DEDICATÓRIAS: Guia Muito Tendencioso de Barcelona

– Linda, Vais ao Primavera?
– Sim, mas ao de Espanha.

Isto é uma encomenda.
Por isso isto é uma resposta a uma encomenda, que eu não vou a festivais.
Não aguento, tenho pavor de muita gente junta e não consigo ver tanto concerto seguido.
Isto já fez com que questionasse o meu gosto por música – serei eu uma verdadeira amante de música? E sou, só que não ali no meio de tanto corpo. Não tenho espírito festivaleiro. Fui duas vezes na vida a festivais com acampamento, mais três vezes a concertos específicos em âmbito de Festival, e decidi que esse registo happening seria o meu.

COMER

Começo por um restaurante libanês, do qual tens de ir à procura, porque além de ser muitíssimo barato, tinha a melhor moussaka que alguma vez comi na vida, bem como hummus da mais fina qualidade, e pão de pita frito com especiarias. Era assim tipo… ABSURDO. E muito barato. Fica no Eixample Esquerra, algures numa esquina da Muntaner com a Consell de Cent, ou da Muntaner com a Diputació, não sei bem… Mas nada como ir lá e ver. Se te apetecer.

CARMELITAS
Restaurante óptimo, meio carote, mesmo no centro centrinho do Raval. Comida boa, em Espanha, sê espanhol, e come um menu, que não vais ficar mal servido!
Doctor Dou, 1 / Carme, 42.

IPOSA
Era quase a minha cantina para o jantar. Ia muitíssimo lá comer. A comida é óptima, tem sempre pratos do dia bem bons, é exíguo, tem uma esplanada mais ou menos insólita e é baratinho. Da última vez que fui a Barcelona, pareceu-me tudo mais barato, que cá em Lisboa toda a gente come merdas por exorbitâncias. É ir e comer o menu.
Calle Floristes de la Rambla 14.

BAR MUY BUENAS
Ora bem, este tinha um menu de €8,00 ao almoço, com tudo (mesmo) incluído.
E eu ia lá todos os dias. Era sagrado. A francesa que lá trabalhava era minha conhecida, e contou-me porque é que aquilo estava sempre cheio de homens assombrosamente maravilhosos: o dono era um cubano misógino gay, casado com um ex-modelo dinamarquês (um daqueles dos anos noventa, bem hot), que era o cozinheiro.
Não sei se continua aberto ou não, mas era de ir lá checkar.
Ainda por cima está a caminho de uma rua muito cool, com gente gira, uma pequena preciosidade.
Carme 63.

REFOLIS
Quando estiverem a sair do Muy Buenas, há que ir beber um carajito ao Refolis, que é logo ao virar da esquina. Fica na rua dos comércios vintage e alternativos por excelência, a Riera Baixa, e mais cool, não há. É só modernos e modernas por todo o lado. Daquelas coisas mesmo modernas. Dez minutos aí sentado e passas a ter um lugar no Olimpo das gentes de Barcelona.
Carrer Riera Baja, 22.
(Não sei porque carga d’água é que levei a vida inteira a pensar que se chamava Resolis…)

MADAME JASMINE
A albina mal encarada que é dona e gere este sítio, é uma delícia. É absolutamente odiosa, mas faz as melhores sanduíches que comi na vida. Posso até mesmo afirmar que, na minha fase mais obesa, lá ia com muita frequência buscar um bocadillo para comer mais logo. E valia a pena levar com as trombas dela, porque são mesmo incríveis, o raio das sanduíches!
Rambla del Raval, 22. (Mais ou menos antes do gato, como quem desce.)

JUICY JONES
Como há sempre um vegetariano a compor ramalhetes alternativos, levem-no a este espaço. É psicadélico, sim, mas tem a melhor comida vegetariana que já comi. Reza a lenda que é tudo vegan. Se assim for, não me importava nada de ser vegan. No Juicy Jones mudei a minha forma de fazer e beber batidos, que normalmente odiava, por causa do leite de vaca. Em 2006 comecei a fazer batidos de leite de soja. E são muito melhores. Para comer, pedir sempre o tabuleiro de inox com mil coisas diferentes, e comer hummus antes. Escolher sempre o tamanho XL dos batidos e dos sumos. O meu preferido é o de abacate com açúcar mascavado.
Estou a chorar por dentro, agora…
Carrer de l’Hospital, 74.

COMODORO RESTAURANT
Vivi muito pouco tempo no Eixample e sei que foi o suficiente. Sei disso porque conheço este sítio, ao qual ninguém queria ir, porque era longe e não sei quê. As pessoas cool nunca ultrapassam a Gran Via. Muito menos no sentido norte. Eu ultrapassava imenso para ir a esta pizzeria comer a pizza carbonara com ovo estrelado ao meio, afogado em natas e queijo. Este sítio foi descoberto muito ao calhas e revelou-se magnífico. Tem a decoração de um filme de camorristas de quinquagésima nona categoria, os cretones dos sofás corridos nunca foram limpos, mas o serviço é excelente e a comida um miminho. Está sempre cheio, mas arranjam sempre lugar. Existem mais dez pizzerias à volta, mas esta é, sem dúvida, a melhor de todas. Muitas saudades.
Calle Londres, 54. (Apanhar o metro e sair na estação Hospital Clinic.)

BAR TOMÁS
Sou pessoa para admitir que andar cerca de meia hora de comboio subterrâneo só para ir comer Patatas Bravas é capaz de ser muito estúpido, mas ainda assim, sugiro este sítio. Eu andava numa academia mesmo ao lado, levava sempre as cenouras descascadas e as maçãs lavadas, mais o litro de água com limão (purgas), mas no dia em que a Anna Sánchez me pegou pelo braço e me levou ao Tomás comer Bravas, tudo mudou. E digo tudo porque não só comecei a comer batatas fritas, como comecei a gostar de molhos nas batatas fritas, como descobri o alioli. São as melhores Bravas de Barcelona. E se quando se está em Barcelona, se tem de comer Bravas, só podes comer Bravas se fores aqui. E acabou-se. Não preciso do aval do Anthony Bourdain. Já tenho o do Jaime de Marichalar, que enquanto ainda estava casado com a Infanta Elena e recuperava do marichalazo que lhe deu, ia lá quase todos os dias. Batatas fritas com a realeza. E cheguei a vê-lo!
Carrer Major de Sarrià, 49. (Na Praça Catalunya, apanhar o metro L6 até Reina Elisenda, sair em Sarrià; acho que são umas oito paragens.)

ROSA DEL RAVAL
Restaurante mexicano com tudo aquilo que é bom: Cheesecacke de OREO, TACOS, BURRITOS, FAJITAS… É perto do MACBA e fica, de facto, a caminho entre o próprio do MACBA e o Muy Buenas e a Riera Baixa. É mesmo, mesmo bom. Eu ia. Mas isso sou eu… E o pior é que me estava a esquecer dos NACHOS…! Cristo!
Angels, 6

Também é essencial comer chocolate com churros a pelo menos um pequeno almoço, mas como sou alérgica a chocolate, nunca pude fazê-lo, nem sei onde é que há dos bons…
A única pastelaria decente com alguma coisa semelhante a bolos, fica no Carrer dels Tallers, mesmo ao lado da loja onde trabalhava. Sim, porque eu já fui o Varella de Barcelona, ’tá?

COMPRAS

Olha, meu Crido, da última vez que estive em Barcelona, deprimi um pouco. As lojas onde costumava comprar coisas, estavam fechadas! Tu crês?!

HOLALA IBIZA
Pá, é assim, queres saber de vintage, tens de ir à Holala e tens de preguntar pelo Jean Claude Messana (ou Papá!) ou pela Charlotte Messana e dizer que és o meu melhor amigo, entendes? Tens mesmo. O Julien Ponchou também é pessoa para te dar umas belíssimas vindas. Ou o J-Me Luzardo, que é bru-tal. Ou a Virgina Batista. E chegas e dizes: comékié people?!?!?! Eles não gostam do Pitbull como nós, são de outra onda, mas vais amar tudo. Como sabes, foi nessa loja que passei três anos a pendurar e despendurar, a arranjar e a desarranjar trapos antigos, de segunda ou vigésima mão, não interessa. Vesti e despi muito manequim. Comprei muita coisa. Eu era a little miss vintage. A menos tatuada, a menos tudo. Há três Holalas! Há a do Carrer dels Tallers, 73, a da Plaza Castilla e ainda a da Riera Baixa.
E como sei que vais entender, toma lá disto:

PACO RUEDA SHOP

Tem tudo de bom e de caro, é óptima. Costumava ser mesmo em frente à saída do metro na praça Sant Jaume, entre uma loja esotérica e uma loja de memorabilia do Barça, mas passou para o Born, para a Calle del Comerç 17. Vale a pena ir, mesmo com a finança em baixo e dizer que és meu amigo. Também lá trabalhei.

O pior de recomendar lojas é que muitas delas fecham e ninguém sabe, pelo que não vou recomendar mais nenhuma. Na Riera Baixa o Júnior, um cubano lindo de morrer, tinha uma loja vintage muito linda chamada Le Swing, mas há dois anos aquilo estava semi encerrado… Consegui, no entanto, vê-lo e à sua mascote. Também adorava uma loja para lá do sol posto, no Carrer Sèneca, que se chamava SNÖ Mito Nórdico (CLAAAAAAARO!), e que vendia Acne, mas que terá fechado. Tanto aí como no Boulevard Rosa, no Passeo de Gracia. O El Corte em Espanha é menos maravilhoso que em Lisboa. O de Lisboa é muito melhor. Havia uma lojinha de coisas que não servem para nada, a.k.a. neo artesanato feito por neo hippies fãs de Fleet Foxes que se chamava Duduá-Duduá, que era ou é, não sei da Alicia Rosselló e ficava no Born. Afinal ainda existe! AQUI. Vale a pena, porque é linda e supostamente o conceito mudou-se e ampliou! Há sempre o Mercat Dels Encants, que é a Feira da Ladra lá do sítio, onde nunca consegui comprar nada…!

Ainda há que ir à Champanería Can Paixano, no Carrer Reina Cristina, 7 e a um bar que se chamava Betty Ford e que era o máximo. Não sei se ainda existe ou se ainda é cool lá ir, mas pergunta na Holala, que eles dizem-te de certeza.

Encontrarás, certamente, no Primavera, lá na tenda Vice, o Papayo e o Chino, e o Rigo, mais o Abel, a Gigi, o Max, o Søren… Diz-lhes olá da minha parte.

Isto é o que me lembro agora-agorinha, ´tá?
Podes imprimir!

AH! E compra uma Volt Damm no supermercado Filipino da Plaza Castilla, onde só passa Tina Turner e o staff faz playbacks e até mesmo impersonations da própria, desce até ao MACBA e prostra-te por ali um segundo a ver passar o povo.

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