Money Trees

A grande tendência da malta fashion é, já desde há umas estações, POUPAR.
Esqueçam o LBD e outras siglas que tais para sistematizar o que no Universo é mais impossível de sistematizar e/ou simplificar: a Moda. Esqueçam isso tudo, porque na hora de poupar, é muito difícil conseguir pensar de forma clara. Especialmente para os que gostam de compras e associam Moda a “renovação permanente de armário”.

Poupar requer técnicas e um trabalho minucioso e muito mais complexo do que se pensa.
É caso para lembrar a famosa receita de Arroz de Cordelinhos da Enorme Filipa Vacondeus.
Para poupar é preciso pensar e a Moda é residual nesse sentido, isto é, é possível que a poupança que se faz noutras coisas venha a reflectir-se na Moda e no consumo de Moda.

De todas as coisas que podem fazer-se, destaco umas quantas, que acho que são o máximo e que pratico.
Atenção que o investimento inicial em alguns casos pode induzir em erro o mais incauto dos leitores, mas – tal como em tudo – a poupança requer vistas largas e o Futuro como pano de fundo.

1. CORTAR AS EMBALAGENS – O packaging, como se chama no universo laboral pós contemporâneo, é uma das ferramentas de marketing de que as marcas dispõem para criar produtos mais apelativos ao olho do consumidor. Nem sempre as embalagens combinam tudo aquilo que devem combinar para satisfazer verdadeiramente o dito cujo. Senão vejamos uma prática comum: quantas vezes não achamos que o frasco ainda tem creme, quando ele começa a espirrar e difundir partículas em vez de nos dar uma porção decente de produto, quando ainda tem? Quantas?! Milhares! Nessa altura, pego numa tesoura ou numa faca e destruo o frasco e descubro que ainda tenho creme para, pelo menos, mais cinco dias. E irrito-me e odeio imediatamente os fabricantes. Opto por cremes de embalagens moles, fáceis de cortar, e que sirvam o propósito inicial da embalagem: armazenar uma substância de forma digna. Tesouras ao alto!

2. AMOSTRAS – Para que vos quero!? Sim, amemos as amostras. Baza pedir amostras como a Jennifer Aniston naquele filme “Friends with Money”. Pá, sim. As amostras estão lá para isso. As marcas não sofrem com a oferta de amostras e pior: as raparigas que trabalham nas lojas e que normalmente se recusam a fornecer amostras, são elas que as arrebanham. A lógica das amostras remonta ao momento em que a cosmética se desenvolve imenso e existe a necessidade de persuadir clientes através da oferta de uma amostra do que pode ser a totalidade de um produto. Ainda me lembro que há uns vinte anos havia amostras de batom, por exemplo!… Hoje em dia a obrigatoriedade da compra tenta segregar o que pode do que não pode, quando isso, na verdade é um erro… Porque… Por exemplo, não compro cremes sem pedir amostras, porque na maioria dos casos não são indicados para a minha pele, e como eu, haverá mil casos… Por isso, sim. Peçam amostras antes de comprar seja o que for e experimentem.

3. COZINHAR ou  MARMITA CHIQUE – Sou apologista desta parte. Ponho isto em terceiro lugar nesta ordem de importância porque não quero que me chamem submissa ou sopeira. Tenho uma certa noção das retaliações que posso vir a sofrer. Ora bem, cozinhar é uma excelente forma de controlar praticamente tudo aquilo que nos acontece na vida física e psicológica: cozinhar significa que controlamos o que comemos, se é bom, mau ou péssimo, se comemos bem ou mal, se engordamos ou não. O controlo do que se come quer em qualidade, quer em quantidade, é assim daquelas coisas que me parecem mais maravilhosas que tudo. Primeiro, em casa é mais seguro comer bem do que na maioria dos restaurantes, depois é mais seguro que o que se come é saudável. Depois também há aquela parte em que cozinhar pode ser interactivo e sexy, mesmo incluído numa rotina qualquer; pode significar uma poupança de muitas centenas de euros numa lógica de orçamento familiar (mesmo que a família sejamos só nós) e pode ser uma forma muito maravilhosa de organizar coisas e maximizar o tempo. Isto sou eu a dizer, que adoro estar enfiada na cozinha e levo farnéis para todo o lado e só como porcarias, na verdade, quando estou na rua, sob a forma de croissant com Nutella na malcriada. O ideal para tudo isto é levar sempre caixinhas com comida e comprar coisas complementares e não desperdiçar. Não sei se há livros a ensinar isto, mas eu aprendi com a minha Mãe… E levo farnéis e cozinho todos os dias.

4. iPad – Esta é a parte em que me vão chamar porca capitalista, mas estou bem com isso. Podia ser o Kindle, não interessa, mas é o iPad. Pronto, a questão é: eu gasto muito dinheiro em livros. Mesmo muito. Ou melhor, gastava. Há imensas formas de fazer o download de livros para o iPad e de os ler de forma gratuita. E se o investimento inicial parece enorme e absurdo, no meu caso, compensa em dois meses. No caso do meu Pai, por exemplo, compensou imediatamente, porque consegue transportar toda a sua biblioteca num aparelho apenas e fazer todas as actualizações sem te de comprar ou imprimir documentos quase semanalmente.

5. SAPATEIRO – Ir ao sapateiro é, provavelmente, das missões de maior risco que empreendo na minha vida. A escolha de um sapateiro que entre na minha vida é de uma importância incalculável, porque o sapateiro tem de ser uma pessoa de confiança, que saiba que o que tem ali é um pedaço da minha vida, que seja óptimo e rápido e que, acima de tudo, me estime os sapatos. Os sapateiros tradicionais parecem ser um caos porque escrevem na sola do sapato o teu nome e dizem-te que vás dar uma curva e apareças dentro de umas horas, que são geralmente inferiores às de um dia e é normal que se desconfie. No entanto, os sapateiros modernos cheios de máquinas e técnicas e talões e números de tracking entendem NADA de sapatos e do que quer que seja relacionado com os mesmos e normalmente derretem jóias da coroa e cobram-se como se fossem técnicos especializados. Odeio-os a todos. Acredito em dois sapateiros, que são os meus sapateiros secretos e que me salvam saltos descascados da miséria e põem meias solas e capas sem me engraxar as botas, porque sabem que não gosto cá de engraxados. Um bom sapateiro é como um bom SNS: prolonga a vida dos nossos mais queridos.

6. COMPRAR ou INVESTIR? – Investir é um termo associado à economia. Comprar é uma coisa banal. E acreditando que tudo na vida é abstracto, gostava de defender que a compra de uma peça de roupa cara é um investimento que a longo prazo virá comprovar a minha teoria. Investir é comprar com qualidade e melhor e eterno. Casar é investir, comer bem é investir, comprar bom é investir. Pensar no Futuro é investir. Por isso a reflexão antes do acto da compra é muito importante se o objectivo for poupar. Dissociar-nos do termo comprar para passar ao investir.

Não sei se vos elucido muito ou pouco, mas isto é o que faço para poupar.
As minhas poupanças são uma miséria, porque decidi que até aos trinta não me preocupava, houvesse troika ou não…

7 comentários a “Money Trees

  1. Divirto-me imenso com os teus post. Mesmo quando mais sério, mas divertido.

    E acho as tuas dicas, fantásticas. Menos duas, por imbecilidade, a questão da marmita. A razão é que, tenho de andar de fato (não é Lavin, mas não acho que seja mau . não é óptimo, sigo o truque de levar a um alfaiate para fazer as modificações que eu quero) e levar marmita obriga-me a levar uma pasta, e eu odeio pastas. e tenho preconceito com mochilas e fato. Parvo, eu sei. E a segunda dica é, ainda que tenha iPad, eu preciso do livro físico. Preciso. Tenho depois de lido, arrumar na estante, preencher o excel com o nome e a minha review. Enfim, parvo também, eu sei.

    E

  2. Também faço todas essas coisas. E sim, irrita muito saber que a embalagem ainda tem produto e ela não o deixa sair. Ainda hoje, a meio do duche lá fui eu buscar a tesoura para dilacerar a embalagem do champô que ainda serviu para uma lavagem antes de ir para o lixo! Essa também aprendi com a mãezinha!

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