HALL-O-WIN

E porque somos peritos em fazer importação de tudo o que são coisas do estrangeiro, fizemos também o mesmo com o Halloween, que é como quem diz o Dia das Bruxas, que é como quem diz uma coisa que não tem nada a ver connosco, até porque  no dia 1 de Novembro o português típico dedica-se muito mais à visita ao cemitério que à ressaca ou à dor de barriga provocada pelos doces ingeridos na noite de Halloween. Cá ninguém celebra os mortos. Cá carpem-se. Enfim… Ainda assim, isto celebra-se e todos os anos vejo pessoas mascaradas (se já temos Carnaval, para quê isto?…) em maior número e pior fato. E fico triste, porque se há coisa maravilhosa, é a arte de bem mascarar. É difícil, eu sei, mas… Uma boa máscara rende muitos anos de recordações incríveis. E as melhores nunca são caras nem compradas… Isto é uma questão de imaginação. De criatividade. De engenho e arte. De todas as que já vi, quero destacar um par de rapazes que me apareceu um dia mascarado de gamba. Acho que já vos falei deste disfarce, ou se não falei, tenho essa impressão, porque me marcou muito. Todos os pormenores estavam lá, todos os detalhes de uma gamba contemplados. Mestria. Conceptualismo. Gente que sabe, pronto. Nunca os esqueci.

Não me alongo mais. Este é um post para os olhos. Deixo-vos então com a minha pesquisa.

Da categoria ESCATOLOGIA chega-nos um rapaz vestido de tampão dentro da caixa (necessidade de libertação?!?) e uma pessoa de sexo indistinto de penso higiénico com período. Ambos os disfarces me parecem muito bem, especialmente pelo facto de serem disfarces subordinados ao tema menstruação, essa grande chatice feminina à qual ninguém fica indiferente e parece conseguir tratar com humor. Um grande beijinho.

Da categoria PAIS COM FILHOS, aqui estão duas óptimas soluções para quem quer ir festejar mas tem custódia partilhada e isto calhou num fim de semana com o puto. Se for ainda muito pequeno, enfiá-lo num tacho é uma excelente solução. Mais granjola, porque não extrapolar o simbolismo do amor fraterno e mascarar o puto de alguma coisa de que não se pode prescindir? Há lá casamento mais feliz que Jack Daniels e Marlboros? 
Da categoria AMIGOS, encontrei estes disfarces que me pareceram incríveis e complementares, altamente humorísticos e conceptuais. Três amigas.
– Ah, de que é que nos vamos disfarçar?!
– JÁ SEI!!! DE CARALHO E COLHÕES!!!

E ficou. E ainda os dois amigos que adoram mamas grandes, mamalhudas, mamas, melões, mamonas assassinas, prateleiras e por aí adiante, decidiram mascarar-se de: PAR DE MAMAS. Óptimos. 

Da categoria FAMOSOS, cá estão Lana del Rey e Paulie D., do Jersey Shore. Sugestões relativamente fáceis para os fãs e/ou gente com pouca imaginação.  
Surge-me a categoria INEXPLICÁVEIS, da qual destaco a máscara de melancia, porque é vencedora. É uma das máscaras mais engenhosas e perecíveis de sempre e tem coisas que adoro: comida e esculturas em comida, nomeadamente food art. A máscara de Nike Air Force One é muito intrigante, mas de certa forma consequente. E o senhor com pedaços de um boneco a sair do peito. Não sei. É desconcertante mas lindo, porque… Se aguentar a noite toda, é um major WIN!

Chega a minha categoria favorita, que é simultaneamente a mais engenhosa e conceptualizante: OS SUPER HERÓIS. Destaque para a máscara incrível de Homem de Ferro do indivíduo da esquerda. Muito barata e irrepetível, esta máscara captou a minha atenção por tantos motivos que não consigo enumerar, mas especialmente pelo seu carácter performativo: é uma máscara que tem aquela duração. É tão perecível quanto a melancia, mas muito mais difícil de conseguir. É bonita e irónica, assim à vista desarmada. Mas duvido muito da sua ironia por aqui… Seja como for, adoro-a. E depois, a minha preferida: a máscara de um super herói espontâneo, uma espécie de Wolverine judeu. A garra-Menorah é das ideias mais brilhantes de sempre. Revela engenho e arte. Revela sentido de humor. Revela TUDO. Fiquei sem palavras. Desculpem. 

Com tudo isto, um óptimo fim de semana.

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