ACESSÓRIOS (NOT)

Os acessórios em geral sempre me deixaram muito perturbada.
Por vários motivos.
Um dos quais é o meu minimalismo no que às quantidades diz respeito, porque preferi a vida asceta, prática.
(Na verdade não preferi nada… A labuta assim o dita. E após tentativas sucessivas de me enfeitar e ter de remover tudo, dado o carácter impeditivo de tal parafernália à progressão de determinadas actividades, digamos que escolhi o minimalismo.)
Não deixo, no entanto, de ser uma fascinada pelo mundo do Supérfulo.

Há que começar por dividir as várias categorias de acessórios: as Jóias, as Malas, os Acessórios com Nomes de Peças de Vestuário (lenços, cachecóis, gorros, luvas, écharpes…) e os Acessórios Indescritíveis.
Dentro de cada um destes grupos há subdivisões, as quais estão normalmente relacionadas com inutilidades ou coisas horrorosas, mas isto é do universo intrínseco, acerca do qual não me expandirei muito.

De todas as coisas, as Jóias nunca foram, para mim, um inconveniente.
Tenho uma Avó muito apegada às jóias e aos ouros, quem até já foi assaltada inúmeras vezes, algumas das quais fizeram capa de jornais como o Correio da Manhã nos idos anos oitenta, dadas as quantidades de matéria dourada que a Senhora fazia questão de carregar consigo, para se adornar.
A minha Mãe é uma Senhora que usa jóias e que me incutiu, também, esse gosto.
O meu Pai era um Senhor das jóias, também.
Pelo que gosto, inevitavelmente de jóias.
(Da minha lista de coisas que uma Futura Senhora Deve possuir constam sete escravas de ouro de, pelo menos 18 quilates, brilhantes para as orelhas, a famosérrima LOVE da Cartier, umas contas de Viana, arcadas, filigranas, tudo. Consta tudo.)
Porque sempre fui muito Urraca nesta causa das jóias e acho que é lindo ter e usar.
Ajuda imenso se houver heranças pelo meio, senão… É amealhar para obter.

Não suporto fantasias, pechisbeques armados ao pingarelho e afins.
Não suporto.
Acho-os horríveis, pirosos, baratos, muito foleiros, vulgares…
Não dão nada a nada.
São um acrescento de ar a qualquer conjunto, porque… não fazem nada por nada.
As únicas coisas dessas toleráveis são aqueles objectos totémicos claramente falsos, porque se tornam super divertidos no conjunto e podem funcionar como elementos destabilizadores, como criadores de um novíssimo Universo.
Sou a favor de Universos novos.

Mas o tema das jóias é muito delicado e não quero ferir susceptibilidades a estas horas da manhã de uma Segunda-Feira.

Passemos às Malas.
Ora bem, antes de me tornar mais coquette, andava sempre com tudo nos bolsos ou com malas de pano (das que se adquirem em concertos, ou das que são oferta de uma porcaria qualquer, tipo merchandise), aquilo a que se chama tote bag ou com mochila.
Um despautério.
Aos 21 anos, a minha Mãe olhou para mim com um ar gravíssimo e disse: Joana, por favor, compra uma mala decente, de pele, e deita essa merda toda fora.
A parte de comprar a mala decente, foi ok, mas a de deitar a merda toda fora, não; pelo que tenho uma generosa colecção de tote bags. Guardei-as porque se poderia dar o caso de ter saudades ou qualquer coisa do género…
Adiante.
Nesse dia em que a minha Mãe comunicou, finalmente, a sua ira para com a minha falta de cuidado, comprei a minha primeira it bag.
A Vitello Lux Shopper, da Miu Miu, em preto.
Pareceu-me uma escolha modesta e adequada à minha idade.
Usei-a tanto ou tão pouco, que a destruí por completo, e agora só a levo a passear de vez em quando.
Mas percebi a mensagem.
De cada vez que andava com ela (SEMPRE), podia usar tudo, porque a mala estava lá a esforçar-se por mim.
Deixei de passar horas a tentar ver qual era a melhor tote, porque aquela mala fazia mesmo tudo por mim.
Podia usá-la com qualquer par de ténis nojento e roto, que não havia problema.
Podia entrar em qualquer lado e fazer qualquer coisa.
Era um statement carregado de descontracção.
Percebi finalmente o que a minha Mãe me queria dizer com o seu horror às malas de pano e às coisas nos bolsos, porque aquela mala fez de mim uma Senhora.

Não consigo aguentar malas falsas.
Género imitações.
Imitações de LV.
Eh pá… XAU.
Não aguento…
Acho terrível.
São malas que já ficaram desprovidas de toda e qualquer conotação afirmativa, para passarem a ser uma ode à vulgaridade.
A emissão de códigos que qualquer natureza, potenciada pela utilização de determinados ícones, é uma questão que merece uma abordagem menos leviana, e sobre a qual estou a escrever um ensaio.
Seja como for, uma mala permite-nos coisas.
E é dessa consciência que há que estar munido.

Passemos aos Acessórios com Nomes de Peças de Vestuário.
Só uso lenços.
E é raro.
Uso um de seda vintage com um estampado de penas, que mais parece leopardo, mas que adoro, um lenço antigo na Família com motivos de touradas e uns outros que não são muito essenciais, mas pronto, cumprem funções.
Já tentei várias vezes fanar uns Hermès, mas a minha Mãe dá pela falta deles…
Não entendo gorros com T-shirt e chinelos, T-shirt com cachecol, T-shirt com écharpe…
Não entendo…
E não tenho muito a dizer.
Só não entendo.
E quando com isso estão combinadas Jóias de Autor para homem…
UI…

Na classe dos Acessórios Indescritíveis, vou debruçar-me apenas sobre um em especial, que é o que muito me tem dado que pensar: a Fita a Meio da Testa.
A Fita a Meio da Testa, qual Tratado de Tordesilhas entre o implante capilar, meia testa e o resto da cara, tem-me muito intrigada.
Em primeiro lugar, para que serve?
Depois, em que circunstância é que se usa?
Como é que se define a necessidade desse acessório?
Em que momento se decidiu que ficava bem?!
A não ser que sejam fileiras largas de brilhantes, esmeraldas, rubis e safiras, não entendo.
Para não cair, a Fita a Meio da Testa deve estar apertada, não é?
Não esmagará o crânio?
E… Por exemplo, vejo jovens a sair à noite com isso.
Jovens que buscam outros jovens para interagir.
Aquilo não ficará vincado na testa?
Não causará awkwardness em determinadas situações?!
Imaginei já mil e uma situações em que essa coisa pode causar momentos embaraçosos…
… Mas devo ser a única, não é?
Não consigo encontrar nenhuma serventia na Fita a Meio da Testa.

Bem sei que vos tenho deixado muito abandonados e sem prosa, mas a vida não tem estado fácil.

Este é um post do desconcerto.
Do desgoverno.
É um levantamento de coisas que não assimilo muito bem.
É um pedido de ajuda.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *