PUM – PUM!

Já que está péssimo tempo e que quando o tempo está péssimo só se fala disso, de como o tempo está péssimo, achei por bem falar do que me faz feliz com este tempo tão mau.
E não foi nada difícil chegar ao que é que, com este tempo, uso sem fim.

Este post é uma ode (moderna e que pode tornar-se marítima, quando falar de chuva) às Pistol Boots, da ACNE.

Comprei-as há uns dois anos.
Desde que as comprei que não sei usar outras.
Lembro-me do dia em que me chegaram a casa e abri a caixa e as pus nos pés.
Pensei logo que me iam fazer aquele pé masculino e muito feio.
Mal as calcei, foi óptimo.
Comprei-as quando em Portugal já não estava frio, e uma das primeiras sensações que tive quando as calcei foi a de calor.
Senti calor nos pés.
Posso afirmar, ao dia de hoje, que nunca tive frio nos pés com estas botas.
E que no Inverno passado, quando fizémos o Sonho na MC93 em Bobigny, foram o único par de sapatos que levei e não precisei de mais nenhum.
Estavam -18ºC e nunca tive frio.
Aquecem tanto os pés e protegem-nos tão bem, que costumo usá-las só com umas peúgas muito ligeiras e nem no tornozelo sinto o frio.
Na verdade, depois de ter comprado estas botas, soube que não ia precisar de pensar muito acerca de sapatos.
E não preciso.
Estas botas são de uma perfeição que recomendo vivamente.
Além dos detalhes e dos pormenores de design e de como a pele é óptima e resistente, tenho a dizer que esta bota não deixa entrar água e que por dentro, a pele não tingida não mancha peúgas nem pés.
Tenho também a dizer que eu – pessoa que ama mas não consome saltos altos – aguento este tacão o dia todo e posso saltar muros, correr a maratona, conduzir, ensaiar e ir a sítios de índole mais formal com isto nos pés.
Sinto-me sempre bem calçada e bem posta.

Uma das coisas que mais gosto nestas botas é o facto de ficarem bem com tudo e de terem um aspecto muito resistente, muito robusto.
Gosto de sapatos com um ar robusto.
Aliás, só gosto de sapatos que digam de alguma forma que são robustos e fortes e afirmativos.
Por isso é que só gosto de sapatos com preços horríveis…
Os outros não costumam dizer tanta coisa…
Não costumar falar de mim antes de abrir a boca.
É disso que gosto nas Pistol.
Até porque se chamam “Pistol”.

A ACNE tem destas coisas e eu gosto da ACNE por isto.
Manifesta-se sem ter de dizer em público.
E isso é tudo o que procuro.

Sem ser o estampado essencial, não há estampado.
Na vida, como em tudo, o que não é essencial, não brilha, não faz falta, não É.

Gostava ainda de dizer que estas botas são as minhas preferidas e que as escolhi com o intuito de as tornar nas minhas botas preferidas de todos os tempos.
Pensei que tinha sempre frio nos pés.
Depois pensei que nos países nórdicos e no seu frio.
Pensei no que, tão escravizados pelo estilo que são esses povos, já alguém devia ter inventado calçado forte, robusto, resistente e quente, mas também esteticamente interessante.
Comecei por me encher de Swedish Hasbeens. Comprei dois pares que amo e uso com imensa frequência.
Mas a sola de madeira estática, nada maleável, não conseguiu suplantar e encostar a procura pelo par ideal, pelo par perfeito. Lembrei-me então destas botas da ACNE.
Já as tinha visto em todas as suecas que conheço.
TODAS.
Não havia uma que não tivesse pelo menos um par.
Mas eram caras.
Mas depois pensei o que penso sempre, que é ficam para a vida.
E têm ficado.
Intactas.
Estão estoicamente comigo quase todos os dias e fazem por mim o mesmo que o Ruby Woo da MAC – MILAGRES.

As Pistol, da ACNE, foram um dos meus melhores investimentos de sempre.

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