Trashédia

YOU WILL BE HAPPIER WITH LOWER STANDARDS

RICARDO PRETO MODALISBOA VISION

Uma das coisas que referi no post anterior, foi a noção muito evidente, por parte dos criadores, de que a Moda serve o indivíduo. Ou deve servir o indivíduo. Neste caso, a Mulher.

Com desfile no Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, 8 de Março, a colecção do Ricardo Preto não poderia ser mais certeira.
Ao mesmo tempo que a escolha das silhuetas evidencia uma forte ligação com o feminino e com a defesa do que é belo, esta é uma colecção muito forte do ponto de vista comercial e conceptual.
Materiais consistentes combinados com outros de natureza fluída e delicada envolvem Mulheres guerreiras, activas, de pisada forte. Tons dominantemente escuros, padrões geométricos e apontamentos de cor que nos transportam para um universo citadino, por isso rico e vasto em cores fortes que evocam resistência. Linhas direitas e tons suaves, uma variedade enorme de alturas de saias e casacos, camisolas mais industrializantes, porém altamente formais, detalhes e conforto.
Quando penso no Ricardo e no trabalho do Ricardo, quer na primeira linha, quer na Meam by Ricardo Preto, penso sempre em saias (porque as adoro e porque ele sabe fazê-las), em vestidos e sweatshirts. Penso em como numa peça, o Ricardo me salva os looks diários de quando estou mais atolada em trabalho e não consigo pensar muito em estar decente para além do básico calça preta t-shirt branca. Penso em roupa que vestiria muito facilmente, para as mais variadas ocasiões. Penso em casual chic. Penso numa espécie de mulher que vai da minha Mãe às minhas amigas. Penso no que o Ricardo dá a um vasto universo de mulheres, porque as vejo, com frequência. Porque vejo, com frequência, peças do Ricardo pela rua.
Os casacos de pelo pesados em cima de corpos nus (AMO!), os sapatos rasos e as botas de tacões largos e solas de boa tracção para a calçada portuguesa (WOW!!!), o casaco de Inverno azul bebé (QUERO!!!), os perfectos oversized em materiais maleáveis e quentes (tudo aquilo que desejo para o Inverno!), os folhos e detalhes überfemininos nas peças mais gender bender (OMG!!!)!!!

Babanço de ovo à parte (obrigada pela expressão, Hon!), acho que esta colecção é muito forte e que foi muito bem editada.
A coesão entre os looks mais girly e fluidos dá depois lugar a uma série de looks que evocam uma mulher activa e forte, prenhe de necessidades estéticas.
O uso de materiais como o jersey e o rib fazem das calças e camisolas peças muito confortáveis e com óptimas amplitudes.
A redução de ornamentação e a aposta numa maquilhagem que me fala directamente ao coração (a minha teoria é que um batom faz TUDO. Um batom vermelho num dia de chuva ou num dia de sol ou num dia seja lá do que for e com o que for, faz TUDO! É só preciso ter o buço em dia, que o vermelho estende-se da boca aos ténis rotos, do glamour à liberdade) faz com que o desfile seja verdadeiramente sobre a colecção. O foco está na criação. E muito bem.

Este foi um dos desfiles de que mais gostei aqui do meu poleirinho, à distância, porque pela primeira vez em alguns anos, não estive com o Ricardo, a Musa (Cláudia <3), a Ana, a Magda, a super maravilhosa Lúcia e toda a equipa que faz com que isto seja possível, duas vezes por ano. Amo ver os meus amigos crescer e ser maravilhosos. Amo rever-me em algumas coisas, ou saber de onde é que veio X ou Y. Dá-me muito gozo.
Por isso, Ricardo, WOW!







Fotos Rui Vasco

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