Trashédia

YOU WILL BE HAPPIER WITH LOWER STANDARDS

PROIBIDO PROIBIR

A propósito da notícia absurda dos polícias que numa praia em Nice, França, obrigaram uma Mulher muçulmana a despir-se, comecei a ver online muita reacção.
A reacção básica primeira foi sob a forma de fotografia de umas freiras a molhar os pés, também elas vestidas, porque a decisão básica primordial é a do confronto religioso, do confronto com o ódio religioso.
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Escolhi esta imagem porque é sempre melhor responder com arte.

Eu como devo ser de outro estado mental, perguntei-me porque é que a Mulher muçulmana não questionou os polícias em exercício do dever, também eles vestidos. Perguntei-me porque é que algum ser humano deve obedecer a uma (e a partir daqui tudo é amplamente questionável) ordem que evoca uma ideia de fardamento específico do corpo quando disposto num determinado local, sendo que a força que exerce a força está, ela própria, vestida.
Achei bizarro.
Seria essa a minha primeira pergunta:
– Sr. Agente, porque é que eu tenho de me despir?
– Porque a Srª está vestida na praia.
– Mas o Sr. também está.
E era tipo… Jogar ao despe?

Eis a imagem: 4252
No mínimo, a polícia em exercício na praia deveria vestir-se assim:

Depois pensei noutra coisa que deve influenciar, em muito, esta ânsia de proibir o uso de coberturas na praia. Isto porquê, porque começou logo tudo mal. Como é que chamamos às coisas que vestimos para ir à praia?
FATOS DE BANHO.
FATOS.
O que é um FATO? Um FATO, segundo o dicionário, refere-se a um conjunto do vestuário masculino constituído por três peças, calças, casaco e colete; no caso do vestuário feminino, é apenas exactamente a mesma coisa, só que com saia. Vender stuff.
Logo, porque é que começou a chamar-se FATO de banho? Porque na eventualidade de se ir ao banho na praia, quando as pessoas começaram a equacionar essa eventualidade, não sabiam nada, porque foi no início, não é, e pronto, qualquer coisa é um fato. Fato de macaco, fato de banho, fato de astronauta, fato de treino… FATO. Tudo é FATO. Que redutor e que já-deviámos-ter-começado-a-tratar-destes-problemas-ao-nível-das-denominações-das-coisas.
Quando o pessoal vai ao banho não leva calções ou bikini?
Não faz sentido nenhum, não é?
Exacto.
Eu penso da mesma forma. Se é para a praia e em corpos livres, não pode ser FATO, porque FATO remete para todo o oposto do que se vai praticar à praia, não é? FATO é a prisão citadina quotidiana (assim em simbologias rápidas, que é Agosto), por isso para ir de férias e em descanso, não pode ser FATO.

Pensei, depois de pensar nestas coisas todas que mencionei em cima, em tudo o que desapareceria se fosse, efectivamente, proibido, estar vestido na praia. Em todas as coisas que povoam os Pinterests de todas as pessoas que têm esse ideário de que a praia é um local de liberdade, amor e paz, onde se pode deixar a mala na areia sem que ninguém roube nada, estão a ver esse género?

Desapareceriam actividades como acampar na praia, cena super douche que há pessoas que adoram e fotografam e descrevem como o epíteto da felicidade.  90528217
Acabariam também os piqueniques na praia, essas formas tão crocantes de celebrar o amor com comida cheia de areia.romantic-picnic-at-the-beach
Teríamos de ressarcir todos os que contribuíram para a prosperidade da indústria cinematográfica norte-americana e dos filmes choninhas em que o amor não escolhe idades e que a praia, no Inverno, é tão mais romântica porque está deserta e assim. Deixo-vos com um exemplo de 2003, Diane Keaton e Jack Nicholson, na praia, WOW.715
A MODA iria para o galheiro, porque enquanto que aquelas produções todas WOW, nos hotéis e nas locations também todas WOW, custam um certo caracanhol, na praia, se uma pessoa tiver as roupas, sai a custo zero, ‘né?

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E dava-se cabo de uma cena que é mesmo muita WOW, que são os casamentos de praia. Tipo, acabavam. Isto tudo, acabava. Acabavam todos os casamentos nas Maldivas e em todos os destinos paradisíacos. Tudo. Nunca mais se podia. Ficava PROIBIDO PARA SEMPRE. E, claro, eliminavam-se da face da Terra todos os registos da existência de tais manifestações. Mais de metade dos álbuns do vosso Pinterest, desapareciam de um segundo para o outro. Passava a ser associação criminosa combinar “beach” e “wedding”. E passariam a ser investigadas todas as pessoas que o fizessem. Penas de prisão e quê.

Também passaria a ser proibido vestir praias, em geral, que é uma coisa que nunca ninguém perguntou às praias se gostavam, não é? POIS.boho_beach_68
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Por ordem de razão, tudo o que é o cool style da beach e das beach babes, seria, também, aniquilado, não é? Isto que aqui se mostra, era vanished. Primeiro eram os cabelos descolorados nas pontas, depois eram estas poses, depois eram os cabelos na cara, depois eram as caras de prazer, depois era… TUDO. Tudo para o galheiro.
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Outra das coisas que daríamos por terminada eram os vendedores de praia, que fazem as delícias de todas as Castanhas que querem regatear cangas e malas e todas as coisas contrafeitas que os vendedores ambulantes de praia carregam nas varinhas. Mais as bolas de Berlim, que são a DDR de hidratos que a Castanha agora ingere, desde que aderiu a tudo healthy e green e orgânico. Não era? Imaginem. Acabava também isso. Mas também… Depois de tudo acabado… Para que é que serviriam os vendedores ambulantes, não era? Ainda assim… valiantvendors3

Seria eliminada dos estúdios da Rede Globo, entre tantas outras, uma memória colectiva, as Mulheres De Areia. Sim. Sim. Era tudo vestido, na praia. mulheresdeareia-versao2

 

Também impolida já o mais recente namoro da Taylor Swift:

Também era o fim para alguns episódios da Família MERDIÁTICA Kardashian:53a0be0f03833_-_cos-01-kardashian-beach-de
E tipo, o que vem sendo o SURF e o lifestyle associado ao dito cujo, pelo menos nos países em que a água não está sempre a 30ºC, também acabava. Tipo, para sempre. Porque em bom rigor, os surfistas vão para a água VESTIDOS COM UM FATO. LOOOOOOOOOOOL. O que seria!
Aqui alguns instas do meu Marido, @carlospintophoto, que é a pessoa mais SURF do meu mundo.

Conclui-se, portanto, que tudo o que é relativo ao comportamento normativo da ida à praia e das sensações associadas à praia, deixariam de ser normativas, não era? E também se conclui que há imensa gente que ainda não se adaptou ao dress code obrigatório da praia, não é? Que ainda há muito por fazer, especialmente ao nível dos uniformes, não é?

Parece que o único órgão que preza a verdadeira integridade do dress code da praia e que, por tal, revela imensa coerência sazonal é a CMTV, que tem as repórteres de bikini, na praia.
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1 Comentário sobre “PROIBIDO PROIBIR”
  • Não entendo se quem escreveu isto foi como brincadeira ou se está a falar a sério… no caso do ultimo, mostra mesmo só burrice, por falar tanto sobre um assunto que percebe zero. A questão não tem nada a ver com estar vestido na praia. O que é proíbido nas praias de frança é o uso de vestes que simbolizem radicalismos religiosos, e neste caso, refere-se aos mulçumanos. França é um estado secular e, sinceramente, o mundo todo estaria melhor se todos os países fossem assim.

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