CALIFORNIA GIRLS

Agora que o Verão terminou mesmo – comprove-se pela chuvada da madrugada de sábado, por exemplo – isto não faz sentido nenhum.

No entanto, levei quase toda a época estival a pensar nas trends mais street e na proliferação dos nichos e subnichos dessas mesmas trends sob todas as formas, dada a aculturação dos fenómenos globais.
Cheguei então à conclusão que em Portugal, there’s no such thing as California Girls, embora a baía de Cascais seja igual à de San Diego e da Linha brotem garotas bronzeadas a cada centímetro de areia ou terra mais clara.
E agora que está aí a rebentar em Peniche o Campeonato de Surf a.k.a. Rip Curl Pro Peniche 2012, vai ser fartar vilanagem enquanto ainda brilha o sol naquela praia (oh, Marco Paulo!). E sim, faz mais sentido que nunca abordar este assunto.

Será este, então, um post preventivo e de aconselhamento a todas as jovens que estão convencidíssimas que são California Girls.
Estou a fazer serviço comunitário.

As California Girls são uma coisa do outro mundo.
Já as vi de perto.
E tive inveja, não posso negar.

A California Girl é o epíteto máximo de uma fêmea NATURALmente bonita.
É uma espécie de fenómeno geológico, só que sob a forma de mulher.

E não tem nada a ver com os arquétipos imortalizados em produções de moda e demais realidades pictóricas, porque aí sabemos que o que não falta é maquilhagem, Photoshop e tantos outros artifícios (molas da roupa, silver tape, roupa interior “invisível”…)

A California Girl de que vos falo é aquela que deixa tudo maluco.

Para começar, pratica imenso desporto. De todos os géneros. Vai imenso à praia, onde também pratica o maior número de desportos aquáticos possível; é através da prática constante de desportos aquáticos em águas frias que tem um corpo do mais tonificado e livre de celulite que há. Caso não seja ela a melhor desportista, tem, certamente, um namorado que o é, pelo que o subgénero da California Girl versão pagem pode existir. Não é muito interessante, porque existe, apenas. É uma ameba gira. A California Girl original (a qual motiva todo o post e não o subgénero levemente abordado nas frases anteriores) fuma charros, tem o cabelo comprido, ondulado, ressequido e naturalmente descolorado nas pontas. Não se preocupa demasiado com a roupa. Usa o que tiver à mão e que seja confortável – ou pelo menos faz um esforço para que tudo aponte nessa direcção e caso consiga, é a mestra nessa arte que é a do efortless chic, ou, neste caso, efortless California Girl. Calça sempre rasos e corre o risco de (como eu e todas as pessoas que usam Vans sem meias) cheirar a galinhas mortas dos pés. Caso não calce rasos, calça apenas e só o que for altamente cómodo. Mas não se importa. Bebe cerveja da garrafa e gosta de TUDO. Não segrega. É da pangeia. É hippie por dentro, está aberta a novas experiências, a influências diversas, tanto vai para o Festival de Sines a ouvir Lagwagon como vai ao Bali e volta mudada: é uma pessoa altamente empírica. Ouve música. Já leu um ou dois Kerouacs e embora seja igual à California Girl do 90210, diz que odeia e detesta televisão e tudo o que com Ela está relacionado. Também odeia moda e fenómenos massificados. É uma Maria Rapaz, mas das que quebra corações. Das que trasha a festa toda sem levar emplastros para casa, porque na manhã seguinte, ela quer é ir surfar. Resgata, no entanto, amigos da friendzone. Porquê? – Porque é aberta de espírito e concede oportunidades.

As California Girls são como as Riot Grrrls ou como as Pussy Riot ou como as L7, ou como as Bikini Kill e as Le Tigre ou como a grande Kevin Blechdom: está tudo dentro, na ATITUDE.

Para mim o princípio básico da beleza feminina passa pela naturalidade da fêmea em todas as ocasiões.
Acho que já aqui disse isto.
Passa por poder viver a vida de forma espontânea e desprendida, sempre com bom aspecto, sem precisar de uma manutenção absurda da pessoa e dos aspectos estéticos da pessoa.
Passa essencialmente por, por exemplo, poder sair à rua sem maquilhagem e estar bem. Ou com uma maquilhagem que não seja uma espécie de pintura a óleo, género natureza morta de uma senhora que frequenta os tempos livres da ala geriátrica do centro recreativo mais perto do vosso prédio. Uma maquilhagem que dê para crashar no sofá de alguém sem acordar com a cara nos joelhos e os olhos borrados.
Passa por ter um cabelo de fácil manutenção, uns sapatos com os quais se possa dançar, saltar muros e ainda assim emitir aquele código social fodido.
Passa por usar uma roupa que não dê muito nas vistas caso se proporcione um walk of shame ou um pequeno almoço mais inesperado porque o one night stand afinal foi óptimo.
Passa por usar uma T-shirt de alguém e sair sem cuecas depois de um banho menos cool e ainda assim estar bem.

A beleza natural é aquela que a California Girl representa, preconiza e defende. E é aquela que sinto mais bonita.

AH! – Uma das coisas mais fiches da California Girl é que come de tudo. Não é esquisita, não pica, não se queixa dos molhos nem das gorduras. É aquela que tanto pode jantar no Gambrinus como na roulotte da feira exactamente com a mesma roupa. E com a mesma atitude.

Esta É a California Girl.

Por tudo isto, agora vem aquela parte em que espumo da boca como se estivesse a sofrer um ataque epilético.
Miúdas, não se esforcem por estar neste estado se não são realmente assim.
Sejam quem vocês são.
Na verdade, tudo o que sucede no Verão, fica no Verão.
Se for de Verão, raramente continua até ao Inverno.
E é ficcional.
O que quer dizer que não é preciso collant de vidro com socas, nem com sandálias para suster e bronzear e unificar a perna que se queria ter tonificado, mas que já não foi a tempo. A sério. Não vale a pena.
Também não vale a pena usar shorts apertadíssimos nas carnes frontais e com meia nádega de fora (por algum lado as excrescências tem de sair, não é?!).
Para quê, Lindas?!?
Se depois se vão queixar de que os Homens olham e vos dizem coisas ordinárias?!?
É claro que olham: cu grátis? SIGA!
Além de que, com semelhantes combinados, já sabemos no que dá…
Também não vale aquela base dez tons acima do vosso, nem o pó compacto.
No Verão quer-se brilho, glitter, quer-se o sweaty look.
A California Girl resplandece, não matifica. Abraça os brilhos e o suor.
Não se penteia em excesso.
Não se perfuma em excesso.
Não perde mil horas a escolher a roupa.
É mais levezinha.

Em suma, e de regresso à ideia de que ser California Girl reside mais na atitude do que em outra coisa qualquer, gostaria de vos explicar que o cultivo do interior é aquilo que realmente interessa para e neste caso.
Praticar ioga pop só porque sim e porque define uns músculos bacanos não ajuda.
O melhor é saberem quem são e gostarem disso.
Ou mesmo que não gostem, aceitarem isso.
Abraçarem os vossos defeitos e qualidades e estarem super na boa para poderem apreciar um café de bomba de gasolina, um cocktail no Sheraton ou uma ida à sessão da meia noite num cinema da periferia é a melhor forma de aclarar as pontas.

Tudo é bom.
O acto consciente é o grande condicionador de qualquer boa ou má atitude.
E a projecção Lacaniana só ajuda se for consciente.
E a felicidade não existe como conceito global.
Muito menos convencional.

(E a Gisele tem uma dieta horrível e altamente condicionadora de modus vivendi. E a Erin Wasson é sujinha e cheira mal e tem sempre as unhas pretas. E a Cameron Diaz está a odiar ser velha – mas essa sim, já foi a verdadeira California Girl!)

3 comentários a “CALIFORNIA GIRLS

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