depois já estava escrito.
A Helena é um caso perdido da fashion, ou não fosse ela 1) inglesa; 2) actriz de teatro; 3) ex-mulher do Tim Burton. Esta combinação de factores só poderia resultar em tragédia, pelo que achei que o melhor seria ir a este look e aplicar a mesma fórmula de horripilância em todos os anos seguintes, até ao de hoje. Helena estará sempre trajada de época, independentemente da época em que estiver, porque é assim mesmo: ela concentra num gown todos os clichés, e isso é o clássico intemporal pessoal dela. Mas só mesmo dela.

kate-hudson-oscar-2001Passamos aqui para um caso muito crítico, que é este desarranjo da Kate Hudson em 2001, vestida de Stella McCartney, esse grande pão sem sal, filha de um pão ázimo.
Se se pode dizer que a Kate Hudson é um ícone? Não. Se se pode dizer que a Kate Hudson se veste de forma memorável? Não. Se se pode dizer que é inesquecível? Sim. Este vestido fez isso por ela, conferiu-lhe a imortalidade, e isso na volta até foi bom, que de outra forma, duvido.
Numa entrevista qualquer há uns anos atrás, a boa da Kate disse que o problema deste look tinha sido o penteado.
OK, Querida, o penteado era muito pior que mau, porque era assim uma espécie de mise num apanhado-desapanhado com farripas penduradas. Lá está, o penteado era mesmo muito muito mau, mas não foi o penteado que estragou o look. Que inocência! Já pensaste, Kate, que por exemplo, a make-up ajudou (e muito) a estragar o look? Quem se lembrou de um batom malva merece um beijinho na cara, depois de retocado o batom, claro está, para deixar uma marquinha na face, que de certeza que cheira a batom velho! A sombrinha também a ir aos azulinhos do vestido faz lembrar a moça mái bonita lá da terra, no dia do baptizado da sobrinha. Já para não mencionar o excesso de brilho. Nem oito nem oitenta. Nem a Angelina Jolie cheia de pó na cara, nem isto. Estava assim tanto calor?
Outro exemplo, Kate, de coisas que ajudaram a que esse look te deixasse nos anais da História: já se te ocorreu que essa malinha género conversão bonita da tradicional caixa de take-away de chop suey com asa também não era lá grande coisa? E pronto, depois o vestido… Não percebo. Não percebi, até aos dias de hoje, este harakiri na carpete. É que é tudo: o bolerozinho de franjocas por causa do frio nos ombros (que nestes dias dá muito) e também para tapar o peito assim muito descoberto, de meia golinha. Os brilhozinhos para dar ali um sainetezinho, não é? mas modesto, nada de grandes doideiras. Nunca cheguei a entender se o objectivo seria entrar no Pride and Prejudice e nesse género de filmes de época que na altura estavam super a acontecer e a ser preparados, se o que foi, mas nem a Keira Knightley, que é um drama dos trapos com forte incidência para a época, nomeadamente para o tempo da Jane Austen, nem essa, alguma vez conseguiu esta proeza.
Isto foi péssimo, Kate.
Pronto, é só.
francesmcdormand2001Em 2001, também, a veterana Frances McDormand estava numa fase asceta e fez questão de transpor esse seu estado de alma despojado para a carpete. Foi um look de ir ao tapete, este em modo mortalha de linho meets camisa de dormir do alto medievo, baixo renascimento meets kurta indiana. Um look trágico para a carpete, com o cabelo numa miséria, e a caracterização / make-up do ataque alérgico, da alergia aos ácaros da própria da carpete.
Tudo enxovalhado e com uma pregadeira para não sei bem o quê, e está pronta a servir.

kimbassinger1990

Kim Bassinger, em 1990, surpreendeu tudo e todos ao trajar vestido de manga assimétrica, saia modelo bolo de noiva, com luva e uma coisa que na verdade era meio bustier meio casaco à la Mugler. Pronto. Não correu bem. Não não não. Mas foi por causa do branco acetinado. Porque noutra cor, tenho a certeza que teria funcionado.
Como na bula de um medicamento, em caso de dúvida, consulte um stylist porque está visto que desenhar o próprio modelito não resultou.
CRUZES!
pam lizhurley oscars 2001

Por último, hoje gostaria de encerrar com uma dupla de época.
Tiveram uma época, que são os anos noventa.
Nessa época podiam fazer o que lhes desse na real gana, e isso é incrível.
Mas pronto, não sei se lhes terá corrido muito bem.
Isto consta que foi já depois dos Óscares, em 2001.
Pam e Liz Hurley.
MEU DEUS.
Colossais.
Para já, AS DUAS, não é? E depois a mini saia de ganga de bainha desfeita (seria para tapar mais meio centímetro de perna?) com a camisa branca à cantora lat(r)ina, atada e desabotoada em jeito de provocação e o colarzão cravadinho de Swarovsky, óculos máscara super anos zero e pronto, aquele cabelo entre o oleoso e o resto de uma esfregona velha.
Depois a Liz, né. Sempre naqueles glamours que implicam brilho, alcinhas, decote e rachas.
O Roque e a Amiga, portanto.
ENORMES.

Espero que aguentem o de amanhã.

0

Deixar um comentário

O seu endereço de email não será publicado.