ON FASHION BLOGGING

Ontem fui a um evento de Moda.
Por norma nunca vou, porque me deprimo sempre demasiado com tudo o que tem a ver com tentativas sucessivas para erros sucessivos. E porque já fui a eventos do género noutros países (e agora vocês acham todos que já estou a meter nojo gratuito) e embora tudo seja vagamente parecido, é quase sempre melhor. No entanto, estes eventos primam por combinar pessoas de forma bipolarizante e isso agrada-me de sobremaneira. Acho que já aqui disse que o People Watching é, em última instância, o meu desporto favorito.

Ontem fui ao lançamento da colecção da Anna Dello Russo para a H&M, a gigante sueca.
É aqui declarado o meu amor pela Suécia.
E pela Anna Dello Russo.
Mas eu já me lembro da Anna Dello Russo a meio dos anos noventa, mais concretamente no Verão de 1997, quando fui a Paris pela primeira vez e passei 15 dias internada no Hospital a falar com a minha Mãe, com enfermeiras e outros doentes, entre os quais uma senhora que tinha um óptimo gosto e falava comigo sobre moda e possuía Vogues Italia. Essa senhora falou-me imenso sobre roupa e sobre o excesso e a Anna Piaggi e um sem fim de coisas.
Quando vi que a Anna Dello Russo tinha um blogue, achei o máximo, porque percebi de imediato que, dentro de pouco tempo, ela iria rebentar com o que podem ser os cânones do fashion blogging: enquanto que as raparigas deste mundo dos blogues andam todas a babar para cima dos teclados enquanto observam desfiles e colecções e desejam ser iguais às modelos e àquelas imagens todas e fazem posts infinitos a dizer que amam as marcas e declaram subliminarmente a intenção de oferecer os rins e o fígado a quem tiver de ser para obter qualquer coisa, a Anna Dello Russo não só possui tudo, como recebe grátis e tem ocasião para usar.
Subiu, portanto, a fasquia.
Não tem mal nenhum… Mas agora brinca sozinha…

A única coisa que me interessa no fashion blogging é a forma como este fenómeno veio revolucionar a maneira de se fazer publicidade e de se captarem públicos. A manipulação do consumidor. Que é a minha cena.

Para as marcas, o fashion blogging apareceu na melhor altura.
Situemo-nos algures no pós 9/11 e vejamos as coisas com olhos de ver: a guerra desenfreada contra um terrorismo não muito explícito e uma reacção estética gigantesca a esse terrível acontecimento. As marcas repensaram muitas coisas, porque o povo contestou. Lembro-me dos suplementos de moda da Time e do NYTimes terem artigos sobre como as estrelas de Hollywood optavam por tons escuros e austeros (cinzento escuro, num vestido, se não me engano, da Angelina Jolie numa passadeira vermelha qualquer) como forma de protesto/acção consciente em relação ao paradoxo ostentação-vazio herdados da década de noventa.
O mundo mudou, inevitavelmente.
E uma das coisas que para mim mudou drasticamente foi a inocência: deixei acreditar no que me diziam, numa altura em que ver notícias na televisão começava a ser introduzido lá em casa (antes disso, só jornais…); e nessa altura em que poderia ter começado a ceder ao acto passivo, à contrição perante O Grande Informador, caguei. Não acreditei. Deixei de acreditar especialmente em notícias e factos não muito claros. (Influenciadíssima, claro está, pelo meu Pai.)
Quando se deu o 9/11, eu tinha 16 anos e já dormia com o Debord debaixo da almofada. No ano seguinte, aquando de uma vinda a Lisboa, comprei um livro chamado A Terrível Impostura, do jornalista francês Thierry Meissan, editado em português pela Frenesi. Teoria da conspiração validada por uma edição física. O respeito e o culto pelo que é editado em papel e vendido em livrarias ainda hoje me é sensível. Quando se é editado, a coisa muda.
O 9/11 coincidiu com a NYFashion Week, mas o show must go on, porque na América é assim.
Só que as coisas mudaram imenso. E uma das coisas que mudou foram as consciências e com elas tudo o que é manifestação estética imediata. A moda mudou muito. E as marcas também. As pessoas tornaram-se mais conscientes, e durante um período curtinho de tempo, a ostentação abrandou. E surgiu uma paixão desenfreada pelo street style, pelas pessoas reais, pelos verdadeiros consumidores. (Gosto de acreditar que isso aconteceu também por causa dos reality shows, mas isso sou eu.) Os blogues, os fórums online, o Sexo e a Cidade e a utilização da internet como plataforma de trocas (de música e filmes, por exemplo) definiram uma estratégia comercial para as marcas que souberam observar o que viria a suceder nos anos seguintes.

Diria que o fenómeno dos blogues em modo desenfreado começa há uns cinco anos: as máquinas fotográficas digitais são melhores, a velocidade dos uploads é melhor, os formatos gratuitos de plataformas online suportam cada vez mais quantidades, os custos dos bens essenciais relacionados com a tecnologia caem a pique e o culto do indivíduo adquire uma nova dimensão, muito mais vincada: ser único é a única forma de se estar num mundo cada vez mais globalizado e descaracterizado. (E a culpa é do 9/11, que transmitiu a morte e a chacina em directo, no maior ataque simbólico ao/do mundo ocidental.) O culto da individualidade faz-se, em primeiro lugar, pela assunção de uma opção estética, a qual afirma antes do próprio indivíduo se afirmar. Essa individualidade atrai ou repele as massas, mas atinge e fulmina aqueles aos quais deve chegar. E se, anos antes, a hermenêutica afastava determinados tipos, começámos a aceitar as excentricidades alheias num contexto diário. E porquê? Por causa de uma questão de natureza hermenêutica: os olhos treinaram-se. Ainda assim, é claro que, também o culto da individualidade, sofrerá as consequências da globalização e assistirá à sua própria ascensão, proliferação e queda; o culto da individualidade chegará a todos os nichos em muito pouco tempo, tornar-se-á transversal e consequentemente aborrecido. (Se no início do Sartorialist o Scott Schuman tinha de fazer horas infinitas nas ruas de Nova Iorque para encontrar pessoas para fotografar, agora são aos montes. E é ele quem diz isto.)

Aborrecido. É o que temos agora. Agora toda a gente está farta de moda. Toda a gente odeia moda e os modernos. Agora a moda é uma merda. E o melhor é ouvir isto da boca dos mais modernos. Agora a moda é uma seca. Porque toda a gente gosta da moda.

Para vocês: isto que vos disse nos parágrafos anteriores fez a caminha para o parágrafo mesmo antes deste se deitar.

Ora bem: o posicionamento das marcas nos meios de comunicação é dispendioso e nem sempre eficaz, porque a forma de consumir informação mudou radicalmente desde que apareceu a internet e mais propriamente esta coisa dos blogues e das redes sociais e das páginas pessoais. E porquê? Porque o consumidor deixou de comprar revistas, deixou de esperar dois meses para ver uma determinada peça, deixou de ter paciência. O consumidor, ou devo dizer o indivíduo? Seja como for, o sujeito enunciado deixou de ser passivo para se tornar activo nos meios, isto é: o utilizador da internet emancipou-se. Já não espera. Não tem tempo. A sua ânsia não lhe dá descanso e ele precisa de consumir. Ele produz conteúdos, é um ser dotado de auto tudo, pelo que se tornou importante e proeminente; é o VIP da sua própria rede de conteúdos. E não espera.
Por exemplo, serei só eu a ter esta sensação de que todas as semanas sai uma colecção nova de uma grande casa ou aparece um novo designer que é o máximo mas que daqui a três semanas já ninguém se lembra? É impressão minha ou os ciclos deixaram de ter uma periodicidade dilatada para passarem a durar um mês ou quinze dias? Tudo bem que a produção massificada é cada vez mais veloz, mas… A sério?
Para mim a moda começou a ocupar uma posição muito parecida à de um molho de espinafres: tem uma duração de três ou quatro dias depois de colhida. E porquê? Por causa dessa bela e linda coisa que é o posicionamento do produto no mercado, vulgo product placement. A moda, a qual não pode viver sem o indivíduo, passou a ser a grande ditadora porque esmaga e se impõe, mas de uma forma muito querida e interessante. É uma espécie de presente envenenado.
Senão vejamos: aqui há uns anos, saía uma colecção – havia um desfile – as três ou quatro pessoas maravilhosas que podiam, compravam off runway – começavam as campanhas – as campanhas iam para as páginas das revistas – as revistas demoravam três meses a sair – as revistas custavam um balúrdio e nem toda a gente podia comprá-las – os grandes armazéns compravam e reproduziam – as fábricas produziam em massa e na estação seguinte, a coisa dava-se: criava-se a tendência.
Agora não é assim. Entre um processo e outro, a dilatação temporal é de umas duas, três semanas. Por causa da internet e dos blogues. Por causa da comunicação extra rápida e por causa do indivíduo, o qual deixou de ser aquele que consome a informação, para passar a ser aquele que “produz” informação, para passar a ser quem “gera os seus próprios conteúdos”. Para passar a ser quem deseja primeiro.

Depois de toda esta volta, quero chegar ao meu ponto de partida: o fashion blogging.
Enquanto os bloggers deste mundo (não os da cúpula) estão convencidos da sua força, da sua omnipotência, da sua presença indispensável e essencial às marcas, ao eventos e à indústria da moda, as marcas estão muito felizes por os fazer sentir especiais. Porque os bloggers são o melhor combustível de que há memória na indústria da moda. E não vos falo da indústria das grandes marcas, falo-vos de toda a indústria.
Todos os indivíduos querem consumir a informação que o indivíduo do seu agrado produz. Ora bem, pensando em estruturas piramidais, no topo da pirâmide está uma blogger, depois há outras bloggers inferiores, há os fotógrafos, os que dizem que ela é linda e por último as pessoas que vão ver o que ela faz/diz/veste. A blogger do topo da pirâmide gosta de marcas e fala delas no blogue, contaminando todo o seu ecosistema. Pedincha. Faz links e arranja forma de receber visitas e de se publicitar e de minar determinadas vias com o intuito de chegar à marca e de obter produtos grátis. Ou só produtos. Ou só um press release e umas amostras. Ou até mesmo a newsletter. A marca (e isto é assunto para outro post) acede ao blogue (raramente analisa os conteúdos) entra em contacto com a blogger, analisa os dados de tráfego e dá-lhe o que tiver de lhe dar. Também lhe dá um banner.  E a blogger, com o banner no blogue, valida-se a ela e aos seus conteúdos. A blogger usa o que a marca lhe der. A blogger tira fotografias da/à peça, faz a sua produção caseira (sempre muuuuuuuuito duvidosa) e contamina toda a sua pirâmide. Durante o percurso de todo este caminho, a blogger atraíu mais não sei quantos visitantes à sua página e já chegou a milhares de pessoas a uma velocidade estonteante. A blogger fica feliz porque foi reconhecida pela marca. A blogger só não sabe é que, em vez de ser a cúpula da pirâmide, para a marca, a blogger é a base. E tudo isto porque à marca, a publicidade que antigamente lhe saía a X (muito dinheiro considerando que para a publicidade precisaria sempre de assumir os custos de uma produção, de fotografias, de uma campanha, de um espaço numa revista, etc etc etc) agora sai-lhe a nada, porque enviar a uma blogger, pelo correio, uma camisola cujo preço de custo é inferior a €1,00 é uma pechincha: além de não ter de se preocupar com os custos de uma campanha, a marca não precisa de pensar nas formas de chegar aos nichos específicos, porque já tem quem o faça. A Coach, por exemplo, oferece malas e pede às bloggers as usem de cinco maneiras diferentes e que se fotografem: werk it biatch… Será que ninguém entende que essas cinco maneiras diferentes são cinco produções que a marca não tem de pagar?! Já para não falar das condições em que essas marcas produzem as suas peças, nem para mencionar sequer as condições de vida dos seus trabalhadores, etc etc etc. E enquanto uma blogger sorri, a marca sorri dez mil vezes mais. A marca ri-se às gargalhadas. Porque não só não tem gastos, não tem implicações, não protege a blogger, dá-lhe uma enorme exposição e não a dignifica.

O fashion blogging só faz sentido se a marca decidir conscientemente dignificar a blogger. Se a relação for directa e pessoal e próxima. Se houver, de facto, uma comunicação saudável, se o tratamento da blogger for honesto e sincero. Se for positivo. Eu própria, que gasto imenso dinheiro na Acne e na Vans e na André Ópticas, na Miu Miu e na Marc Jacobs, na Carbono e na Rastilho, adorava receber goodies. Claro que sim! Não sou hipócrita ao ponto de dizer que não, ou de recusar. Porque nunca fui hipócrita. Caso o tratamento seja digno, tudo. Mas também admito que posso causar algum desconforto.

Depois há os blogues da cúpula: as Beckerman Sisters, a Garance Doré, a Anna Dello Russo, o Scott Schumann, o Tommy Ton, a Leandra Medine, a Tavi Gevinson ou a Jane Aldridge, só para dar uns exemplos.

O evento de ontem deixou-me triste.
E vou dizer.
A minha blogger portuguesa de eleição é a Ivânia Diamond.
Ela faz do blogue a sua profissão e parece que tem imensos visitantes e que o seu blogue vai bem.
Ela está na cúpula da sua pirâmide e faz a sua cena, sem pestanejar.
Descobri o blogue da Ivânia e morri. Porque entre o gosto dela e o meu, estão galáxias. Mas isso não me interessa. O que me interessa aqui foi perceber que o blogue dela foi escolhido, juntamente com o da Maria Guedes, para publicitar (fazer “parceria”, mais bem…) o lançamento da colecção da Anna Dello Russo para a H&M. A minha primeira questão foi: porquê a Ivânia Diamond? O que é que existe de paralelo entre a Anna Dello Russo – fashion maniac, nas palavras do Helmut Newton – e a Ivânia? De onde é que a Ivânia conhece a Anna Dello Russo? Qual é a legitimidade da escolha? O tráfego.
A Ivânia é o topo da sua pirâmide.
OK. Na boa.
Mas não consigo conceber que a Ivânia tenha sido escolhida para ser a anfitriã deste evento e que não tenha abraçado essa função na totalidade. Lamento imenso que isso tenha sucedido, porque se notava o desconforto na atitude dela. Vi que uma rapariga mais velha que eu se sentiu especial e depois… Afinal não. E fiquei triste. Eu própria quis vê-la e observá-la, porque ela faz parte do meu imaginário do blogging português. Ela é a nossa realidade. E ela É uma Mulher do Norte, uma lutadora e uma rapariga que vai longe, porque tem ido longe. Basta ver o que ela tem evoluído. Reconheço-lhe todo o mérito e escrevo isto desprovida de qualquer ironia. A Ivânia tem muitos seguidores e apoiantes e gente que lhe quer bem. E isso para mim, é uma coisa boa. Porque eu não sou má pessoa, sou insaciável, que é diferente. E aquilo a que assisti ontem foi apenas e só tudo o que escrevi aí nos parágrafos anteriores, mas ao vivo. Ontem para mim aquilo foi um concerto de uma banda qualquer que costumo ouvir em casa: passei da ficção para a realidade. E a realidade é precisamente essa: a da carne para canhão.

E agora de repente penso que se calhar toda a gente se divertiu imenso entre razias infinitas às prateleiras por uma jóia de plástico numa caixa de difícil abertura. A histeria feminina daquele gineceu não faz parte da minha ideia de glamour associada à Anna Dello Russo. Panis et circenses. Ela deve estar felicíssima e deve achar isto o máximo.
Ou se calhar é sempre assim, e o culto do objecto fabricado em série mas apresentado como “especial” na sociedade moderna é sempre assim e eu não sabia…
Eu é que tenho de me aguentar à bomboca por andar sempre em modo hiperconsciente da metarealidade em que vivemos.
E pronto, desculpem, então tanta prosa.

E olha, Ivânia, desculpa se ontem fui mais uma das putas que te fez sentir mal, porque não queria nada disso.
Ou então desculpa por achar que te sentiste mal.

Ah, e eu comprei umas botas, mas não sei se fico com elas.

32 comentários a “ON FASHION BLOGGING

  1. Eh pá, olha nem sei que te diga. Este texto é das melhores coisinhas que li nos últimos tempos. Não sei nada sobre moda, tão pouco me foquei mais de 2 segundos nalgum editorial de moda e acho que comprei 2/3 revistas da especialidade em 29 anos de vida. Nunca assisti a um desfile e só conheço os nomes das modelos dos anos 80 e 90. O mesmo se aplica aos designers, ou estilistas, ou criadores. Curto a H&M porque é acessível, monetariamente falando. Já vi umas fotos da Anna, apesar de saber 0 sobre ela, acho-a pirosa, mas isso não interessa nada. Quanto à Ivânia abstenho-me porque só a conheço dos 5 segundos que passei agora mesmo pelo seu blog.

    Agora a tua análise sobre o 9/11 e a moda é refrescante. Eu faço investigação justamente sobre as representações das inseguranças urbanas o que vai bater quase sempre ao 9/11, 11M e 7/7. Estudo-os enquanto eventos apropriados, desapropriados, inventados e reinventados pela literatura, cinema, média…Enquanto “evento” de moda nunca me passou pela cabeça. Quer dizer já, tenho ali uns artigos marcados nos favoritos acerca do uso dos ‘hoodies’ e inspirações militares no vestuário quotidiano e nas subculturas. Mas nunca lhes pequei a sério.

    O teu texto fez-me sentir inveja (é um cliché que aquela abunda no mundo da moda, não é?). Como é que eu nunca produzi, nem vou produzir um insight deste deste calibre sobre estes temas? Curti, pronto. E vai para os favoritos, quando (se) tiver a coragem de um dia escrevinhar qualquer coisa sobre isto, já tenho a minha referência.

    1. Para mim a Moda é a forma mais básica e acessível da manifestação social rápida e instantânea. A ideia das frases nas T-shirts é a forma de protesto/emissão de código social mais imediato que há. Mas se quiseres tomamos um café e falamos sobre isto. Estou emocionada. Obrigada.

  2. “…a guerra desenfreada contra um terrorismo não muito explícito!”.
    Lamento informar-te que a tua visão sobre o conceito de “terrorismo” é do mais imaturo que possa existir. 🙂

  3. Joana,
    acompanho o Teu blog desde que Te conheci e a admiração é crescente. Reconheço imenso mérito em Ti e no que escreves. Este texto, é um dos mais lúcidos que li acerca do “império do efémero”. Muito obrigado p/ continuares a partilhar c/ o fazes. Parabéns!

  4. Ena, nunca te tinha lido antes, não te conhecia o blog, e …adorei. Não consigo concordar com a maior parte daquilo que escreves porque somos de gerações muito distantes e por isso vemos as coisas com uma diferença enorme – para além da diferença que a própria personalidade confere, mas o que dizes sobre as marcas e as bloggers e o aproveitamenteo muitas vezes feio que é feito por parte de certo tipo de marcas a certo tipo de wide eyed jovenzinhas cheias de ilusões… pois. Bate certinho. Não vou nomear as marcas cujo aproveitamento da imagem alheia me choca de sobremaneira, e é acima de tudo naquilo que tu disseste de nem se darem aotrabalho de verificar o conteúdo dos ditos blogs… enfim, eu que sou uma cota mas viciada em style blogs dificilmente sou apanhada a comprar essas marcas – sou cota, sou bota de elástico, acho as roupas feias, mal acabadas, com um arzinho de …. sei lá eu o que digo… quando hoje li o post da Ivânia fiquei realmente com pena da situação, e acho sinceramente que ela ficou em choque por ter sido convidada a documentar algo para o seu blog e chega ao evento e não tem nada para documentar…mas isso para mim prende-se com a visão que a gestão média portuguesa tem – ou melhor, não tem. Todos querem ser a Cinha Jardim na Caras – já disse que sou cota, só conheço socialites jurássicos – e como tal acham que qualquer pessoa que tenha um style blog – diferencio do fashion blog propositadamente, acho que cá não há fashion blogs, lamento, crucifiquem-me se quiserem – tem por desejo ser um arrivista social a aparecer nas revistas do grand mondé como diria o meu poeta se ainda fosse vivo. Vou-te pôr já nos favoritos, acho que se te ler tenho smepre algo a aprender contigo. Obrigada.

  5. Querida, achei simplesmente fantástica as suas observações, também não sou muito ligada a moda, compro aquilo que gosto sem me importar com a marca ou coisas desse tipo. Com relação a Ivânia Diamont , a conheço pessoalmente e isso me basta, seu trabalho como blogger é fantástico, acho que ela é tudo aquilo que você descreveu e muito mais, ela é uma mulher com uma beleza fora do normal, carismática e uma verdadeira vitoriosa, sabe muito bem conquistar o seu espaço e tem mesmo conseguido evoluir de uma maneira positiva. Ela merece todo o sucesso que tem conquistado e acredito que vai ainda mais longe, se Deus quiser, porque a ela só desejo o melhor. Mas, simplesmente, decepcionei-me com a Ivânia com pessoa, acompanho as suas Postagens no Facebook e no seu blog e acho de péssimo gosto quando ela fala mal de A e B, que falaram sei la o que sobre ela apenas para se promover ou chamar atenção do seu público. Passar uma imagem de menina bondoso e amiga de todos é o cumulo da hipocrisia. Pois na realidade a Ivânia é grossa, prepotente, mal educada, sem se falar que adora humilhar as pessoas com seu jeitinho de que não faz nada por mal. Acredito que para entrar no coração de um público com uma imagem falsa de quem realmente é me parece um caminho que um dia vai a levar a um lugar indesejável. Favorecida pela sua capacidade e esperteza, tem sobressaído-se nesse mundo virtual tão importante da moda, mas ela é uma mulher muito diferente daquilo que mostra, é uma pessoa má, egoísta e bastante grosseira. Quando fala com subordinados de algum serviço a que dirigi-se, parece com a Cruela Cruel da história infantil da Disney . Pronto falei, falei …

    1. Txiiiii má, grosseira…
      Falo mal de A ou B… Isso é um exagero Iris. Eu não toco em nomes nos meus desabafos, desabafos esses que como qualquer pessoa tenho direito a fazê-los. E não entendo porque me crucificam nesse sentido, quando outros que passam a vida a rebaixar os outros publicamente e a criticar tudo o que se mexe são idolatrados… mas pronto, opiniões são opiniões 🙁

      Depois, dizes que me conheces pessoalmente, mas eu não conheço nenhuma Iris (ou não é esse o teu nome?), e se realmente me conhecesses pessoalmente não dirias que eu sou mal educada e grossa. Porque quem me conhece verdadeiramente… quem conhece mesmo a minha pessoa, o meu “eu” no dia a dia sabe perfeitamente que eu não sou assim. Obviamente que tenho os meus dias menos bons, e momentos nos quais o humor não é do melhor, mas como qualquer mortal também tenho esse direito.
      Falas de um modo que… nem eu consigo perceber tamanha fúria.

      Gosto que existam oportunidades para que as pessoas que têm uma opinião menos boa de mim, possam vir a mudar…
      Convido te para um café. Aceitas?
      Conheces o meu mail (está no blog), fica à vontade!
      Até porque falares em humilhar bateu forte, eu não suporto humilhações :S

      Agradeço que me desejes o melhor. 🙂

      Beijinho*

    2. Tive a possibilidade de observar a Ivânia um dia destes, num evento, e só posso dizer que é de facto uma desilusão: pretensiosa, de nariz empinado e a achar-se um máximo… isto quando lhe dão atenção!

      Sempre a tentar ser engraçada, ser simpática – sorri para este e para esta… tudo tão artificial, sem valor…

      Digo isto porque a idade me permite e porque já não tenho de levar com estas coisas – maturidade, postura e elegância são coisas que ainda pouca gente tem!

      De resto, não tenho nada contra – cada um tem a sua vida! Só não vale a pena mostrar aquilo que queremos que os outros achem de nós – não há nada mais bonito do que ser genuíno e puro nas acções!

      1. Acredito que seja difícil encarar estas coisas dos eventos e das aparições e das presenças ou até mesmo o hosting com alguma naturalidade. Serão estas as novas profissões? Não faço ideia, mas gosto de observar e de tentar perceber qual é a dimensão da persona. Porque no caso da Ivânia, quer-me parecer que existe uma persona construída que em modo estático resulta, mas que na vida real não.

  6. Hey Joana!
    Adorei ler o teu texto e a cada post que vou lendo, vou gostando mais e mais do teu blog!
    O que escreves aqui é a enorme realidade dos factos!
    Seria hipocrisia dizer que não gostamos de coisas grátis mas a questão é saber a que custo fazemos algo em troca para receber essas ditas coisas grátis.
    Fizeste com que pensasse e me sentisse bem com todas as parcerias que estabeleci até agora! Em seu momento pensei que estivesse a exagerar e a hiperbolizar-me mas sinto-me bem pelos princípios que tive quando tomei certas e determinadas decisões! Não é só o mundo da moda que vive e está a viver desta fugaz vontade do individuo ter, comprar, possuir esse instantâneo futuro que passa automaticamente para o passado longínquo, pois há que obter um novo futuro que nunca será presente continuo!
    Apenas teorias que nunca chegaram a teses formulando leis. Pois tudo o que fugaz é em um certo momento instantânea acaba por terminar. O que importa (eu na minha perspectiva de blogger) é divertir-me no processo de evolução pois tudo tem um inicio, e de certo terá um fim há que aproveitar o meio (presente) 😉
    Bjinho, Oli

  7. Confesso que desconhecia por completo o teu blog e o teu trabalho e vim aqui parar porque sou uma fashion blogger e conheço a Ivânia que publicou o link para este teu texto.
    Concordo com quase tudo o que escrevestee como blogger tenho plena noção que aquilo que recebemos são migalhas quando comparado com o que as marcas ganham às nossas custas. Tal como disseste nós damos a cara, fazemos as produções pela marca, muitas vezes bem mais aceites pelos leitores porque para eles são mais reais, mais usáveis. Raramente nos imaginamos a conseguir usar no dia a dia a maioria das produções de moda das revistas, mas quando vemos determinada peça num blog o caso muda de figura e tudo parece lindo e maravilhoso e usável e tão fácil de conjugar que até nos perguntamos como não nos lembrámos daquilo antes. As bloggers fazem tudo e a marca só tem de se preocupar em entregar um porduto ou outro que lhes fica a um custo mínimo e a manter o stock e a receber os louros.
    No entanto eu não vivo iludida. Revolta-me não receber o dinheiro que teriam de pagar para fazer a publicidade que fazem no meu blog se fosse numa revista, também queria ganhar 3000€ ou mais por um post mas sei que as coisas não são assim e que se até falo de produtos/marcas sem que me paguem, porque as comprei e as uso e ao meter fotos acabo por ter de falar neles, mais facilmente vou falar de algo que não me custou um cêntimo.
    A relação marcas/blogs nunca vai ser justa, porque acabamos por fazer o trabalho chato e sujo a custo zero, e é ou isso ou nada, e “qualquer coisa” é melhor que nada.

  8. Como já comentei na Ivania não percebo a histeria que foi em Portugal com isto, tenho amigas a viver em várias cidades por esta Europa fora e ninguém esteve no meio de nenhuma confusão. Aqui em Dublin a colecção abriu às 9h da manhã sem preview para ninguém, foi dada a atenção a esta colecção como a outra qualquer, até demorei a encontrar por estar tão escondida. Adiante, fui às 18h e comprei o que gostei até porque a maior parte das coisas não me assiste em gosto :). De resto, também acho que as marcas se aproveitam e muito bem dos bloggers mas estes também se deviam valorizar mais porque anunciar toda e qualquer coisinha só porque se vai a um cocktail (dito a frio, pode ser mais que isso) não é coisa para correr bem. Eu acho que isto dos fashion bloggers + marcas está a tomar uma proporção desagradável para quem o faz e para quem lê. Confesso-me cada vez mais cansada de ler posts em modo copy/paste no que diz respeito a produtos.

  9. O texto está interessante, acho que te perdes um pouco mas consegues defender o teu ponto da questão até ao fim.
    É verdade que o 9/11 mudou tudo e que a moda de hoje, a moda dos fashion bloggers é diferente do que era antes, tudo evoluiu a bem ou a mal o mundo vai mudando mas também acredito que as bases sejam as mesmas. Sobre a questão tecnológica acho que não estás tão certa assim, as tecnologias chegaram a um ponto de grande acessibilidade a todos de uma forma geral mas neste momento, acredito num retrocesso – dou o benefício da dúvida posso estar errada. Agora tudo é uma questão de status. Onde existe cada vez mais a intensificação da divisão de classes. Onde por vezes renunciam o pão para ter o que mostrar socialmente. De qualquer forma não sendo a maior fã da Anna Dello Russo e/ou da colecção para a H&M há que reconhecer o patamar da Anna e a Ivânia é uma miúda com garra e força e tem o mérito dela e há que saber dar-lho, porque merece mas não está no mesmo patamar da Anna. Eu não sigo muitos blogues Portugueses e provavelmente não conheço nem metade dos que existem mas dos que conheço nas diferentes redes sociais há meninas num patamar mais elevado do que a Ivânia a bem ou a mal, não me compete a mim avaliar isso, nem quero fazê-lo porque não domino o tema bloguers portugueses de moda para tal. Se ela lá estava e foi escolhida por algum – bom – motivo foi. Parabéns pela escrita e defesa do ponto de vista.

  10. Vou já guardar o teu site! “Conheci-te” agora através da página do Facebook da Ivânia (blog que sigo há já algum tempo) e acho que me apaixonei. Não por ti. Pelo texto. Não me leves a mal.
    Partilho totalmente da tua opinião! E depois de ler em vários blogs o que se passou ontem na H&M só vim constantar que este mundo está cheio de gente “pequenina”. Mas eu continuo a sonhar com um mundo civilizado. Mas não é no Chiado.

    Beijinho e vou passar por aqui mais vezes!

  11. A Ivânia é uma sopeira e a Amberhella não sabe escrever nem em inglês nem em português. (Sim, sim, é tudo “inveja” se isso vos faz sentir melhor…) A mediocridade é tal que umas quantas Soraias Vanessas do Carmo se vão safando porque sabem não falar de menos nem de mais e têm camisas com tachas.

    Joana, ao menos tu não dás erros e sabes explanar ideias.

  12. Joana, até guardei o texto para ler mais vezes e com mais calma, porque realmente disseste várias coisas com as quais concordei. Vejo muito, aprecio muito, mas não quero fazer parte deste mundo, que me sabe sempre a pouco. Não vejo qualquer sentido de se gastar rios de dinheiro com peças de um determinado estilista, a não ser que realmente se seja um fã. Para quem conhece o trabalho de estilista A ou B, para quem sabe do que fala, aí faz sentido, não para a maior parte (ao que me parece) que apenas vê o nome e quer comprar, porque fica “bem”.
    Enfim, parabéns pelo texto.
    Vanessa.

  13. Entre as várias coisas que temos em comum apetece-me falar de “People Watching”. É por isso que sigo o teu blog desde o início (acho eu – foi desde que fizeste o header da Miss Dove, descobri-te lá). Quero dizer que gosto de te observar independentemente da perspectiva que tens das coisas. São as consequências de quem se expõe, venha o sociólogo falar disso. N este post dispensaste-o.
    Já tinha ouvido falar dos blogs de moda e do forte impacto deles (inclusive aqui), mas não fazia ideia do frenesim que isto era… Gostei muito de saber. Também achei muito curiosos os comentários.
    Senti que o teu post foi uma espécie de bomba a rebentar dentro dum avião a sobrevoar uma cidade grande e vistosa. Mas um bocado porca vista de muito perto… As pessoas são assim. É por isso que o “People Watching” é tão encantador, nunca vemos as coisas realmente de perto.
    Fico a aguardar por mais acções terroristas.
    PS: Não posso identificar-me se não estrago a cena do “People Watching”.

  14. Querida Joana,
    Adorei todo o teu texto, adoro teorias da conspiração e ja estou a tentar arranjar o livro de que falas para ler!
    Quanto à tua blogger de eleição…. A sério? Ivania? Coitada, o nome é pimba que dói, e o blog vou ali e ja venho! Toda ela é uma coisa horrível, pele branca quase transparente, maquilhagem de correr de susto ( a ultima foto que aparece a cara de perto no facebook dela dá para assustar criancinhas à noite!), as roupas e os outfits sao do mais pimba que ja pude ver e olha que deambulo por muitos… Nao entendo também a escolha da h&m mas também convenhamos que a colecção era o que era… Até no mercado da seda em Pequim se encontravam pecinhas do género e a metade do preço! Adoro a Ana dello Russo, mas deixou a desejar, as peças pareciam saídas mesmo de uma qualquer loja de chineses… E nao das de Pequim!
    And by the way : Tevi Gibson rocks!

    1. A Ivânia… É verdade. Vê o que ela tem feito por ela própria, atende à evolução. Vais entender. Não gosto do estilo dela, não compro roupa de má qualidade, não consumo nada do que ela consome, mas olho para ela como o exemplo acabado daquilo que as pessoas, no fundo, gostam. Não serás certamente tu, mas muitas… Não sei se me dá pena que as massas consumam Ivânia. Faço-me entender?

      1. Sim, nessa perspectiva sim 😉
        E sim é verdade que é o que as massas consomem, é como a televisao de má qualidade ou os livros da Margarida Rebelo Pinto… Só existem porque há quem consome… Mas metem-me pena estas bloggers que se consomem umas as outras a ver quem usa mais skulls e studs e cor burgundy e peplums, quando há todo um mundo lá fora… Tão maior que o armário delas!
        Adorei conhecer o teu blog, valeu por aí 😉
        Um beijinho Joana <3

  15. Quando se chama blog de moda ao blog da Ivânia ou da Pipoca mais Doce está tudo dito no que diz respeito à cultura de moda em Portugal. shame on us!

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