ÓSCARES AO VIVO E AO MORTO NA E DA RED CARPET pt. II

Ora bem, vou pegar onde deixei ontem, mais ou menos, porque em bom rigor vou voltar a Natalie Portman e ao seu clamor, ao qual chamarei clamol, a contração de clamor com lol. Começo por um pormenor técnico importantíssimo que encerra em si muitíssimas mensagens silenciosas: os nomes não foram bordados. Não há ali bordado nenhum. É uma fita impressa a dourado, aplicada à posteriori, o que me leva a reforçar a dúvida relativa ao clamol. A ser bordado, e mesmo com as super heroínas da casa Dior a bordar à velocidade da luz, era preciso ter pensado no clamol com muito mais antecedência para ele ter surgido bordado. Não compro o clamol da Natalie e acho a comoção geral muito shallow e sintomática do tempo em que vivemos e da pouca importância que deve ser atribuída a este tipo de gestos vazios. Momentos houve de grande protesto nos Óscares. Dizer que isto é um protesto e afirmar que a Natalie é uma Deusa até parece ofensivo para quem já arriscou – e muito – ao defender determinadas causas desde aquele palco. A Dior aproveita o carrinho do feminismo com os adjectivos que conhecemos e que merece, que há bem pouco tempo debati com Catarina Nunes no 8º episódio do ARMÁRIO, sobre Storytelling, porque a Dior não tem história absolutamente nenhuma com a luta feminista pre Maria Grazia Chiuri. Perdoem-me as mais sensíveis, mas é isto.
Nada invalida o cabelo da Natalie, que está óptimo e o melhor que lhe vi em muito tempo.

Tô? Maria Grazia? É a Natalie! Sim, tudo!.. Olha, lembrei-me agora que na volta aproveitava e protestava pela falta de visibilidade das mulheres realizadoras nos Óscares. É. Acho que era giro, sim. Dava para fazeres alguma coisa? Ah… Pois… Lembrei-me agora mas os Óscares são domingo… Imprimes assim uma fitinha e eu tenho uma amiga que vem de Paris amanhã e pode trazer… Boa? ‘Tão vá, ‘té logo!… – Excerto de um telefonema da terça passada entre Natalie Portman e Maria Grazia Chiuri.

Entretanto ontem já estava muito feliz com a Julia Butters, maravilhosa em pink extremo, exactamente como imagino uma criança numa red carpet, que protagonizou um dos momentos mais óptimos da noite ao abrir a sua mala bolinha de cristais cintilantes cor de rosa, revelando o conteúdo: uma sandes de peru porque nestas coisas é costume dar-lhe a fome e não gosta da comida. Como eu a entendo! Eu para os eventos também levo sempre uma bucha. Quando não levo uma bucha, como muito bem antes. Porque se isto já é uma estucha, piora um pouco com fome…! Espontânea, cool, zeras sexualizada. Uma lufada de ar cor de rosa brilhante fresco!

A Julia Butters com a saia toda amarfanhada, tipo a mais amarfanhada de toda a noite e olhem que houve lutas renhidíssimas, é, ainda assim, uma das melhores de todas. Vejam como cerra o punho na carteirinha. Quanto não vale ali uma sandes de peru – com perdão dos vegans! disse ela! Mal sabe a querida Julia que dentro em breve já lhe vai cair em cima o Carmo e a Trindade mas na proporção de Holywood por esses comentários que nos fizeram rir tanto e tão alto!

Fui dormir com a imagem da Charlize Theron na cabeça, porque é capaz de ter sido a última Lynda a passar no sambódromo à minha frente. Em movimento, muito bem. A Charlize, por causa do anúncio ao J’Adorrrrr é capaz de ser a última das moicanas capaz de defender um Look destes old Holywood glamour com racha e cauda e tudo e muito mais sem parecer um secador ambulante ou uma pessoa extremamente desesperada por um momento de chiquê. A Charlize tem também aquele edge pessoal muito trágico que serve de coadjuvante interno ao Look, o que lhe facilita também muito. Depois dá ideia de ser altíssima e macérrima, o que faz com que isto pareça mesmo muito ideal. A alça descaída, o trabalhado da outra alça, aquele peplum que é sem o ser muito… Unhas pretas, jóia que é só uma, mas cá uma jóóóóóia!… Cabelo perfeito.

Identifico-me muito muito muito com a capacidade de ficar terrível em fotos da Charlize.

Um dos meus maiores vivas vai para a Salma Hayek, que conseguiu ir de Salma Hayek, porque ela é um statement vivo, por assim dizer, tem um estilo único e próprio de há vidas, que já exerce desde o tempo em que ela e o Banderas eram os únicos latinos em Holywood (yep, ela afirmou isto), porém com uma diferença: não havia nada complicado a acontecer no peito. Em termos de ideia de vestido, é igual ao da Renée – assimétrico e branco – já na concretização… Pronto. É assim muito tudo. Está tudo a acontecer, mas num ritmo de la noche (não consegui evitar a piada) muito mais suave. Suavemente… Elvis Crespo! Ok, vou parar agora. Parei.

Salma tem #TUDOAACONTECER como só ela sabe!

Molly Sims também tem #TUDOAACONTECER, porque aqui, de facto, está tudo a acontecer. Ele é o decote, ela é a manga do balão ligeiro, ele é o s drapeados, ele é a racha, ele é a cauda, ele é os brilhos, ele é as assimetrias… É como quando estou a escolher um gelado e há montes de sabores e estou indecisa, peço para por todos e ainda digo que sim ao topping e depois passo o resto da tarde arrependida pela péssima escolha que fiz. Só que neste contexto a coisa tem uma onda de repercussão maior…

Molly Sims na volta devia ter aplicado uma cor de batom com mais tom.
Só vim porque me pagam. Rooney Mara confidenciou com o olhar ontem na passadeira dos Óscares.

E agora, na categoria das que preferiam ter ficado em casa, Rooney Mara. Talvez a pessoa com o ar menos entusiasmado e entusiasmante de sempre em qualquer evento. Só que quando apareceu pela primeira vez com este ar e um vestido recortado, ok. Agora já é só repetitivo e um pouco secador também para nós Rooney. Não faz mal se te apetecer fazer uma pausa desta coisa das red carpets e das aparições. Mais vale ficar em casa, mesmo, porque para aparecer assim… LOL.

Agora um momento, por favor, porque é preciso tirar esse momento, TODO esse momento de preparação para podermos apreciar, em todo o seu esplendor, o esplendoroso Billy Porter.
A-R-R-A-S-A-N-T-E!
Ao olhar para Billy Porter, conseguem perceber porque é que ele pode estar na categoria #TUDOAOMESMOTEMPO, mas em bem? Conseguem também entender porque é que ele está com aquele pé de photocall e pode? Porque está a mostrar aquela plataforma Jimmy Choo feita à medida de propósito para ele, para este #gown. Também entendem porque é que este volume todo, esta silhueta toda, é possível, não entendem? É porque é concept e drag e cheio de sinais, é semiótico e comunicante.

Quando tens uma categoria só tua, chamada AMAZINGNESS.
Billy Porter enrolado numa mantinha polar, sentadinho ao pé de dossiers e merdas empilhadas é o meu spirit animal em festas a partir de uma determinada hora, não muito distante da hora de início…!

Quem também merece uma categoria só sua e de mais ninguém é Kirsten Wiig. A única coisa que me fez franzir o nariz ou o sobrolho ou sabe-se lá mais o quê foram os sapatos, porque ali não punha aqueles sapatos. Punha outra coisa qualquer, não sei bem, mas punha. Não usava aquele Louboutin em mesh e cristais, que fica mesmo uma grande mess. De resto, ideal. Acho que a ir e a apresentar e a fazer aquele act (que foi uma becqua WTF, bastava ver a cara da Billie Eilish para se perceber que aquilo foi um número escrito e pensado por umas manas muito antiiiiiiigas!), só com uma coisa destas ou com um Comme dês Garçons daqueles gigantescos. Porque há que olhar para mais além do propósito visual da aparição e ter em conta o lugar ético e estético do estar a ser ali nos Óscares. Clap Clap Clap, cabaret-style, com mashup e tudo, mas sem os mesh messy Loubies. O Christian que me perdoe, que ele sabe que eu o adoro!…

Jarrão com luvas, capa e aberturas laterais.

Esta é a cara da Billie Eilish a assistir ao momento que descrevi acima. Eu estava a reagir tal e qual, só que sem makeup e sem Chanel e num sofá bem mais fixe, desde o conforto do meu lar, logo muito mais protegida de qualquer escrutínio público. Seja como for, a Billie só ganhou créditos com esta reação. Like, 4realz.

Uma enorme vénia ao Spike Lee pelo look homenagem ao Kobe Bryant. E agora reparem no número 24 na lapela, que não foi bordado mas sim aplicado, e na homenagem séria do realizador ao jogador. Uma homenagem é tipo isto, Natalie. É assim uma coisa mais orgânica, com mais substância.

Spike Lee, o homem mais confortável nos pés de toda a cerimónia.

Agora vou almoçar.
Ficaram muitas coisas por escrever, algumas partes do texto por optimizar, mas como este ainda não é o meu job… Hihihhiihhihi!

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