À NOITE, SÓ À NOITE

(Ele o balcão, com duas bebidas. Vê uma rapariga sozinha, aproxima-se, finge que pede uma Piñacolada e oferece-a.)
Ele – Adiantei-me. Tens cara de quem aprecia uma Piñacolada. Toma, para ti. (Estende a mão.) Américo.
Ela – (Surpreendida e agradada, retribui.) Aaaahhh! Obrigada!
Ele – E estás sozinha… (Espera que ela lhe diga como se chama.) ?
Ela – (Percebe) Maria. – Sim e não… Olha, nem sei… Vim ter com uns amigos, entretanto perdemo-nos , depois o meu… bem, sim, olha, estou sozinha.
Ele – Not anymore!
Ela – So it seems!…
Ele – Vá, faz tu perguntas!
Ela – Hmmm… O que é que mais aprecias numa rapariga?!
Ele – Assim?! Logo à bruta?! Então… Gosto… Gosto quando… uma rapariga sabe estar e é simpática e… E é boneca e tem o cabelo solto e… Gosta de Piñacolada! (Risos.)
Ela – (Risos, meio corada.) E estás sozinho?
Ele – Sim. (Discursa. Prega seca.) Gosto de sair à noite sozinho, sabes?! Ficas com mais predisposição para interagir e conhecer as pessoas, dançar… Evitas aqueles stresses… Vais só curtir, sabes?! E é muito mais fixe.
Ela – Hmmmm… (Cabra, mas amorosa.) Ou será que os teus amigos não gostam de sair à noite? Ou todos têm namoradas? Ou tu não tens amigos?
Ele – Eish!… Tem calma, miúda!… Então?! Eu adoro os meus amigos, são uns bacanos!… Acabamos sempre por nos encontrar todos cá!… Já tu… (Põe-lhe o braço por cima dos ombros.) Se não fosse eu, agora, estavas sozinha… E depois?… Como é que ias para casa?
Ela – (Desconfortável.) De taxi?
Ele – Sabes que isso nos dias que correm pode ser perigoso… Eu posso sempre acompanhar-te, se quiseres…
Ela – (Titubeante.) Sim, mas ainda é cedo… Mas sim, aceito a tua companhia. A partir de agora. Ou melhor, (Como quem partilha um segredo terrível e íntimo) a contagem já começou há bocado… Vamos para um sítio mais sossegado?
Ele – (Completamente agradado e a sentir-se vitorioso.) Varanda?
(Começam a ir até à varanda. Ela vai à frente e chega até ao corrimão. Ele vai ter com ela. Aparecem os amigos cromos dele e começam a meter-se na conversa.)
Amigo 1 – Olh’ó Américo! Tod’órientadão!
Amigo 2 – Eh, lá…! Já arranjaste outra?!
Amigo 3 – Oi, ó Américo, apresenta-nos lá a tua amiga!..
Amigo 1 – (A coçar-se.) Ela não tem mais amigas?! E-he!…
Amigo 3 – Então, Américo, já conseguiste despachar a bebida da que fugiu!?
Ele – (A panicar) Pessoal, menos, menos…
Amigo 3 – Eh, pá… Desculpa lá.
Amigo 2 – Nem nos apresentas a tua amiga…! Diz lá, vá, como é que ela se chama?!
Ela – (Irritadíssima) Maria.
Amigo 1 – (Beija-lhe a mão.) Maria, um prazer. (Parte-se a rir) Mas aqui o Américo… Aahhahahahahhahahahhahahah!
Ele – (Nervosíssimo, a tentar controlar a situação) Eh pá, a sério…
Ela (Despeja-lhe o copo em cima. Furiosa.) – Não me parece que precise de companhia para casa, ‘tá? (Sai.)

PRIMEIRO CAPÍTULO AQUI.

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