Trashédia

YOU WILL BE HAPPIER WITH LOWER STANDARDS

trabalhar faz bem

Esta é mais uma semana em que tudo acontece, e em que não faço mais que trabalhar longuíssimas jornadas, debaixo da vaga de calor. É daí que vem a minha ausência. Estou literalmente debaixo da vaga de calor, porque ainda não lhe fugi nem um segundo. Debaixo, coberta por uma tenda colorida concebida por Marisa Vinha, quem, certamente, nunca esteve debaixo dela, dentro dela, como queiram, nas horas do mais intenso calor que houve este ano. Também acredito que ninguém tenha pensado nestas datas de propósito. O certo é que, acampados que estamos no jardim da Fundação Calouste Gulbenkian, ao abrigo do Próximo Futuro enquanto planeamos o nosso Verão Árabe em condições duras, sinto que trabalho numa mina ou numa fundição. E já sei que, em alturas de finissage, nunca se está bonita. E também sei que não se pode andar de sandálias nem descalça (segunda tentativa e erro, hoje), embora se pise um relvado do mais cuidado que há, porque há sempre coisas que magoam pés e objectos inusitados pelo chão, os quais podem impedir o artista de prosseguir o seu trabalho. Impediriam certamente, a esta altura do campeonato, o artista, de estrear e de viver a profunda nostalgia que a efeméride causa. É também vagamente impossível suportar alguma roupa decente. E é muito difícil interagir com a massa técnica de cuecas à mostra. Não há escolha: é estar tenebrosa e pronto. É assumir isso tudo e rezar para que o calor não derreta o batom vermelho – o qual para mim, é A réstia de dignidade. E é rezar para que tudo aquilo que está longe do meu alcance corra bem.

É mais ou menos isso.

E também suponho que seja mais ou menos isso o que está a acontecer entre o número 64 da Rua do Norte, no Bairro Alto, em Lisboa, e o número 224 da Rua Áurea, na Baixa Pombalina, também em Lisboa: últimos preparativos para uma vernissage: a Carhartt muda-se do Bairro para a Baixa e inaugura nesta 5ª feira, dia 28 de Junho. Paralelismos à parte, acredito piamente que eles estejam tão afogados em coisas como nós e que nem tenham tempo para se coçar, e que, na 5ª, estejam vagamente mortos, mas com aquela sensação de dever cumprido, que hoje já muito pouca gente conhece. E embora WIP signifique Work In Progress, espero que tenham tudo pronto a tempo de dormir a sesta (e de descansar depois nos outros dias).

Este é um moodboard que fiz para nós: eu com a T-Shirt ultra comemorativa que me enviaram, já toda recortada à minha maneira, mexican vintage skirtwestern vintage belt e o meu bling habitual (Must da Cartier), acompanhada por vários tipos de trabalhadores evidentemente norte-americanos, babes oleadas do teledisco da Satisfaction, desse grande azeiteiro (que AMO) que é o Beni Benassi, a belíssima Emanuela com suricatas, fotografada pelo Peter Beard para o calendário Pirelli de 2009, um senhor genérico, peludo e suado em tronco nu, mais uma jovem latina de generosos seios em bikini, e mais umas pessoas a preto e branco, com ar de trabalhadoras, e um fragmento de sinalética mui curiosa e relacionada com a realidade misógina implícita nas Mil e Uma Noites e no Universo laboral do esforço.
(Não me interpretem mal, mas isto é o resultado da amálgama de coisas que o meu cérebro apreende e processa e depois congrega e é tudo isto que me vem à cabeça quando penso em trabalho e em Carhartt. Desculpem qualquer coisinha, foi do coração.)

Nós estaremos AQUI, caso queiram vir experimentar as nossas MIL E UMA NOITES durante a baixa de temperatura do fim de semana! (Depois informo melhor!)

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