Trashédia

YOU WILL BE HAPPIER WITH LOWER STANDARDS

VISION É VISÃO

Olá,
Bom Dia,
Espero-vos tão óptimos como eu!

Hoje começa a ModaLisboa.
Sou blogger convidada, com algumas restrições de horário devido ao facto de estar a dar à perna uns quarteirões mais acima, num espectáculo magnífico chamado “TROPA-FANDANGA“, o qual decorre entre umas horas difíceis de compatibilizar com alguns desfiles.
Ainda assim, irei o mais que conseguir, ver coisas.
Sem ser no backstage.

De tudo aquilo que poderia dizer sobre a ModaLisboa, sobre aquele que é hoje o certame-espaço de pavoneio oficial bi-anual, percebi que o mais importante para os fãs da ModaLisboa é sempre aquela coisa do estilo da rua. Na rua. Ou à porta da Moda.
Para os que acreditam que a vida das pessoas da Moda é um boudoir permanente, está tudo bem, podem seguir em frente, que não há nada que enganar.
Para os que acreditam que a Moda é gótica e que Moda que é Moda se faz de preto, a aposta está ganha, porque estarão sempre bem, sendo que o ideal é terem deixado de comer sólidos há coisa de um par de semanas para o vosso corpo apresentar arestas onde deveriam estar articulações. Que é para o preto resultar muito bem.
Para os que preparam outfits com demasiada antecedência e davam um rim para serem como a Anna Dello Russo e terem um lugar para trocar de roupa entre desfiles, as casas-de-banho dos estabelecimentos ali ao lado funcionam que é um regalo. E também está tudo bem.

Para os que fazem Moda e trabalham em Moda e na Moda e com a Moda, não posso agradecer-vos mais do que já agradeci e continuarei a agradecer. Obrigada. Só quem sofre por aquilo que faz, pelos partos difíceis que são os nossos meninos, é que sabe que a roupa é a última coisa em que se pensa nestes dias. Porque os dias anteriores foram de puro caos, stress, horas intermináveis ao telefone, a ver os e-mails e a rogar pragas a quem deixou o estrado mal montado ou ao desgraçado que ainda não entregou não sei o quê. Só quem não faz ideia do que é produzir um evento é que acha que o outfit de alguns dos mais importantes da organização, é criticável. Não há produtoras de saltos de agulha e vestidos em tubo, muito menos RPs de sedas ou chiffons, porque, pura e simplesmente, não dá para viabilizar eficácias nesses preparos.
Porque cada vez mais é preciso engajar neste género de discurso que à partida parece paternalista, e dar graças a quem continua a sonhar com um espaço onde as indústrias de Moda portuguesas podem apresentar-se ao mundo, é que digo estas coisas. É que me solidarizo com as causas e participo e me junto. Porque desde as Manobras de Maio, em 1987, até hoje, há muita légua percorrida, muita história feita, e muito reconhecimento por atribuir.
Não me interessa se a ModaLisboa é à portuguesa ou à francesa, não me interessa em absoluto, porque sei que se pensa localmente e se age a nível global, porque sei que toda a equipa da ModaLisboa é composta por gente que anda nisto há muito tempo (como nós cantamos na TROPA todos os dias, “(…) Isto é muita página virada em palco | A ver o futuro por um canudo (…)” ) e que, mesmo face a todo o tipo de constrangimentos, restrições, obstáculos e impossibilidades cósmicas, continua de cabeça erguida a proporcionar este certame.
E se há dias em que penso no que é que vai ser a minha vida daqui a uns anos, comprovado que está o estrangulamento das Artes em Portugal, olho para pessoas como a Eduarda (Abbondanza) e sei que o caminho só se faz caminhando, que a estrada é longa e que há gente maravilhosa em cada paragem. Também sei que há gente horrorosa e que é a combinação dos horrorosos com os maravilhosos que faz o caminho possível e mais desafiante. E também sei que a Moda é uma das indústrias que mais emprega gente em Portugal e em que menos se pensa neste país. E também sei que a maioria das pessoas pensa de forma retrógrada neste tipo de eventos, porque é Moda e a Moda é isso… Nada. Concordo ao contrário.

E porque não existe cá (na minha cabeça) essa ideia de moda nacional ou de pequenez associada a este evento – que de pequeno, no nosso contexto não tem nada – quero ir lá ver e participar nesta festa, da qual já venho fazendo parte há alguns anos, devido à amizade que cresceu entre mim e o Ricardo Preto, por exemplo.

É verdade que ainda há muita coisa por fazer, dizer, consumir e consolidar, mas… De outra forma isto seria uma seca igual à cerimónia dos Óscares, sem espontaneidade, sem espírito, industrial.
E se às vezes a falta de dinheiro é constrangedora, então os apoios têm de se procurar de outras formas e o certo é que esta cruzada não pára!

A ModaLisboa é a prova de que o futuro depende do que andámos a fazer até ao presente.
Por isso muito obrigada por me terem convidado a participar desde dentro, na ModaLisboa e muitas desculpas por não poder estar a mil por cento convosco.
Estarei o mais que conseguir!!!

UM BEIJO A TODOS, e VISION É VISÃO. E VISÃO É AQUILO QUE SE TEM QUANDO NADA NOS TOLDA O JUÍZO E PODEMOS PENSAR PELA NOSSA CABEÇA E AGIR COMO NOS APETECE. VISION É CONSEQUÊNCIA DE FREEDOM!

Até Já!

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