Window Shopping (not because I want to)

Ontem, como foi a primeira vez que tive uma folga, por assim dizer, decente, em cerca de cinco meses, tentei ir às compras. Saí de casa com headphones, clutch (porque odeio andar de mala) e ténis de correr, para palmilhar meia cidade. Fiz muitos kilómetros. Tudo a pé, que deixei, oficialmente, o carro; e ir às compras é a pé.

Retomo o verbo tentar no pretérito perfeito simples do indicativo, porque, de facto, não comprei nada, para além do verniz com que pintei, finalmente as unhas, ao fim de meses de pousio. Desse pousio resultou um regresso aos clássicos, porque sou, afinal, uma clássica: o número 8 da Chanel, que dá pelo nome de Pirate (como não, ‘né?).

Entre as saias curtas à frente e compridas atrás, os creepers falsos e os tecidos perto dos quais nãos e pode fumar ou fumegar (qual bomba de gasolina), a escolha é reduzidíssima, pelo que a tarde de ontem foi para esquecer… Estive quase a querer comprar umas calças à boca de sino na Zadig et Voltaire da Avenida, por isso, CAUTELA comigo.

É triste querer comprar qualquer coisa e não haver. Mais uma vez, é uma seca. E ainda há aquela ideia de que se fosse milionária a coisa até se dava – WRONG! Ontem, mesmo que tivesse sido milionária, trilionária… Nada… Tenho a certeza de que teria regressado a casa com as mãos a abanar.

Influenciada pela Garance Doré, fui à Prada ver uns sapatos pretos, normais para uma vida normal, mas de salto alto. Uma vida mais composta, vá… Que não é bem o meu caso. Encontrei-os imediatamente. Só que, entre preto e verde água… VERDE ÁGUA. Indescritíveis. No pé, um arraso. Mas não havia o meu número. Lojas abaixo, sandália Tom Ford em pitão verde, toda debroada a preto. Preço típico Tom Ford. Fitting típico Tom Ford. Esse homem sabe. E embora ame dez mil vezes mais comprar roupa em lojas podres, secções de homem e afins, tenho de admitir que o Tom sabe o que faz e que não só a sandália, cuja foto não encontro em lado absolutamente nenhum para poder partilhar, mas também uma parka verde deslavada, uns tank tops de malha de seda e uma clutchzinha branca com fecho dourado, eram óptimos. No entanto, como me fiz acompanhar do [György] Lukács, estive defendida toda a tarde e acabei por comprar nada, preparadíssima que estava para rebentar, numa hora, com os últimos cinco meses de escravidão (literal – hão de dar por isso em 2013, caso o mundo não tenha acabado).

Concluo que, por um lado, é bastante agradável que não haja nada para comprar em Lisboa…

Chegada a casa, sopa ao lume, abrir a tampa (abrir a tampa, sim, porque o computador é uma caixa de Pandora) do computador e fazer um raide aéreo por algumas lojas online.

(Sou uma miúda difícil de cansar.)

Irra! Nem mesmo na internet!

Obcecada que estive todo o dia com comprar saias (mal chegam os vinte graus, já não há nem calças nem collants…!), encontrei A saia.

O desespero já só por querer comprar qualquer coisa estava iminente:

Net-a-Porter  –> Acne –> Saia perfeita –> SOLD OUT –> AAAARRRRGGGGHHHHHHH!!!!!

Terminou assim a actuação.

O Universo disse-me que ontem não era bem o dia.

E nem sequer deixei queimar a sopa.




 

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