Trashédia

YOU WILL BE HAPPIER WITH LOWER STANDARDS

POST FÉMINA – A Numeração

Para as Mulheres normais – ATENÇÃO!!! ESTE É UM POST FÉMINA – há milhares de factores que influenciam os dias de compras.
Um desses factores, diria até que o mais importante, são os tamanhos.
Os tamanhos são o pântano de uma ida às compras.
Ninguém quer ir às compras quando sabe que engordou mais uma grama, depois de ter almoçado, em dias de menstruação, em dias em que está com a telha, em dias de combinados complicados, em dias com pouca paciência, etc…
Uma das coisas que sei perfeitamente é que todas odiamos os nossos corpos – sim, momento ideal para a terapia de grupo virtual e em modo mono – e que todas temos truques para esconder partes.

Numa cidade como Lisboa, uma ida às compras pode causar danos irreparáveis, desencadear dietas abruptas, até mesmo greves de fome, inscrições em ginásios que nunca irão ser frequentados, compras de pacotes de massagens anti-qualquer-coisa e ainda crises de identidade.
Tudo isto porquê?
Por causa da pouca oferta/variedade de comércios em Lisboa, passíveis de ser visitados pelo comum dos mortais com a intenção de comprar.
Porque… Para window shopping, preferimos a internet!…

O pior de Lisboa é a invasão de lojas de marcas gigantes, onde tudo é lindo no catálogo, mas porque foi bem fotografado e pós-produzido, ou porque, pura e simplesmente, se é um esqueleto com pele e tudo cai bem.
Aquilo que pode fazer com que qualquer coisa seja da nossa equipa, é o corte. Aquilo a que se chama “corte “, na maioria das lojas que temos ao nosso dispor, é quase sempre uma porcaria a direito, confeccionada em série em fábricas sabe Deus onde, com tecidos vagamente absurdos e muito sintéticos (logo mais baratos), sem forros, sem boas costuras… Sem cuidado… Pronto, sem cuidado absolutamente nenhum para com as giras que somos todas! (YEAH, RIGHT!…)
One cut fits all, pá… XAU.
E one size fits all, também… XAU!

Ainda há aqueles dias de grandes tentativas em que se vai a uma loja multimarcas, onde somos assistidas por vendedoras muito solícitas, que nos trazem vários tamanhos da mesma peça e nenhum assenta, e começa a ficar calor no provador, e estamos em trajes menores, e começamos a espremer borbulhas e pontos negros ao espelho entre cada ida e volta da dita vendedora com mais números do mesmo modelo que continua a não assentar de maneira nenhuma e depois já começamos a lamentar a falta de uma pinça, também, e ignoramos a presença de algumas partes do nosso corpo até que chegamos ao momento em que admitimos que aquilo não é, de facto, para nós e passamos à fase seguinte, que é aquela em que concordamos com a sugestão da vendedora, que nada tem a ver com aquilo que queremos, mas que… Pronto… No acto desesperado das compras não levarem a melhor, cedemos… E depois a sugestão também não serve e reparamos que ela trouxe qualquer coisa dez números acima e acabamos por nos sentir insultadas e só já vamos é vestir o que trazíamos, que é garantido, e sair da loja já de óculos de sol postos para evitar que nos vejam os vergões vermelhos da fúria das nossas unhas nos poros da face… Mais os olhos rasos… Ainda bem que ninguém nos vê os cérebros plenos de resoluções…!

As justificações para estes fracassos são várias, e são-nos sempre dadas de acordo com a nacionalidade dos que desenham o que decidimos experimentar.
Ah, sim, mas trago-lhe o 38, que isto é um 36 italiano…” ou “é numeração francesa, conte sempre mais dois números…” e “é um 34, sim, Querida, mas da H&M!…” ou o melhor de todos “Ah! Claro!… É que tem um bocadinho de elástico…
Isto é de uma crueldade infinita.
A numeração.
Aquando do confronto com este género de discrepâncias lembro-me sempre de como na escola tive de aprender a numeração romana, coisa que só me faz falta em ocasiões muito específicas. E penso que o saber não ocupa lugar. E que o meu rabo não entra nas calças porque ainda sei numeração romana. Ou… Não interessa!…

A questão é que a numeração da roupa é talvez a pior coisa do Universo Fémina e não sei como é que se combate sendo a pessoa latina e por isso recheada no que às ancas diz respeito. Nunca nada entra em lado nenhum. Onde andam os fabricantes latinos? Terá o corpo feminino perdido as formas? Ou já só se pode comprar se vestirmos, no máximo, um 36? O QUE É QUE ACONTECEU?

De todas as perguntas que me fazem sobre como comprar bem ou mal ou assim-assim, não há respostas que consiga dar, nunca.
E é precisamente por isto, porque dependendo da confecção, a compra é boa, má, ou assim-assim.
E nem tem a ver com a influência do factor psicológico na numeração!
Nada disso!
A boa ou má ou assim-assim compra está inteiramente relacionada com a relação qualidade-tamanho de cada fabricante.
Porque é muito fácil fazer um 36 que assente bem a todas as pessoas que usem 36, mas é a partir do 38 que a coisa começa a descambar verdadeiramente.
A confecção é, de facto, a melhor coisa que uma marca pode ter.
Por isso, no meio das mil outras coisas que temos de ter em conta, há que ter sempre, também, em conta, a nacionalidade da marca escolhida e as suas respostas às morfologias-tipo de cada público-alvo. Parece muito estúpido, é verdade, mas é assim, e as marcas continuam a esquecer-se de como a venda online ou a abertura de lojas por todo o mundo as transforma em não-específicas para uma nacionalidade só.
Efeitos da globalização…!
Só que não existiu nenhuma espécie de globalização nos corpos, e ainda não nos nasceu o sexto dedo…!

Se de todas as marcas que consumimos, conseguirmos isolar aquelas que nos proporcionam boas calças (andamos sempre à procura do par de calças perfeito, porque invertemos totalmente a relação entre o nosso corpo e o objecto, ou seja, não é o nosso corpo que tem de ser perfeito, é o objecto que tem de ser mais flexível! É ó objecto que tem de se adaptar, senão olhemos para os preços dos objectos e para as suas não-competências…!), por exemplo, teremos a tarefa muito mais facilitada.
Até há algum tempo não conseguia entender porque é que marcas como a Salsa vendiam tanto em Portugal e países latinos.
Mas depois percebi: porque fazem calças em que os rabos das portuguesas (e latinas em geral) entram sem esforço, sem lágrimas, sem frustrações de maior.
Inteligência.
Na verdade nunca experimentei umas calças Salsa, porque não gosto muito das lavagens e dos bolsos e da maioria dos detalhes, mas tenho a certeza que o meu rabo não se iria sentir como se sente na maioria das vezes quando quer entrar num compartimento de tecido e não o deixam…!

Tudo isto para vos dizer que ir às compras é um martírio e que evito o mais possível fazê-lo e que às vezes não vos posso mesmo ajudar… Que estou convosco, sim, bando de Mulheres que sofreis em silêncio com o pesadelo dos números e da magreza!
Amores, também queria vestir o 32 italiano – que deve ser um não-número – mas acontece que nem bulímica a coisa iria lá…
Por isso este é um post solidário para com todas as Guapas que por aí andam e que continuam a vir aqui ler-me.

SISTERS, UNITE!

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4 Discussions on
“POST FÉMINA – A Numeração”
  • Pronto, ok, percebi que não sou latina, não há calça da Salsa onde o meu rabo entre… mas entro nas calças da Primark, serei Irlandesa??? Vá, fora de brincadeiras, é um facto que a numeração das lojas deve ser a piada de maior mau gosto jamais existente, e talvez a prova de que deus existe e é um fdp with a sick sense of humour como já cantava o Dave Gahan mais os seus amigos dos Depeche Mode. E posso contar-te o exemplo dos tempos em que eu vesti um 36 – ena pá, é verdade, JÁ vesti um 36, na pré história! – e fui comprar uma saia á Zara e ficava a nadar naquele 36, e fui buscar um 38 e entrei lindamente, e quando pus a saia 38 á frente da 36, verifiquei que o 38 era mais pequeno que o 36. E que o 40 era mais pequeno que o 36. Hoje em dia fico deprimida por já não acontecer uma coisa dessas…
    http://fashionfauxpas-mintjulep.blogspot.pt/

  • Oh por favor, as mulheres têm sempre do que se queixar. Eu reclamo do contrário. Detesto ter de ir comprar calças porque a maioria não me serve. 36 é quase sempre grande e o 34 parece que foi feito para a secção de criança. Quando me deixam entrar nelas esmifram-me toda, nojento!
    Depois o resto é igual com todas: frustração » irritação » e vontade ZERO de voltar a comprar calças.

  • Algo nada a ver mas cientificamente correcto, ter seis dedos é mais que normal, é de facto dominante, a maior parte da populaçao é recessiva para o gene e como tal so tem 5 dedos. E garanto que quem tem 6 dedos, faz por ter 5 para ser igual ao mundo….

    Relativamente aos tamanhos e ao cair ou nao cair bem tenho uma recomendação trabalhosa, aprender a cortar e a coser tecido parece-me uma excelente opção.
    Passam a ser originais, unicas, com qualidade e no caso das calças, nao falta tecido e consequentemente os bolsos não abrem! 😉

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