Trashédia

YOU WILL BE HAPPIER WITH LOWER STANDARDS

TROPA-FANDANGA ataca de novo e em força!

No ano passado fiz muitas coisas lindas, sendo que destaco naturalmente a minha filha, a “TROPA – FANDANGA” e um par de óculos de sol.
Este ano, na vigésima edição dos Globos de Ouro, certame SIC/CARAS, a “TROPA – FANDANGA” está nomeada na categoria de Melhor Espectáculo de Teatro. E como vamos começar, já na semana que vem, os ensaios por causa da reposição da mesmíssima “TROPA – FANDANGA” e comecei a revisitar a dita cuja, aqui vos deixo com algo que seria irrevelável no ano passado, mas que este ano faz todo o sentido partilhar.

Uma vez que fui eu quem fez os figurinos do espectáculo, este é o meu caderno de amostras, desenhos, referências, medidas e anotações.
A nível conceptual, no contexto do espectáculo e também no contexto económico em que este espectáculo foi criado (o orçamento para os figurinos de uma Revista no Teatro Nacional era, infelizmente, muito pouco) e também no sentido de respeitar a lógica dos figurinos numa Revista, deitei mãos à obra.
Pensei imediatamente em duas coisas: criar um guarda-roupa base que funcionasse como unificador entre quadros e personagens (todos tínhamos uma farda), que remetesse para a ideia de farda, mas que não fosse necessariamente uma farda. Decidi por isso utilizar chitas para a confecção de todas essas fardas, muito porque a chita é um tecido leve (palco, luzes, CALOR!!!), com imensas variantes ao nível do padrão, e muito identificável com um Portugal pitoresco e muito rústico.
Cada farda tinha três peças: camisa, bivaque e uma parte de baixo adaptada a cada conjunto de personagens: as coristas tinham uns calçonetes, os homens tinham calças, as mulheres, saias.
Os sapatos correspondentes às fardas também foram concebidos por mim, inspirados no calçado típico alentejano, e confeccionados à mão pelo grandioso Mário Grilo, que foi incansável, imbatível e inigualável. Para os homens, esses tais sapatos, em carneira escovada, com pala, sola de sola e atacadores encarnados. O Mário até me fez a maravilhosa surpresa de gravar “TROPA – FANDANGA” no calcanhar do lado exterior de cada sapato.
Para as coristas, o Mário fez uma botinhas entre a bota alentejana e a bota flamenga, em pele encarnada.
Para todos os quadros possíveis, idealizei roupa e tive a sorte de a poder fazer.
Para todos os que não foram possíveis, foi assim digamos que pesquisa: do armazém do Teatro Nacional Dª Maria II à Humana, passando pelo já natural arraso à minha roupa que compro às vezes sem precisar, à qual chamo carinhosamente “arquivo”, fui a todo o lado. E consegui vestir toda a gente.
Uma semana antes da estreia, já tinha tudo pronto. Coisa que no Teatro não é propriamente fácil ou possível.

No dia em que se fizeram as primeiras provas, houve medo.
Especialmente porque uma das regras que apliquei para as fardas foi encontrar e combinar tecidos diferentes para cada um dos coordenados e a chita digamos assim de fininho que é… Estridente.
Uma vez que éramos treze pessoas, isto perfaz um total de 39 tecidos diferentes, já que cada pessoa tinha três peças de roupa e que os padrões não poderiam repetir-se entre si. Regras que criei para dificultar a minha vida, mas para tornar o ambiente estético qualquer coisa.
No dia em que se fizeram as primeiras provas e tirei fotografias a tudo e cheguei ao ensaio com tudo para mostrar aquilo para que se encaminhava o resultado final, do medo passámos para a parte da excitação total. Da chitação total.

Não quero alongar-me mais em nenhuma espécie de palavras ou coisas do género.
Só quero dizer que o Teatro Praga é o grupo das pessoas mais maravilhosas da Terra.
O Teatro Praga foi o primeiro grupo de pessoas capaz de confiar em mim, desde o primeiro dia, e na minha forma de ver a roupa dentro e fora do palco, na vida real e na vida ficcional, que são a mesma coisa, mas isso não interessa nada.
O Teatro Praga foi a o primeiro grupo de pessoas capaz de respeitar a minha hiperactividade e aceitar que conseguia vestir 13 pessoas em 18 quadros, organizar tudo e ainda fazer o espectáculo.
O Teatro Praga é o meu tudo e faz-me muito feliz. É o motivo pelo qual voltei de lá e quis ficar.
Só quero dizer que a “TROPA – FANDANGA” está nomeada para os Globos de Ouro, que são já amanhã, e para os prémios da Sociedade Portuguesa de Autores, que são já depois de amanhã, e que isso é tudo muito estranho.

E também acrescento que a “TROPA – FANDANGA” vai voltar já no mês que vem.
Dias 13 e 14 de Junho, no Teatro Rivoli, no Porto e de 24 a 28 de Junho no Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa.

Importantíssimo dizer que as fotos do caderninho são minhas, e que para verem as fotos de espectáculo e figurinos propriamente ditos, da mui divina Susana Pomba, a.k.a. Miss Dove, consultem este post do blogue dela: TROPA – FANDANGA BY TEATRO PRAGA AT TEATRO NACIONAL D. MARIA II, uma vez que não as consigo roubar para por aqui.

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